sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Na verdade eu queria

Eu falei que não foi nada,
que não ligo, tudo bem.
Eu te disse que entendia,
que desculpo, sem desdém.

Eu beijei a sua testa
em sinal de compreensão.
Eu entrei na sua festa
sem chamar sua atenção.

Mas na verdade eu queria
te mandar tomar no cu.
Mas na verdade eu queria
te mandar tomar no cu.

Eu te disse que te amo,
que entendo sua revolta.
Eu sorri timidamente
quando você disse: "volta".

Eu corri para os seus braços
quando quis te machucar
e entre beijos e abraços
esqueci o que ia falar...

Que na verdade eu queria
te mandar tomar no cu.
Tudo o que eu mais queria:
te mandar tomar no cu.

Se eu não disse, foi apenas
pra que hoje a gente possa
ter uma noite de sexo
e despencar nessa fossa.

Cesar Miller de Almeida

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Resgate

quanto te encontras
contigo mesmo
graças à voz do anjo
disfarçado de bela moça
que te resgatas
do teu calabouço,
aí percebes
que a vida
é tão bela
quanto ela.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

#microcontos

De tanto querer agradar os outros, nada lhe agradava.
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Seus olhos fechados para o mundo só enxergavam o semblante daquela paixão não vista.
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Em passos incertos encontrou o abraço certo.
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A dois, vivia meia vida.
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Sua segurança era perder o chão com ela.
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Entre tantos seres e tantos espaços, a consciência escolheu ser humana.
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Não tinha medo das gentes. Temia ser gente no meio da gente.
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Escondia tanto sua beleza que todos podiam vê-la, menos ele.
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Era um verme, a devorar sua própria felicidade.
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Não suportava mais carregar o peso de sua solidão, e ninguém era leve o bastante para ajudá-lo.
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Seus olhos a seguiam enquanto seu coração se ofuscava.
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Debaixo dos cachos negros, uma beleza em síntese.
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O âmbar dos seus olhos a natureza não consegue refletir em valor e beleza.
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Sua aula mais valiosa foi ministrada por um professor chamado Solidão.
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É tão adorável que seu riso me faz voar.
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Não sabia ser-se e, por isso, não sabia dar-se.
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Entre luzes, sons e bebidas, uma festa de palavras.
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Em seu corpo pequeno, toda a inestimável beleza do ser.
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Doa-se para restauração um coração abandonado e empoeirado.
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O tempo age inversamente de acordo com as nossas vontades.
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Quanto mais pessoas ao seu redor, mais sozinho se sentia.
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E aquela sensação de envelhecer sem ainda ter crescido.
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Quando ela diz: "em que posso servi-lo?", meu pensamento sussurra: "eu é que quero ser seu servo".
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Que energia é essa em teu olhar que faz parar o tempo?
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Todo dia é fim do mundo para eles, e todo amanhã é um mundo novo.
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De tanto ser humano, esqueceu-se de ser deus.
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Todas as vozes cantavam por amor em seu coral de si mesmo.
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E somos nós, sempre nós, os culpados por não ter culpa de nada.
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Uma cerveja bem amarga pra tirar essa amargura do peito.
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Ele sentava-se sozinho numa mesa para quatro, pois sua solidão ocupava todos os lugares.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Uma hora

uma hora
pra explodir o mundo
uma hora
pra esquecer quem sou
uma hora
pra lembrar que sou
uma hora
pra falar do que vivi
uma hora
pra gritar ainda que sem voz
uma hora
pra sentir você
e me sentir
uma hora
pra querer mais uma hora
pra deixar no corpo
e na memória
o gosto saboroso
da sua beleza
tão sutilmente
conquistadora.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

#microcontos

Seu sorriso é um sol, e eu como um girassol vivo por ele.
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Um abraço, um beijo, um momento eterno.
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Como um palhaço em busca de um sorriso, eu corro atrás do seu amor.
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Tão bela que chamava atenção até mesmo na noite mais escura.

Diogo Hilário

domingo, 2 de dezembro de 2012

Nossos dias

tua vida,
minha sorte.
teu suspiro,
minha morte.

tua paz,
minha luta.
o teu fruto,
minha fruta.

nossa vida
é bem mais
que um somar
de dois ais.

Fábio Pedro Racoski

Hoje é um bom dia

hoje é um bom dia
pra deixar de ser
eu mesmo
em pranto.

hoje é um bom dia
pra cair na rua
e jogar-se
na própria solidão.

hoje é um bom dia
pra estar vivo
apenas por desejar
a doce morte.

Fábio Pedro Racoski

Melancolia

meus medos
macabros
minha música
magistral
meu mal
magnânimo
minha musa
movendo-se
meu menos
meu mais
minha morte
maestra
melancolia

Fábio Pedro Racoski

sábado, 24 de novembro de 2012

Tenho inveja

tenho inveja do seu espelho
que pode ver você todos os dias
e ainda guardar sua beleza nele.
tenho inveja da sua escova
que pode acariciar seus cabelos
e ficar presa em sua mão.
tenho inveja das suas palavras
que podem provar sua boca
e irradiam sua doçura.
tenho inveja da sua roupa
que pode envolver seu corpo
e ser um pouco você.
tenho inveja da sua comida,
o alimento do seu corpo
e a delícia do seu paladar.
tenho inveja dos seus bichos
que podem pedir carinho
sem medo do ridículo.
tenho inveja das suas mãos
que podem acariciar seu corpo
enquanto passam o creme.
tenho inveja da sua voz
que pode cantar um pouco
do que você sente.
tenho inveja dos seus pais
que podem dizer "eu amo você"
sem medo de se entregar.
tenho inveja da sua rua
que pode ser pisada
quando você quiser.
tenho inveja do seu sorriso
que pode encantar qualquer ser
que tenha sentimentos.
tenho inveja do seu emprego
que pode provar da sua dedicação
e acompanhar sua presença.
tenho inveja dos seus amigos
que podem rir com você
e amar a liberdade dos seus abraços.
tenho inveja dos seus sonhos
que podem encher de cores
sua beleza tão colorida.
tenho inveja de quem você odeia,
porque eles ocupam alguns minutos
do seu pensamento.
tenho inveja de quem você ama,
e acho que não preciso dizer
por que...
tenho inveja de você
que tem o privilégio de sentir
como é ser uma pessoa tão linda.
tenho inveja de mim,
que tem o privilégio de amar
a pessoa mais linda que existe
na minha vida.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

#microcontos

#microconto A beleza da minha amizade é ver o bem que ela faz para nós dois.

#microconto Se eu não fosse louco o bastante, não teria voado quando perdi o chão.

#microconto Amava-o, mas os fortes braços do seu orgulho a arrasatavam para longe dele.

#microconto De tudo exigir e nada se entregar, tudo o que teve foi nada.

#microconto Eles se queriam, mas estavam ambos em um relacionamento sério com seus egos.

#microconto Portava-se como deusa e, assim, sofria por não receber sentimentos humanos.

#microconto Não há ouro nem pedra tão preciosa quanto ela em todas as Minas Gerais.

#microconto Cada detalhe de seu rosto é um brilho que ilumina meu dia.

#microconto Sinto-me um vampiro quando vejo seu pescoço e seus ombros descobertos.

#microconto Dance-me, bailarina da paixão.

Fábio Pedro Racoski

Sentindo você

eu sinto sua dor
porque ela é
também
minha dor.

e não é minha dor
porque os deuses
e os espíritos
colaram nossas almas.

