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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Obrigado, minha amiga


Hoje, perdi uma amiga que por 11 anos me ouviu, foi carinhosa comigo, me fez companhia, me alegrou, com quem brinquei, chorei, ri...

Como era bom chegar em casa e ver você correndo em minha direção, pulando de alegria, e não porque eu tinha um presente: simplesmente porque eu estava de volta.

Como foi reconfortante chegar em casa depois de 13 dias de internação e ver você chorando de saudade de mim. Eu deitado na cama, em recuperação, e você vigiando meu sono.

Como foi emocionante ver você novamente, depois de morar fora por um mês. Você, já sem muita força nas pernas, fez questão de pular em mim novamente.

Porque você nunca desistiu de mim. Você, com seu jeito de chorona e manhosa, sempre esteve ao meu lado. E é por isso que eu fiquei ao seu lado até o fim. Você, mesmo com dores, sem poder andar e sabendo que seu fim estava próximo, mesmo assim, você não desistiu de mim novamente.

Obrigado, Yara, por fazer parte da minha vida de uma forma tão singela, tão linda, com seu amor sincero e gratuito.

Agora você vive em nossa memória, minha velhinha chorona! E é uma belíssima memória, tão linda quanto a paz que você irradia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Quem me dera, paixonite...


O que mais me causa temor, nesses tempos de crise, não é uma questão meramente econômica ou política. É a falta de algo, de um sentimento no coração das pessoas. Tenho medo dessa falta de paixão.

Sou professor. Tenho paixão por minha profissão. Apaixona-me poder ensinar, contar histórias, ouvir; ver, nos olhos dos alunos que, apesar de toda a bagunça e a falta de estrutura, aquele lugar é, para nós dois, sagrado. Um templo de esperanças, em seu ideal. Essa paixão (que, reconheço, às vezes se desgasta, remando contra a maré, mas segue forte) eu reconheço em poucos lugares por onde observo. Quase nenhum. E isso é mais preocupante que crises políticas, econômicas, partidárias ou governamentais.

Aquela paixão que faz perder o medo de abraçar, de beijar, de ser bobo por um momento. Aquela paixão que move e comove, dando forças a seguir seus sonhos. Aquela paixão por uma causa, pela luta, que faz do ser humano a criatura mais forte e transformadora do Universo conhecido.

Esses nossos dias estão muito práticos, muito técnicos, muito materiais. Engajar-se politicamente tornou-se algo vergonhoso; dar aulas passou a ser uma piada piedosa; estar com alguém, de corpo e alma, é visto como perda de tempo. Importam mais os números, os títulos, a lamentação vazia, no lugar do coletivo humano, da importância do indivíduo, da (re)ação.

Nosso problema humano não será resolvido com melhores aparelhos eletrônicos, nem com a saída de um governante ou outro, muito menos com intervenção militar ou isolamento de culpa. Precisamos de paixão. Paixão nos corações. Paixão nos punhos. Paixão no sangue. Paixão na política e na fé, na vida e pela vida.

HUMANOS DE TODOS OS PAÍSES, APAIXONEMO-NOS!

Fábio Pedro Racoski