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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Monalisa

eis que surge,
à meia-luz,
uma nova Monalisa
que faz a memória
de Da Vinci
ter inveja
de não criá-la.

Monalisa morena,
Monalisa majestosa,
Monalisa mulher,
de sorriso encantador
e enigma em forma
de corpo.

eis que surge,
à minha frente,
uma nova Monalisa,
a quem me entrego
para fazê-la
sentir-se
desvendada.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 26 de agosto de 2012

Não vou mais

não vou mais
cantar
as mesmas canções.
não vou mais
recitar
os mesmos versos.
não vou mais
escrever
as mesmas cartas.
não vou mais
cometer
os mesmos erros.

com ela, vou
cantá-la,
recitá-la,
escrevê-la,
errar-me,
perder-me,
para acertar
seu coração
e encontrá-la.

Fábio Pedro Racoski

#microcuento

Él está al lado de ella con el deseo de estar también dentro de su corazón.

Fábio Pedro Racoski y
Mauricio Villacrez

Microcontos

Ninguém conseguia vê-lo, porque estava preso nos muros que ele mesmo ergueu.
--
Ninguém enxergava tão profundamente para poder ver sua beleza.
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Sabia que não era um verme, mas a cidade insistia em enganar seu coração.
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Ele experimentou sua maior dor quando tentou amputar a solidão de si, em vão.
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Ela se embriagava do desejo dele.
--
Ele é o tamanho certo para vesti-la.
--
Depois de toda nossa trovoada, a chuva sobre nós.
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Da ocasião, fizeram seu eterno momento de fogo ardendo, de dentro para fora.
--
Amam-se sob a proteção do anjo guardião de suas paixões.
--
Sob a luz dos seus olhos, uma paixão em fogo aceso.
--
Seus lábios se expressam sem palavras.
--
A paixão a arranhou mais forte que o roçar no seu pescoço.
--
A chuva molhava seus corpos enquanto as lágrimas buscavam os beijos um do outro.
--
Buscou a si mesmo. Encontrou-se. E, assim, passou a sentir a paixão dela.
--
Ao fechar os olhos e ouvir sua voz de lágrimas e desejos, ela o sentiu dentro de si.

Fábio Pedro Racoski

#microcuento

La vida... La supe contigo, ahora no la siento sin ti.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ela, ela, ela

ela, de tantos olhares,
ela, de tantas cores,
ela, de tantos sorrisos
sempre presentes
em meus sonhos,
em meus sabores.

ela, menina ao sonhar,
ela, mulher ao viver,
ela, dona de mim,
surpreendente
em sua beleza
de poesia diária.

ela, dona dos meus nós,
a quem quero me amarrar,
me prender
pra me soltar
da prisão chamada
solidão.

ela... ela... ela...

Fábio Pedro Racoski

domingo, 19 de agosto de 2012

O menino perdido

Era uma vez um menino perdido.

O menino perdido tinha sonhos. Adorava voar em suas asas de imaginação. Tanto que se esquecia de voltar à terra e se perdia da realidade. Lá sentia-se seguro, porque não precisava ser ele. Lá, sentia-se livre, porque não havia ninguém para rejeitá-lo nem humilhá-lo novament. Lá, sentia-se, porque não precisava sentir. Nem ser.

Mas o menino perdido teve que crescer. Rosto de homem, tempo de homem, mas continuava sendo um menino perdido. Não queria encarar os sentimentos de homem, tinha medo: desejava continuar voando em suas gastas asas de não-realidade.

Mas o menino perdido tornou-se homem, mesmo assim. E, como homem, apaixonou-se.

Quis levar sua primeira paixão para seu desmundo de sonhos. E sua paixão o quis como outro ser. "Minha Dulcineia é tão linda! Como a amo!", exclamava ao longe, enquanto construía um muro para que ela não chegasse perto. Machucou-a. Machucou-se ao derrubar-se no muro. Quis cortar as asas em pleno voo e acabar com tudo aquilo.

Mas o homem continuou. Seguiu. Encontrou sua segunda paixão. Dessa vez, quis aventurar-se na realidade. Mostrou a ela suas cicatrizes de horas de voo nas trevas da tristeza e do pesadelo. Sentiu um calor no peito como nunca havia experimentado. "Eu a quero! Eu sou dela!", dizia a si mesmo, enquanto se despia, aos poucos, dos tão constantes e confidentes medos que o acompanhavam desde sempre: a insegurança, o medo de ser rejeitado, o pavor de cativar.

Mas o homem ainda era menino. Um menino perdido. Inseguro, medroso, autodepreciativo. Sua falta de confiança o encarcerou em silêncio e, como ela tamém silenciou-se, sentiu novamente tudo aquilo que o afastava do mundo real. Mas agora o menino não tem mais asas. Não pode alçar voos para a imaginação. Apesar de assustador, quer os amores do mundo real. Mas não encontra mais sua estrada. O menino está, de fato, perdido.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

#microcontos

Eram, entre eles, fogo intenso, sem contar números.
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Faziam ménage-à-trois: ele, ela, e seus prazeres transbordantes.
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O menino perdido cresceu. Fez-se homem. Apaixonou-se. Mas ainda é um menino perdido, e perdeu-se de si.
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Olhava para ela e dizia com os olhos: "faça-me voar, anjo, porque eu cortei as minhas asas".
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O lutador preferia os gigantes aos moinhos.
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Ele custava a acreditar que ela, tão linda, tão livre, não alçava voos e escolhia ficar ali, do seu lado.
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Eles se cuidavam assim como guardavam seus corações dentro do peito.
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O frio que não sentia no corpo, sentia na alma.
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Descobriu, com a multidão, que sua sina é ser sozinho.
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Ninguém o queria. Porque qualquer querer era barrado em suas muralhas de medos.
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Muitos o elogiavam ao longe, mas ninguém o sentia de perto.
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Seu querer não tinha idade, mas acumulava tempos.
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Ele queria estar longe de si mesmo, para que ela não visse suas feridas.
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Sua paixão era desmedida, mas cabia inteira dentro dela.
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"Vá", ela dizia, pois queria que partisse para tê-lo enfim.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 14 de agosto de 2012

#microconto

O frio que cresceu no vazio que você deixou me fez inverno de dentro pra fora.