é minha dor
porque cada palavra sua,
cada gesto seu,
cada sentimento,
cada hora de sono e de correria,
é parte da minha vida,
é corpo da nossa amizade.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 18 de novembro de 2012

Braços e abraços

na maior das distâncias
nasce uma amizade
ao redor de tantas mágoas
sobrevive um sentimento
do qual ambos se contentam,
apenas na felicidade
de dividir suas dores.

e quando quase caí
você me segurou
e nem percebemos
que um segurava o outro.

naquelas tardes tristes
e calorosas de verão
das quais todas as nossas mágoas
empalideciam nossos corações
nos erguemos livremente
abrindo nossos braço
um para o outro
na esperança de nos salvar.

e a amizade grita sua revolução
vencendo distâncias
derrubando tristezas
derramando lágrimas
e erguendo sorrisos.

Luana Magmor
e Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Me explica, meu bem

me explica, meu bem,
por que quero bem
teu corpo e tua voz?
me explica, amor,
por que essa dor
se estamos a sós?

me diga, paixão,
que a tua razão
não cabe em meu ser.
assim eu entendo
que o peito dizendo
"te amo" é pra valer.

me diga, meu bem,
que também quer bem
meu corpo, minha voz.
te explico, amor
que se sinto dor
é de estarmos sós.

que diga a paixão:
"o seu coração
é livre pra amar".
e na liberdade,
a felicidade
de querer ficar.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A lua anda

a lua anda
a invadir
meus sonhos.

a lua anda
a roubar
minha atenção.

a lua anda
a arranhar
meus desejos.

a lua anda
a conquistar
meu coração.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Detalhadamente

cada sorriso,
cada olhar tímido,
cada gesto com a mão,
cada vez que você ajeita o cabelo,
cada respiração,
cada silêncio...
sua mão apoiando o rosto,
suas mãos ajeitando os óculos,
cada vez que você coça o pescoço...

tudo isso
está guardado
em detalhes
na minha memória.

pois não seria eu
apaixonado
se eu não tivesse
sua imagem
colada em mim
o tempo todo.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 11 de novembro de 2012

Além

além de tantos caminhos,
além de tantas distâncias,
além de tanto silêncio,
além do choro no espelho,
além da minha solidão,
encontrei em você
a amizade
que eu não sabia
que existia
nesse mundo.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Seu louco

sou louco o bastante
pra te ser eu mesmo.
sou louco o bastante
pra te fazer rir.
sou louco o bastante
pra passar um batom
e ser você.
sou louco o bastante
pra ser dois
só por você.
sou louco o bastante
pra te amar num abraço
procurando um beijo seu.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Meu presente

meu presente
é seu presente,
estar presente
mesmo ausente.
tão latente
o que se sente
no coração
essa emoção:
eternidade
nossa amizade.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

O melhor dia do ano: hoje. Nem o ontem, nem o amanhã. Hoje, apenas.

Danielle Pessoa

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Koi no yokan

nossas primeiras palavras,
seu sorriso do outro lado
e eu percebi em instantes:
coração apaixonado.

koi no yokan!
koi no yokan!

cada dia eu lhe esperava
e os dias foram passando.
na memória, sua presença
cada vez mais te admirando.

koi no yokan!
koi no yokan!

percebi que não sonhei
veja só! você é real!
desde o começo sentia
esse amor atemporal.

koi no yokan!
koi no yokan!

nos seus olhos de menina
vejo a luz da sua beleza
que me encanta no sorriso,
nas palavras, na pureza.

koi no yokan!
koi no yokan!

quando o tempo não tem régua,
quando o longe não tem vez,
meu amor nasceu assim:
num instante se refez.

koi no yokan!
koi no yokan!

e aqui estou, minha amada,
seu amigo confidente,
seu abraço sem ter pressa,
conquistador persistente.

koi no yokan!
koi no yokan!

Fábio Pedro Racoski

*Koi no yokan (恋の予感): japonês. "Premonição de amor". A sensação, após conhecer alguém, de que você irá se apaixonar por aquela pessoa. http://www.facebook.com/photo.php?fbid=419298374791769&set=a.332446146810326.87175.332024510185823&type=1&relevant_count=1

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Vem

vem
e me acompanha
vem
e me deixa contigo
vem
e conhece meus medos
vem
e vê meu fracasso
vem
e sente meus sonhos
vem
e lê meus olhos
vem
e toca minha história
vem
e me ensina a ser eu
vem
e vê meu presente
que contigo presente
é mais leve,
mais calmo,
menos derrotado.

Fábio Pedro Racoski

Presença

quando ouço
sua voz,
quando vejo
sua imagem,
quando penso
em seu corpo,
quando imagino
seu beijo,
quando desejo
o seu desejo,
é nessa hora
que eu me sinto
mais perto
de você.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 3 de novembro de 2012

Sua arte

seu jeito
de mulher
me fazendo
suspirar...
sua música
de menina
me fazendo
sonhar...
seus olhos
de luz
me fazendo
enxergar...
sua boca
de poema
me fazendo
te versejar...

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

#microconto

Nunca um coletivo esteve tão particularmente belo.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Fotografando

cada sorriso seu,
cada olhar,
cada vez que você
fica sem jeito
com meus elogios
(suas verdades)...

tudo isso
fica na minha
memória
como fotografia
que nunca
se apaga.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 28 de outubro de 2012

Ela tem

ela tem
olhos de noite boa.
ela tem
sorriso de bom dia sem fim.
ela tem
bochechas de manhã aconchegante.
ela tem
jeito de tarde alegre.

ela tem
meu pensamento
todas as manhãs,
todas as tardes,
todas as noites,
todos os dias.

ela tem,
ela é.

Fábio Pedro Racoski

Só peço

me venda,
me compre,
me xingue,
me corte,
me roube,
me derrube.

só peço,
por favor,
que não faça
pouco
dos meus
sentimentos.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Teu rosto é um poema

ficar te olhando,
em silêncio,
é como ler
um livro
tão bom
que não quero
parar de ler
nunca mais.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Para Emily, uma amiga



esses olhos
tão brilhantes
e esse sorriso
tão sincero
chegam ao coração
carregados
de amizade
e da sabedoria
de escrever e ler
a vida, as dores
e os amores,
conquistando
meu abraço
e minha eterna
companhia.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 23 de outubro de 2012

#microcontos

Só teu... Sou teu... Saíste... Soltaste... Sofremos... Solteiro...
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Sua presença é tão forte que já não sei mais o que é sonho e o que é distância.
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Ela tem a combinação perfeita de beleza e humor.
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"Vem, discorda de mim, diz que estou enganada!", dizia ela com os olhos enquanto o mandava embora.
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Esse lugar ficou mais agradável de repente ou simplesmente eu que encontrei em você belos motivos para estar aqui?
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Encontram, um no outro, a arte de ser livre, o engenho de amar.
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O tratamento para seu mal começou com um abraço.
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Ela, tão menina, quis brincar com o que não era brinquedo: o coração dele.
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Ele, tão menino, quis correr com o coração mais rápido que as pernas e tropeçou na ilusão.
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Ele vive melhor perto dela, é onde seu mundo fica mais bonito.
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Quando te vi, me arrisquei a ser feliz. E por isso vim me apresentar dizendo: quer arriscar essa felicidade comigo?
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Não, não quero você. Quero ser seu motivo para sorrir e amar.
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Ela habita uma ilha chamada Meu Coração.
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E juntos, num abraço em lágrimas, encontraram um novo sentido para a palavra "bobo".
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Quero escrever minha história com os teus sorrisos e as tuas lágrimas.
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Vem comigo, porque quero escrever as páginas mais belas no livro da tua e da minha vida.
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Meu amor me faz vencer as barreiras do espaço e do tempo para despertar-te num beijo.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 21 de outubro de 2012

Nosso encontro

mundo invejoso
esse que me arrasta
para além de lá
de onde eu quero
pra sempre ficar
com você
aconchegado
num abraço
e perdido
no encontro
do seu beijo.

que me valha
o tempo!

