sexta-feira, 17 de agosto de 2012

#microcontos

Eram, entre eles, fogo intenso, sem contar números.
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Faziam ménage-à-trois: ele, ela, e seus prazeres transbordantes.
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O menino perdido cresceu. Fez-se homem. Apaixonou-se. Mas ainda é um menino perdido, e perdeu-se de si.
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Olhava para ela e dizia com os olhos: "faça-me voar, anjo, porque eu cortei as minhas asas".
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O lutador preferia os gigantes aos moinhos.
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Ele custava a acreditar que ela, tão linda, tão livre, não alçava voos e escolhia ficar ali, do seu lado.
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Eles se cuidavam assim como guardavam seus corações dentro do peito.
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O frio que não sentia no corpo, sentia na alma.
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Descobriu, com a multidão, que sua sina é ser sozinho.
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Ninguém o queria. Porque qualquer querer era barrado em suas muralhas de medos.
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Muitos o elogiavam ao longe, mas ninguém o sentia de perto.
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Seu querer não tinha idade, mas acumulava tempos.
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Ele queria estar longe de si mesmo, para que ela não visse suas feridas.
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Sua paixão era desmedida, mas cabia inteira dentro dela.
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"Vá", ela dizia, pois queria que partisse para tê-lo enfim.

Fábio Pedro Racoski

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