quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Quem me dera, paixonite...


O que mais me causa temor, nesses tempos de crise, não é uma questão meramente econômica ou política. É a falta de algo, de um sentimento no coração das pessoas. Tenho medo dessa falta de paixão.

Sou professor. Tenho paixão por minha profissão. Apaixona-me poder ensinar, contar histórias, ouvir; ver, nos olhos dos alunos que, apesar de toda a bagunça e a falta de estrutura, aquele lugar é, para nós dois, sagrado. Um templo de esperanças, em seu ideal. Essa paixão (que, reconheço, às vezes se desgasta, remando contra a maré, mas segue forte) eu reconheço em poucos lugares por onde observo. Quase nenhum. E isso é mais preocupante que crises políticas, econômicas, partidárias ou governamentais.

Aquela paixão que faz perder o medo de abraçar, de beijar, de ser bobo por um momento. Aquela paixão que move e comove, dando forças a seguir seus sonhos. Aquela paixão por uma causa, pela luta, que faz do ser humano a criatura mais forte e transformadora do Universo conhecido.

Esses nossos dias estão muito práticos, muito técnicos, muito materiais. Engajar-se politicamente tornou-se algo vergonhoso; dar aulas passou a ser uma piada piedosa; estar com alguém, de corpo e alma, é visto como perda de tempo. Importam mais os números, os títulos, a lamentação vazia, no lugar do coletivo humano, da importância do indivíduo, da (re)ação.

Nosso problema humano não será resolvido com melhores aparelhos eletrônicos, nem com a saída de um governante ou outro, muito menos com intervenção militar ou isolamento de culpa. Precisamos de paixão. Paixão nos corações. Paixão nos punhos. Paixão no sangue. Paixão na política e na fé, na vida e pela vida.

HUMANOS DE TODOS OS PAÍSES, APAIXONEMO-NOS!

Fábio Pedro Racoski

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