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Aqueles olhos pretos

aqueles olhos pretos
compraram minha atenção
tomaram meus pensamentos
pintaram de noite
meus dias de sonhos.

aqueles olhos pretos
roubaram meu coração
raptaram meus versos
iluminaram
meus dias sem luz.

aqueles olhos pretos
que por si só são belos
são janelas da beleza.
a beleza que vejo
e que sinto
em você.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 13 de outubro de 2012

Belezas

gosto de te ouvir falar,
gritar, cantar...
gosto de te ler em prosa,
em verso...
gosto de te ver sorrindo,
tímida...
simplesmente gosto
de sentir
todas as suas
belezas.

Fábio Pedro Racoski

Não se conta

ela é a soma exata
e incalculável
dos valores
mais altos
da paixão,
do amor
e da beleza
de ser
quem é,
para a inveja
de quem não ama
e o encanto
em quem sabe amar.

Fábio Pedro Racoski

Aos teus olhos

desce do céu a estrela
mais linda, e vem brilhar
fazendo-me querê-la,
fazendo suspirar
o poeta sem lar.

sobe aos céus meu encanto
e em meus versos eu canto
maravilha que vi
e que reside em ti.

como desejo ver
teus olhos todo dia...
contigo envelhecer
em amor e alegria
além-melancolia.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Minha amizade

minha amizade
independe
da sua distância.

minha amizade
independe
do seu humor.

minha amizade
independe
do seu penteado.

minha amizade
independe
do seu estado civil.

minha amizade
apenas espera
com carinho
por sua amizade.

nada mais.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 6 de outubro de 2012

Renascença

ela aparece
e, mesmo sem ver,
arruma todo
um coração
remendado
e consertado
no concerto
de sua música
de musa.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Encontrando

o pensamento vai
aonde o corpo
e a alma
desejam se encontrar
num espaço
além do passo
além de mim
no meu eu
que lá está.

Fábio Pedro Racoski

Quanto tempo mais?

quanto tempo mais
você vai gritar
pra não ser ouvido?

quanto tempo mais
você vai brigar
pra fugir da luta?

quanto tempo mais
você vai chorar
pra não sofrer?

quanto tempo mais
você vai matar
pra não viver?

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

#microcontos

Pintava o rosto com um sorriso barato comprado na esquina.
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O palhaço foi notado na rua ao sair de casa sem maquiagem.
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Desejava ser, lá no céu, uma estrela apagada mas que ainda brilha.
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A rua se fez avenida quando ela passou.
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Olhando para o céu, suas lágrimas demoravam mais para se desfazerem no chão.
----
Tudo o que ele queria, naquele instante, era esconder seu rosto triste debaixo de um riso cantado.
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Aquele olhar indireto acertou em cheio seu coração.
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Lembrou-se de quando era uma criança e podia chorar de medo. Invejou aquele tempo passado.
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Ele quis sê-la, mas esqueceu quem era.
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Se me abraçares, terei todo um mundo de belezas e alegrias entre meus braços.
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Se eu te faço rir quando estou triste, é porque teu riso é minha paz.
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Na escola eu aprendi a escrever versos. Ao te ver eu aprendi o que é poesia.
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Eu me pergunto como poderia saber o que é amor antes de conhecer-te.
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Permita-me conhecer-lhe, pois tamanha formosura em sorriso e porte devem abrigar uma linda pessoa.
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Menina, brinca comigo a brincadeira de ser feliz?
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Não diga que são meus olhos, porque eu os fecho e você continua linda.
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Não me queira sério, porque seu amor me faz ser alegre.
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Duas pessoas. Um amor. Duas vidas transbordando-se.
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Eu vi dois velhinhos lindos, apaixonados. Sonhei com o futuro que te proponho agora.
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Mais do que querer-te, quero nossas mãos dadas para transbordarmos amor a quem queremos bem.
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Viu a moça mais linda passando ali na rua? Não? Ah, desculpe-me, não há espelhos aqui.
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Amor a dois, com dez amigos a defendê-lo.
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Olhando nos olhos dele, ela dizia: "segura minha mão, menino bonito, porque eu preciso manter os pés no chão e ficar contigo".
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Ei, menina, deixa eu segurar na tua mão pra ter uma ideia de como seria minha vida se meu sonho se tornasse real?
----
Desejavam morrer como nasceram um para o outro: de mãos dadas, num beijo sem tempo. E morriam assim, todos os dias.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Formosa poesia

eis que surge
em uma morena
a síntese
de toda a beleza
que minha pobre poética
é incapaz de descrever
com maestria.

anda, na dança do seu corpo,
a carregar de paixão
o mundo,
em sorriso de cantiga,
em pele de sonata,
em corpo de soneto,
a musa que causa inveja
até mesmo nas deusas.

na métrica impecável
convive com o pecado
de não ouvir
todos os dias
o quanto é bela.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A gente

a gente se pertence,
a gente se protege,
a gente se fortalece,
a gente se conhece
tanto, tanto,
que quando a gente briga
a gente sofre,
quando a gente chora
a gente abraça,
e quando a gente se ama
a gente se entrega
até não saber mais
o que é gente
e o que é paixão divina.

Fábio Pedro Racoski

Maestra

na arte de ser paixão
ela tem engenho incomparável.
na universidade de ser bela
ela é livre docente.
na música de encantar
ela é virtuosíssima.
na beleza desse mundo
ela é todo um universo.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um palhaço

disfarço lágrimas
com cebolas.
difarço choro
com riso.
disfarço tristeza
te alegrando.
disfarço vontade de morrer
cantando desafinado.

disfarço
meu coração partido
com a maquiagem
no meu rosto frio
e sem esperança.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 16 de setembro de 2012

Deus (ou não)

o homem dá a deus
uma existência.
uns fazem dela mote,
outros fazem
desistência.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A vida, menina

A vida é bela, menina,
de uma beleza tão ímpar,
tão rara
e tão discreta
que é difícil de ser percebida
assim, de uma hora pra outra.

A vida é dura, menina,
tão dura e,
ao mesmo tempo,
tão leve,
que é difícil sustentar
essa leveza sobre os ombros.

A vida é sentir, menina,
um dia tristeza,
no outro também,
uma vontade
de morrer...
Mas o desejo ainda maior
de estar com você
num abraço
sem limite,
sem espaço,
sem medos.

A vida, minha menina,
minha amiga,
pode ser tão bela
quanto você
e tão forte
quanto nossa
amizade.

Porque duas pessoas
de braços dados
podem muito mais
do que qualquer dor
nesse mundo.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 9 de setembro de 2012

A luta

de todos
os desafios
o maior
é lutar
contra o tempo.

de todas
as vitórias
a maior
é perder-se
para encontrar-se.

de todas
as aventuras
a maior
é ousar ser
eu mesmo.

Fábio Pedro Racoski

Sou teu, morena

Sou teu abraço, morena.
O aconchego teu, eterno,
sou tua manhã de inverno
em plena noite serena.