A Ruiva Diz

Me deixa

me deixa te encontrar
em coisas belas.
te ver a me olhar
em todas elas.

manter tua miragem,
meu encanto,
depois de esgotado
todo pranto
de amor a se perder
pelo caminho.

A Ruiva Diz

Complexo

Sou uma coletânea
de reações previsíveis,
frases feitas,
amores imaginários
e finais óbvios.

Sou um amontoado
de insanidades
racionais,
comedidas
e previsíveis.

Sou razão
sem loucura,
sou vida
sem cor.

A Ruiva diz e
Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

#microcontos

Teve-o. Mas não o queria como ele era e, por isso, o perdeu.
-
Tomando um café quente numa padaria, encontrou-se com seu olhar em ebulição.
-
Apertava seu corpo com abraços, beijos e sussurros.
-
Não conseguia convencer-se de que era apaixonante e, assim, temia a paixão.
-
Doa-se um coração. Tratar com carinho.
-
O tempo parou. O instante permaneceu. Tudo o que precisava existir estava em seus braços, num abraço.
-
Vende-se um sorriso. Preço: um abraço.
-
As lágrimas aproximavam suas alegrias.
-
De todos seus desafios, o mais difícil era (con)vencer-se.
-
Ele só queria alguém que o sentisse.
-
Vestiu-se de nudez para esconder-se.
-
Tamanha era sua força que a prendeu entre leves toques e sussurros.
-
Nos olhos de um cão, encontrou sua humanidade.

Fábio Pedro Racoski

Elas, belas

sou sua, minha bela.
e sei que você é minha.
porque somos,
porque vencemos
porque semeamos
em nós
um amor
que causa inveja.

meu beijo é seu,
minha bela.
e meus lábios
de moça bonita
e apaixonada
são seus,
porque nos queremos
sem medida,
sem temores,
de mãos dadas.

somos nossas,
e somos livres
para nós
em nosso amor.
um amor
sem palavras.
um amor
que vence,
que não desiste,
que é, enfim,
vida.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Quilômetros

ironicamente,
o meu perto
está distante
e para lá
me levo
em versos,
de braços
abertos
e em abraços
eternos
com você.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Eletropsicografia

O poeta é um sofredor.
Sofre a dor completamente
e chega a sorrir com dor
um sorriso displicente.

E os que leem o que é sangrado
nestes versos de sentir
chegam a crer que é sagrado
este peito a se partir.

E assim, eletricamente
corre, a fugir de ser são,
o bicho de dor latente,
louco, guardião da razão.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Desmundos

Ela queria um herói,
ele queria vencê-la.
Ela não quis o que dói,
ele temeu por não tê-la.

Ela queria criá-lo
do barro de seu ser só.
Ele não queria abalo,
sentia-se em triste dó.

Só queriam-se moldados
e seus seres rejeitavam
em olhares machucados.

Não queriam-se, amavam
o não-amor de seus fados.
Seu amargo cultivavam.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 5 de agosto de 2012

Adolescente

acho que um amor
acorrentado
nunca será parte
de mim.

acho que namoros
duradouros
não serão do meu
feitio.

acho que não farei
novos amigos
e terei os atuais
para sempre.

acho que não vou
me apaixonar
perdidamente
nem esquecer
quem sou.

acho que não vou
machucar
nem ser machucado
por alguém
que amo.

acho que não existe
felicidade
muito menos
liberdade de ser
quem sou.

acho que eu serei
sempre são
e nunca
ousarei ser
louco.

acho que não vou
me embriagar
nem fazer
coisas que não se deve
fazer.

acho que não vou
perder a fé.

acho que vou viver
de alegrias,
sem mágoas,
sem ilusões,
sem choro.

mas sei que eu vou
aprender muito
sobre a vida.

Fábio Pedro Racoski

#microcontos

Não buscava ser feliz. Apenas queria viver sua vida melancólica e louca com tranquilidade.
--
Optou buscar a liberdade ao invés da felicidade.
--
Uma barba bem espessa para esconder um rosto triste.
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Em silêncio, conservava o tempo certo aos gritos de paixão.
--
A médica me curou de todos os males com um sorriso.
--
Outrora, distantes mas próximos. Agora, próximos mas distantes.
--
É amor. Sem condições, sem números, sem par.
--
Seu prazer em vê-la só não é maior que o prazer em senti-la.
--

Fábio Pedro Racoski

sábado, 4 de agosto de 2012

Minha alegria

minha alegria
é ter liberdade
para ser
eu mesmo
porque
sou louco.

minha alegria
é poder chorar
sem culpa
as minhas dores,
as nossas dores,
porque sou
melancólico.

minha alegria
é ver um sorriso
em teu rosto
e fazer teu riso
com meu jeito
jocoso.

Fábio Pedro Racoski