Sou teu repouso, morena.
Sou o teu porto seguro,
guardião desse amor, tão puro,
tua paixão em calma plena.

Sou teu amigo, menina.
Quero-te livre e aqui,
com toda a beleza em ti,
tão natural, genuína.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Verdadeiros encontros

Verdadeiros encontros acontecem entre inteiros que acrescentam um ao outro e, às vezes, 'transbordam-se'. Não entre metades que se completam, apenas.

Vanessa Massacessi

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Monalisa

eis que surge,
à meia-luz,
uma nova Monalisa
que faz a memória
de Da Vinci
ter inveja
de não criá-la.

Monalisa morena,
Monalisa majestosa,
Monalisa mulher,
de sorriso encantador
e enigma em forma
de corpo.

eis que surge,
à minha frente,
uma nova Monalisa,
a quem me entrego
para fazê-la
sentir-se
desvendada.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 26 de agosto de 2012

Não vou mais

não vou mais
cantar
as mesmas canções.
não vou mais
recitar
os mesmos versos.
não vou mais
escrever
as mesmas cartas.
não vou mais
cometer
os mesmos erros.

com ela, vou
cantá-la,
recitá-la,
escrevê-la,
errar-me,
perder-me,
para acertar
seu coração
e encontrá-la.

Fábio Pedro Racoski

#microcuento

Él está al lado de ella con el deseo de estar también dentro de su corazón.

Fábio Pedro Racoski y
Mauricio Villacrez

Microcontos

Ninguém conseguia vê-lo, porque estava preso nos muros que ele mesmo ergueu.
--
Ninguém enxergava tão profundamente para poder ver sua beleza.
--
Sabia que não era um verme, mas a cidade insistia em enganar seu coração.
--
Ele experimentou sua maior dor quando tentou amputar a solidão de si, em vão.
--
Ela se embriagava do desejo dele.
--
Ele é o tamanho certo para vesti-la.
--
Depois de toda nossa trovoada, a chuva sobre nós.
--
Da ocasião, fizeram seu eterno momento de fogo ardendo, de dentro para fora.
--
Amam-se sob a proteção do anjo guardião de suas paixões.
--
Sob a luz dos seus olhos, uma paixão em fogo aceso.
--
Seus lábios se expressam sem palavras.
--
A paixão a arranhou mais forte que o roçar no seu pescoço.
--
A chuva molhava seus corpos enquanto as lágrimas buscavam os beijos um do outro.
--
Buscou a si mesmo. Encontrou-se. E, assim, passou a sentir a paixão dela.
--
Ao fechar os olhos e ouvir sua voz de lágrimas e desejos, ela o sentiu dentro de si.

Fábio Pedro Racoski

#microcuento

La vida... La supe contigo, ahora no la siento sin ti.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ela, ela, ela

ela, de tantos olhares,
ela, de tantas cores,
ela, de tantos sorrisos
sempre presentes
em meus sonhos,
em meus sabores.

ela, menina ao sonhar,
ela, mulher ao viver,
ela, dona de mim,
surpreendente
em sua beleza
de poesia diária.

ela, dona dos meus nós,
a quem quero me amarrar,
me prender
pra me soltar
da prisão chamada
solidão.

ela... ela... ela...

Fábio Pedro Racoski

domingo, 19 de agosto de 2012

O menino perdido

Era uma vez um menino perdido.

O menino perdido tinha sonhos. Adorava voar em suas asas de imaginação. Tanto que se esquecia de voltar à terra e se perdia da realidade. Lá sentia-se seguro, porque não precisava ser ele. Lá, sentia-se livre, porque não havia ninguém para rejeitá-lo nem humilhá-lo novament. Lá, sentia-se, porque não precisava sentir. Nem ser.

Mas o menino perdido teve que crescer. Rosto de homem, tempo de homem, mas continuava sendo um menino perdido. Não queria encarar os sentimentos de homem, tinha medo: desejava continuar voando em suas gastas asas de não-realidade.

Mas o menino perdido tornou-se homem, mesmo assim. E, como homem, apaixonou-se.

Quis levar sua primeira paixão para seu desmundo de sonhos. E sua paixão o quis como outro ser. "Minha Dulcineia é tão linda! Como a amo!", exclamava ao longe, enquanto construía um muro para que ela não chegasse perto. Machucou-a. Machucou-se ao derrubar-se no muro. Quis cortar as asas em pleno voo e acabar com tudo aquilo.

Mas o homem continuou. Seguiu. Encontrou sua segunda paixão. Dessa vez, quis aventurar-se na realidade. Mostrou a ela suas cicatrizes de horas de voo nas trevas da tristeza e do pesadelo. Sentiu um calor no peito como nunca havia experimentado. "Eu a quero! Eu sou dela!", dizia a si mesmo, enquanto se despia, aos poucos, dos tão constantes e confidentes medos que o acompanhavam desde sempre: a insegurança, o medo de ser rejeitado, o pavor de cativar.

Mas o homem ainda era menino. Um menino perdido. Inseguro, medroso, autodepreciativo. Sua falta de confiança o encarcerou em silêncio e, como ela tamém silenciou-se, sentiu novamente tudo aquilo que o afastava do mundo real. Mas agora o menino não tem mais asas. Não pode alçar voos para a imaginação. Apesar de assustador, quer os amores do mundo real. Mas não encontra mais sua estrada. O menino está, de fato, perdido.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

#microcontos

Eram, entre eles, fogo intenso, sem contar números.
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Faziam ménage-à-trois: ele, ela, e seus prazeres transbordantes.
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O menino perdido cresceu. Fez-se homem. Apaixonou-se. Mas ainda é um menino perdido, e perdeu-se de si.
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Olhava para ela e dizia com os olhos: "faça-me voar, anjo, porque eu cortei as minhas asas".
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O lutador preferia os gigantes aos moinhos.
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Ele custava a acreditar que ela, tão linda, tão livre, não alçava voos e escolhia ficar ali, do seu lado.
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Eles se cuidavam assim como guardavam seus corações dentro do peito.
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O frio que não sentia no corpo, sentia na alma.
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Descobriu, com a multidão, que sua sina é ser sozinho.
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Ninguém o queria. Porque qualquer querer era barrado em suas muralhas de medos.
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Muitos o elogiavam ao longe, mas ninguém o sentia de perto.
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Seu querer não tinha idade, mas acumulava tempos.
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Ele queria estar longe de si mesmo, para que ela não visse suas feridas.
---
Sua paixão era desmedida, mas cabia inteira dentro dela.
---
"Vá", ela dizia, pois queria que partisse para tê-lo enfim.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 14 de agosto de 2012

#microconto

O frio que cresceu no vazio que você deixou me fez inverno de dentro pra fora.

A Ruiva Diz

Me deixa

me deixa te encontrar
em coisas belas.
te ver a me olhar
em todas elas.

manter tua miragem,
meu encanto,
depois de esgotado
todo pranto
de amor a se perder
pelo caminho.

A Ruiva Diz

Complexo

Sou uma coletânea
de reações previsíveis,
frases feitas,
amores imaginários
e finais óbvios.

Sou um amontoado
de insanidades
racionais,
comedidas
e previsíveis.

Sou razão
sem loucura,
sou vida
sem cor.

A Ruiva diz e
Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

#microcontos

Teve-o. Mas não o queria como ele era e, por isso, o perdeu.
-
Tomando um café quente numa padaria, encontrou-se com seu olhar em ebulição.
-
Apertava seu corpo com abraços, beijos e sussurros.
-
Não conseguia convencer-se de que era apaixonante e, assim, temia a paixão.
-
Doa-se um coração. Tratar com carinho.
-
O tempo parou. O instante permaneceu. Tudo o que precisava existir estava em seus braços, num abraço.
-
Vende-se um sorriso. Preço: um abraço.
-
As lágrimas aproximavam suas alegrias.
-
De todos seus desafios, o mais difícil era (con)vencer-se.
-
Ele só queria alguém que o sentisse.
-
Vestiu-se de nudez para esconder-se.
-
Tamanha era sua força que a prendeu entre leves toques e sussurros.
-
Nos olhos de um cão, encontrou sua humanidade.

Fábio Pedro Racoski

Elas, belas

sou sua, minha bela.
e sei que você é minha.
porque somos,
porque vencemos
porque semeamos
em nós
um amor
que causa inveja.

meu beijo é seu,
minha bela.
e meus lábios
de moça bonita
e apaixonada
são seus,
porque nos queremos
sem medida,
sem temores,
de mãos dadas.

somos nossas,
e somos livres
para nós
em nosso amor.
um amor
sem palavras.
um amor
que vence,
que não desiste,
que é, enfim,
vida.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Quilômetros

ironicamente,
o meu perto
está distante
e para lá
me levo
em versos,
de braços
abertos
e em abraços
eternos
com você.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Eletropsicografia

O poeta é um sofredor.
Sofre a dor completamente
e chega a sorrir com dor
um sorriso displicente.

E os que leem o que é sangrado
nestes versos de sentir
chegam a crer que é sagrado
este peito a se partir.

E assim, eletricamente
corre, a fugir de ser são,
o bicho de dor latente,
louco, guardião da razão.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Desmundos

Ela queria um herói,
ele queria vencê-la.
Ela não quis o que dói,
ele temeu por não tê-la.

Ela queria criá-lo
do barro de seu ser só.
Ele não queria abalo,
sentia-se em triste dó.

Só queriam-se moldados
e seus seres rejeitavam
em olhares machucados.

Não queriam-se, amavam
o não-amor de seus fados.
Seu amargo cultivavam.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 5 de agosto de 2012

Adolescente

acho que um amor
acorrentado
nunca será parte
de mim.

acho que namoros
duradouros
não serão do meu
feitio.

acho que não farei
novos amigos
e terei os atuais
para sempre.

acho que não vou
me apaixonar
perdidamente
nem esquecer
quem sou.

acho que não vou
machucar
nem ser machucado
por alguém
que amo.

acho que não existe
felicidade
muito menos
liberdade de ser
quem sou.

acho que eu serei
sempre são
e nunca
ousarei ser
louco.

acho que não vou
me embriagar
nem fazer
coisas que não se deve
fazer.

acho que não vou
perder a fé.

acho que vou viver
de alegrias,
sem mágoas,
sem ilusões,
sem choro.

mas sei que eu vou
aprender muito
sobre a vida.

Fábio Pedro Racoski

#microcontos

Não buscava ser feliz. Apenas queria viver sua vida melancólica e louca com tranquilidade.
--
Optou buscar a liberdade ao invés da felicidade.
--
Uma barba bem espessa para esconder um rosto triste.
--
Em silêncio, conservava o tempo certo aos gritos de paixão.
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A médica me curou de todos os males com um sorriso.
--
Outrora, distantes mas próximos. Agora, próximos mas distantes.
--
É amor. Sem condições, sem números, sem par.
--
Seu prazer em vê-la só não é maior que o prazer em senti-la.
--

Fábio Pedro Racoski

sábado, 4 de agosto de 2012

Minha alegria

minha alegria
é ter liberdade
para ser
eu mesmo
porque
sou louco.

minha alegria
é poder chorar
sem culpa
as minhas dores,
as nossas dores,
porque sou
melancólico.

minha alegria
é ver um sorriso
em teu rosto
e fazer teu riso
com meu jeito
jocoso.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 29 de julho de 2012

Sinto-me como

sinto-me como
um amontoado
de loucura
e melancolia
a provocar
as pessoas.

sinto-me como
um conjunto
de neurônios
e demais
células
que não sabem
cativar almas.

sinto-me como
uma salada
de dessabores
repleta
de temperos
insossos
que tiram o gosto
da vida.

sinto-me como
não me sinto.

não quero sentir.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Debaixo daquela barba

debaixo daquela barba,
séculos de segundos.
debaixo daquela barba,
melancolia sorridente.
debaixo daquela barba,
amor pelos poros.
debaixo daquela barba,
uma beleza sincera.
debaixo daquela barba,
o arrepio ao pensar
na paixão.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Direito de viver a própria vida


Cristãos e outros religiosos condenam o homossexualismo sob o pretexto de "não ser natural" (uma inverdade) ou porque "deus não abençoa". Se deus existe, ele é amor, não? E, como disse o filósofo Agostinho, "amor não tem medida". Se não tem medida, não tem gênero.

Por causa da ditadura ideológica/filosófica/política/sexual do Cristianismo (cito apenas os cristãos porque é a realidade que conheço bem), milhões de pessoas vivem vidas inteiras em pedaços, com o peso da culpa e se sentindo sujas, más, "pecadoras". "Masturbar-se é pecado", "sexo anal/oral é pecado", "não crer em deus é pecado", "ser homossexual é pecado"... Essas palavras ecoam com muita dor no inconsciente. Sei disso por experiência própria, mesmo não sendo homossexual.

Então, é muito bonito, e emocionante, ver as fotos dessa notícia no link abaixo. Estes casais, que venceram tantos desafios, agora podendo ESFREGAR NA CARA DA SOCIEDADE o seu direito de viver a própria vida, com sua sexualidade, sendo felizes, infelizes, fiéis, infiéis, como pessoas comuns, que realmente são.

Quando a humanidade entender e sentir REALMENTE o que se resume na filosofia Ubuntu (uma pessoa é uma pessoa através das outras pessoas, "humanidade compartilhada"), aí sim, viveremos numa sociedade não utópica, mas comum.

http://www.buzzfeed.com/mjs538/what-has-happened-since-new-york-state-legalized-g

terça-feira, 24 de julho de 2012

Machuca

machucar um amigo
é ferir-se a ambos
de forma lenta
e dolorosa.

outro dia
magoei
uma grande amizade.
sentia meu corpo
e minha alma
sujos
e passei um dia inteiro
lavando-os
com lágrimas.

minha alma dói
por ter machucado
sua alma
e só não tive
vontade de morrer
porque também
sou você.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 22 de julho de 2012

Humanos

lá vai o ser humano
pela rua do passado,
conquistando memórias,
destruindo lembranças,
reconstruindo fatos.

lá vem o ser humano
pela rua do presente,
prometendo reformas,
repetindo erros,
reescrevendo acertos,
vivendo.

corre o ser humano
pela rua do futuro,
buscando espaço
no espaço
para o espaço
que não mais encontra
neste espaço.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 21 de julho de 2012

#microconto

Na saída da escola, depois da aula, tinha sua mais prazerosa lição.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cada

cada verso,
universo.
cada canto,
teu encanto.
cada passo,
nosso abraço.
cada gesto,
manifesto.
cada sim,
tu em mim.
cada dor,
nosso amor.
cada mão,
a paixão.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 19 de julho de 2012

‪#microconto‬

Durante, todas as palavras ditas pelo corpo. Depois, palavras ditas em silêncio.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 18 de julho de 2012

#microconto

Para cada pelo de sua barba, um desejo de sua paixão.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ela queria um amor fabricado mas ele, felizmente, não cumpriu com as metas de produção.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 15 de julho de 2012

Meu teu

meu ar
é teu suspiro.
meu chorar
é tua lágrima.
meu sorrir
é teu riso.
meu sentir
é teu êxtase.
meu querer
é teu desejo.
meu prazer
é teu prazer.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 14 de julho de 2012

#microcontos

Mesmo com a distância, seu pensamento e seu corpo estavam nela.
-*-
São fogo eterno que se apaga por instantes mas nunca acaba.
-*-
Podem sentir o calor um do outro, mesmo a quilômetros de distância.
-*-
Seu prazer era o prazer dela estampado no rosto.
-*-
O que fazem a sós nem mesmo os versos mais safados podem traduzir.
-*-
Ela o faz crescer. Em vários sentidos.
-*-
Não existe céu, não existe chão, não existe existir. Existimos apenas nós, neste momento.


Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Se eu

Se cheguei até aqui,
se eu abri meu coração,
se para ti me despi
de corpo, alma e razão...

Se eu surgi sem maquiagem,
se eu venci as tuas barreiras,
se não sou a personagem
e estou de paixões inteiras...

Se beijei as tuas virtudes,
se a mim tu és perfeito,
se amei tuas atitudes
de menino-homem feito...

Se a ti me faço paixão
e a mim te fazes querer...
Se a ti dou meu coração
e dás a mim teu prazer...

É porque sou toda tua
e sei que tu és todo meu.
Nossa paixão de alma nua
é mais forte que este breu
da distância, noite escura.
Tem mais luz a nossa paz.
Nossa libido é tão pura,
que de tudo ela é capaz.

Ana Luiza Lem

terça-feira, 10 de julho de 2012

#microcuento

Tan pronto como la conexión caía sus cuerpos se enlazaban.

Fábio Pedro Racoski
y Mauricio Villacrez

#microconto

Enquanto a conexão caía, seus corpos se ligavam.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

As mãos guardam a memória de tudo que será vivido.

Fábio Pedro Racoski

Canina

seu afeto gratuito,
sua alegria impagável,
sua lealdade corajosa,
seus passos firmes,
seus pulos sujando
as minhas roupas,
toda sua
humanidade canina...

isso tudo vai ficar
pra sempre
na minha memória.
como uma luz
que nunca
se apaga.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 9 de julho de 2012

#microconto

Pensando nela, sentia seu próprio corpo vivo e cheio de desejo.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 7 de julho de 2012

#microconto

Encaixam-se naturalmente. Não precisam deformar-se para caber em molduras alheias.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Despiu-se para ela. Mostrou as suas cicatrizes, do corpo e da alma.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 6 de julho de 2012

#microconto

Ela, tão linda, me faz ver o quanto eu sou bonito.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ela é tão forte que me arrancou de dentro dos meus medos.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 5 de julho de 2012

#microconto

Gosto tanto dela que ela me faz gostar de mim mesmo.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

São ateus, mas o que fazem a sós é onisciente e onipotente.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ele é masculino o bastante para sê-la.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ele é o mel que a deixa mais doce.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Com uma mordida nos lábios, abocanhou todo seu coração.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Amadurecendo

estou vivendo
cada dia de uma vez,
cada passo no seu tempo,
cada medida certa
de revelar-me,
de querer-me,
de conhecer-me,
de saber
que sou real
no teu querer,
porque te quero,
porque te quero.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 3 de julho de 2012

#microconto

Entre lágrimas, se conheciam além das palavras.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

E, de repente, se viu submerso em paixão e prazer. Bendito afogamento!

Fábio Pedro Racoski

#microconto

A distância só fazia aumentar a vontade de se provarem.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Pensava em tudo, desde as palavras até os suores.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 2 de julho de 2012

#microconto

Não sou príncipe sapo. Beije-me e serei seu deus Priapo.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Os acenos com as mãos velavam os sinais dos corpos.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Nas suas mãos, a prova dos seus sabores.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Toda vez que ela aparece, ele revive uma vida a mais.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 1 de julho de 2012

#microconto

Vigiava seu sono enquanto alimentava seus desejos.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 30 de junho de 2012

#microconto

São tão apaixonados que se namoram num ritmo "fool-time".

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Sou eu sua medida certa de paixão desmedida.

Fábio Pedro Racoski

Pensamentos

pensamentos...
o som
do nosso silêncio
não é nada
perto da música
dos nossos corpos.

pensamentos...
as mãos
que acenam
são meros sinais
da vontade
do toque.

pensamentos...
os olhos
que se perdem
se encontrando
são uma amostra
do nosso prazer.

pensamentos...
nosso verso
é só a fumaça
desse fogo
de desejos
que nos queima.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Eles, a quilômetros um do outro, são duas bombas atômicas explodindo paixão.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 29 de junho de 2012

#microconto

Inauguraram, naquela cama, um restaurante com os mais variados prazeres.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Aquele sorriso

aquele sorriso
é tão luminoso
que viajou
na velocidade da luz
e iluminou minha
escuridão interna.

aquele sorriso
é tão lindo
que atravessou
um continente
embelezando
toda a paisagem.

aquele sorriso
é tão apaixonante
que explodiu
feito bomba atômica
e me incendiou
de paixão.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Versos de amor

Dediquei a você meus mais apaixonados
versos de amor.
Apenas para provar seu sexo
e satisfazer minhas vontades!

Dediquei a você meus mais sofisticados
sonetos amorosos.
Apenas para satisfazer meu ego
vendo seu olhar de encantada!

Dediquei a você meus mais sinceros
versos de desejo.
Porque o que eu tinha mesmo era desejo.
Apenas desejo.
E a necessidade de esvaziá-lo
com alguém!

Cesar Miller de Almeida

terça-feira, 26 de junho de 2012

#microconto

Encontrou a razão quando se perdeu em sua paixão.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Sóis diversos em um grito. Universos infinitos em um sussurro.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Faziam respiração boca-a-boca, um no outro, para suprir o ar que lhes faltava.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 25 de junho de 2012

#microconto

Largou as drogas ao viciar-se naquele suspiro arranhado em seu pescoço.

Fábio Pedro Racoski

Corporal

minha paixão
é bomba atômica:
arrasa, impregna
sua radiação
por quilômetros
e quilômetros.

meu desejo
é sol:
irradia calor
a corpos celestes
distantes e,
quanto mais perto,
mais forte.

meu querer
é luz:
nada o ultrapassa,
nada o para,
nada se compara.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 23 de junho de 2012

Misteriosa

o que aguarda
esse olhar?
o que esperam
esses braços?
o que deseja
essa boca?

todo um mistério atrás de
dois olhos pretos
e eu com a sede
do conhecer.

Fábio Pedro Racoski

Olvidarte (poema a dos manos)

Olvidarte, olvidarte,
¿cómo hacer para olvidarte?
¿Cómo borrar del alma
el silencio y la palabra?

La pasión transmitida
desde la soledad del otro
sigue siendo nuestra.

Olvidarte, olvidarte,
¿cómo lograr hacerlo?
¿Cómo soñar sin caer
de nuevo entre tus brazos?

Eternamente vivo, muero,
en el colapso eterno de ese instante…

Olvidarte, olvidarte,
no sé cómo ni cuándo…
Tal vez lo necesite;
tal vez ya no…

A veces te amé;
a veces te odié.
Pero aun te quiero:
no puedo olvidar que te quiero…

¿Y por qué no olvidarme de mí?
¡Ja! Ya no puedo olvidarme de nuevo…

Mauricio Villacrez
y Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Olvidarte

Olvidarte... Olvidarte...
¿Cómo olvidarte?
Cómo borrar del alma
nuestros silencios,
todas las palabras,
toda la pasión compartida
y transmitida
de uno a otro...

Olvidarte... Olvidarte...
¿Cómo lo hago?
Cómo cerrar mis ojos
sin que el sueño me lleve
hacia tus brazos
y allí hacerme eterno
muriendo al vivir
este instante...

Olvidarte... Olvidarte...
No sé como ni cuando.
Pero necesito.
A veces te amé,
a veces te odié...
Pero sé que te quise.
Cuánto quise...

Y por eso me olvidé
de ser yo.
Y olvidarme... ¡Bah!
Eso no lo puedo hacer
nuevamente.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 21 de junho de 2012

#microconto

E quando seu coração clamava por sua amada, sua razão gritava: "você não presta pra ela!".

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 20 de junho de 2012

#microcuento

Su Dulcinea no pasaba de una Aldonza.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Sua Dulcineia era apenas uma Aldonça.

Fábio Pedro Racoski

A personagem

a personagem
dança no palco
com seu andar
de poesia
e eu,
plateia cativa,
espio.

a personagem
canta no palco
com sua prosa
de anjos
e eu,
hipnotizado,
escuto.

a personagem
me envolve
e eu,
flutuando,
nem percebi
que estou
no palco.

Fábio Pedro Racoski

Você chegou

você chegou
junto da noite
e foi nas sombras
que se fez claro
o seu desejo.

você chegou
de mãos vazias,
trazendo toneladas
de paixão
numa só remessa.

você chegou
e me pegou
desprevenido.
por isso
fechei os olhos
pra ver
por inteiro.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 19 de junho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

domingo, 17 de junho de 2012

#microconto

Derreteu todo o gelo do seu coração com o calor no pescoço.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Soube de tudo. Mas não sentiu nada.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Prato da casa: amor servido com paixão ao molho de suor.

Fábio Pedro Racoski

Tu

Tu... Vem agora! Vem, rasga-me o peito.
Leva para ti esse coração
que agora não bate, não tem mais jeito.
É teu. Quero viver sem emoção.

Tu... Vai embora! Vai, mata-me assim,
de uma vez, sem dó, para não sofrermos.
Não me deves nada. Nada de mim.
Morramos e vivamos, eis os termos.

Ah... tu não foste nós, nem mesmo eu fui.
As lágrimas caem e o sangue flui.
Não choremos nós, pois, o que não houve.

De ilusão, basta o que se vê e se ouve.
Que o ressentimento nunca nos louve.
O frio aumenta, o pranto diminui.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Verme

eu me alimento
nas profundezas
da podridão humana.

eu me exercito
no chorume
do lixo humano.

eu sou um verme,
um verme humano,
agonizando
em estranhas,
novas e limpas
águas.

um verme imortal,
nascido há tempos,
sobrevivente
de guerras internas,
parasita de dores
e causador de males.

um verme sujo
ameaçado
pela limpa e clara luz
que ousa invadir
seu recinto.

saia daqui,
humanidade!

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Aos amigos

ali, aqui,
agora, além,
atemporal...
amigo.

assim, assaz,
abraço, alívio,
austeridade...
amigo.

alguém, amém,
anjo, avenida,
amor...
amigo.

amigo, amiga,
amados,
aliados,
alma.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Run boy, run

Parafraseando as Confissões,
de Santo Agostinho.
Livro Oitavo,
Capítulo XII: "A conversão".

Sentia-me ainda preso aos cômodos dias do meu não-ser, e lamentava: “Até quando? Até quando direi amanhã, amanhã? Por que não hoje? Por que não acabar agora com meus medos? Por que não agir ao invés de esperar?”

Assim eu falava enquanto chorava, com o coração esmagado pelo peso dos meus anos não amadurecidos. O tempo passou, eu permaneci. Mas eis que ouço passos cruzando o vazio do meu tempo em minha direção. Sem saber de onde, levo dois tapas na cara. Uma voz dizia: “Levante! Corra! Deixe de ser covarde!”.

Levantei-me. Uma só ideia se passava em minha mente: é mais do que hora. É preciso ser agora. E dane-se meu planeta cômodo e descabido: a destruição desse mundo antigo e obsoleto começa hoje.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 27 de maio de 2012

Afã

No seu corpo revolta
eu fui o tempo:
passei rápido,
sem volta,
esquecimento...

Na pressa de provar
desfaz o gosto.
Promessas estampadas
rosto a rosto,
criadas a se perder
em pensamento.

A Ruiva Diz

sexta-feira, 25 de maio de 2012

#microconto

Seu silêncio escondia os gritos mais primitivos.

Fábio Pedro Racoski

Agora não te quero

agora não te quero.
não serão tuas
minhas palavras
de amor rasgado.
e de mais ninguém.

agora não te quero.
não serei teu
nos meus pensamentos
mais egoístas.
só teu.

agora não te quero.
sigamos nós
nossos caminhos
opostos.
espero na esquina.

agora não te quero
porque te quero.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 20 de maio de 2012

Não me queira

não me queira.
não sou uma pessoa
boa para ser desejada.
não será bom pra você,
sou contraditório,
teimoso,
infantil,
humano.

não me queira.
não sou desejável
para seus desejos.
não sou bom pra você,
sou insano,
quixotesco,
lunar,
lunático.

não me queira.
não sou querido.
tenho muitos defeitos,
poucas virtudes,
e um desvio de caráter
que ouso cultivar:
ser humano.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O melhor eu

Saibam vocês que, apesar dos gritos infantis e dos risos despreocupados, este palhaço-poeta que aqui se apresenta é um homem. Inseguro, sensível, frio, louco, apaixonado por seus amigos, entregue ao amor, afoito, irônico, silente...

Um homem com suas criancices. Um menino com desejos e objetivos de gente grande. Um ser humano, aprendiz, compartilhador. Alguém que tem defeitos tão latentes quanto as virtudes. Gênio como é da genialidade humana. Fraco como é do medo do Homo Sapiens. Criativo como é da curiosidade do bicho homem. Enfim, alguém com 46 cromossomos, que erra, que acerta, que chora, que ri, que fala palavrão, que se contém, que explode... Alguém como vocês, naquilo que escondem e que mostram. Mas não naquilo que mentem (e que minto).

Sou mais um da espécie. Mas sou único, assim como vocês. Às vezes herói, às vezes vilão, por vezes covarde. Miserável nas riquezas e rico nas misérias. Não sou a melhor pessoa que você pode conhecer, mas sou o melhor eu que conheço.

Fábio Pedro Racoski
Minha crítica à religião é que esta teima em reduzir tudo ao intocável, ao místico. A humanidade, o indivíduo e suas virtudes, o questionamento (tão próprio do ser humano), isso é deixado de lado.

Não apenas

a noite passou,
o dia chegou,
e lá se foram
horas, dias.

já não respirava
sem ritmo,
mas aguardava
com paciência.

já não se sentia
desprovido
de presença,
mas precavido
de ausência.

já não chorava
a falta de som,
mas contemplava
o silêncio.

já não era paixão.

não apenas.

Fábio Pedro Racoski

Meu verso

dedico meu verso
ao meu universo
de amigos irmãos
tão loucos e sãos
quanto eu a dançar
a esmo no ar.

dedico meu verso
singelo e perverso
a esse mundinho
tão grande e mesquinho
mas que me dá cores
mais fortes que as dores.

dedico meu verso
inverso, transverso
a todo poeta
com alma repleta
de intensidade
de humanidade.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sinal

na varanda
caçando luar
ao delicioso som
da sua voz
sensualmente
sussurrante.

o frio
já não esfria
este corpo quente
como há muito
não aquecia.

é agora
e não depois.

é hoje,
sempre hoje,
e não amanhã.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 8 de maio de 2012

Joker

esse
meu riso é
só um pouco
de insanidade
divina
para dias
de sanidade
infernal.

Fábio Pedro Racoski

A divagar

minha sina
é ser devagar

pensando bem
minha virtude
é ser
devagar

Fábio Pedro Racoski

Crash

pode demorar
vou me apavorar
mas andando torto
parecendo morto
vou me libertando
desse inferno brando
que prende o meu bem
e solta meu nem.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 4 de maio de 2012

#microconto

Seu riso são escondia dores insanas.

Fábio Pedro Racoski

A queda

Mais um dia de trabalho duro para Jesuíno. Antes que o Sol tocasse seu rosto, já estava na obra. Paredes a erguer, chãos a fabricar, janelas a emoldurar... O segundo andar de uma grande casa de três andares já podia ser avistado no horizonte em uma vila de casas rasas. O patrão tinha muito dinheiro. Tanto dinheiro quanto as dúvidas que doíam na cabeça de Jesuíno.

O que somos? De onde viemos? Para onde vamos? Por que o salário mínimo não garante todas as necessidades de alimentação, saúde, moradia, cultura, lazer, prazer, pensamento? Por que o tempo não dá uma folga para o cérebro?

Jesuíno estudou pouco. Mas gostava de ler. Paulo Coelho, manuais, Ziraldo, Kafka, Lima Barreto... Por vezes sua cabeça doía, mas gostava dessa dor. Era um masoquismo por conhecimento. Ele sabia que conhecer é poder.

Certo dia, já no terceiro andar, divagando em suas dores entre as palavras que havia decorado de um Nietzsche, Jesuíno distraiu-se e caiu. Caiu. Caiu. Continuou caindo. Não sabia se aquele era o momento eterno das lembranças de uma vida que precede o instante da morte, ou se, enfim, o tempo havia dado uma folga ao seu cérebro. Continuou caindo por horas, dias... Todas as palavras que rasgavam sua mente, todos os pensamentos que doíam em sua cabeça, passaram, ao longo da queda, a ter sabores deliciosos, perfumes agradáveis. A cada palavra degustada mais uma vez, a cada pensamento experimentado novamente, Jesuíno sentia um prazer nunca antes vivido. Seu cérebro parecia se expandir durante a queda. E novas palavras, novos pensamentos, passaram a habitar aquele empreendimento tão atrativo para saberes esquecidos.

Caiu. Acordou com os gritos de sua esposa, algumas escoriações e uma perna quebrada. O corpo doía, mas sua mente estava em êxtase. O patrão tinha muito dinheiro, mandou Jesuíno para um hospital caro. Assim que recebeu alta, matriculou-se para voltar a estudar e começou a escrever as primeiras linhas de seu livro. Uma obra prima. Agora ele tinha algo mais valioso que o dinheiro do patrão.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Corrida vertical

as ogivas
ogivais
apontadas
para o meu quarto.

os mísseis
missionários
apontados
para os meus olhos.

as flechas
fedorentas
flechando
minha cuca
caduca
e tudo cai
aqui para cima
numa cor
de grito
de desespero
que rasga
o espaço
tempo.

maluco
nunca
mais.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

De repente, perdeu a razão. E tudo ficou lógico, simétrico, sem vida.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Família

família, por que se preocupar?
mas se não se preocupar,
como caminhar?

bate e rebate,
vai e vem,
chora e ri,
briga e abraça,
abraça, abraça...

família, por que se preocupar?
mas se não se preocupar,
como caminhar?

você faz tudo errado!
você não faz nada!
vou sumir no mundo!
te odeio!
te amo! te amo!

família, por que se preocupar?
mas se não se preocupar,
como caminhar?

não quero você aqui,
não quero saber mais,
não quero ouvir,
não quero ver,
tudo bem? tudo bem?

família, por que se preocupar?
mas se não brigar, xingar,
saber, querer bem,
como continuar?

Fábio Pedro Racoski

domingo, 15 de abril de 2012

Dorme bem

Dorme bem, eu guardo teu sono,
contigo estou aonde for,
em mãos, em voz e em abraços,
onipresente por amor.

Dorme, meu bem, quero-te bem.
Sonha em paz, certa de encontrar
conforto em mim aos pesadelos
e meu carinho ao despertar.

Dorme, razão da poesia
minha, tão viva, tão intensa,
pois encontrou porto seguro
nessa paixão que é tão imensa.

Fábio Pedro Racoski

Síntese

é sua a voz
que eu quero ouvir.
são seus os lábios
que quero beijar.
é você, nada além
do tudo que é você,
que quero ter
entre os braços
e a quem eu
já me entreguei.

Fábio Pedro Racoski

Chorume

Louvado seja o Chorume!
Louvado seja o Chorume!

O rio de todas as ilusões humanas,
o líquido de todas as futilidades consumistas,
a seiva de todas as mentiras sentimentais!

Louvado seja o Chorume!
Louvado seja o Chorume!

O mar de todas as ejaculações prepotentes,
o alimento de toda a arte do ser humano,
a água benta de todas as crenças.

Louvado seja o Chorume!
Louvado seja o Chorume!

Se há algo que mereça a minha confiança
é o Chorume,
e nada mais!

Cesar Miller de Almeida

terça-feira, 10 de abril de 2012

Meu novo jardim

habilidosas
e cuidadosas mãos
moldam com maestria
meu novo jardim
sem muros.

um jardim florido
de vida e amor,
que agora quer mostrar
a todos
que também é belo.

benditos sejam
os mestres divinos
donos dessas mãos!

Fábio Pedro Racoski

sábado, 7 de abril de 2012

Além-luz

a luz
não é tão rápida
que possa
acompanhar
meu desejo
que rompe
a barreira
do espaço-tempo,
do lugar-comum,
do eu-sozinho,
da pele,
dos músculos,
dos tetos,
das estradas,
dos versos.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pela estrada

a estrada
que cruza
o horizonte
me leva
para tão longe
e tão perto
nos meus
sonhos.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ele venceu a si mesmo para perder-se nela.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 31 de março de 2012

Um amor

o mais dolorido
de todos os partos
é nascer
para o amor.

ah, o amor!
estava escrito
dentro de um baú
trancado
e empoeirado
no fundo da alma.

esteve sempre lá,
em palavras
sem fonemas,
em melodias
de lábios calados.

um amor
que espera,
que amadurece
mas é eterno,
que se intensifica
mas é infinito,
que se espalha
mas é interminável.

um amor
que me faz
esperar
pelo dia
em que morrerei
para mim,
e viverei
para nós.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 29 de março de 2012

Doçura

desejado
doce
deleite.
dádiva
divina.
dança,
dedos
dedilhando
dedos,
dom,
delírio.

Fábio Pedro Racoski
A necessidade de compartilhar me torna insuportável. Aqui estudando, vejo, associo, lembro, mando... sou um monstro perturbador com palavras.

A Ruiva Diz

#microconto

Suas frases são reticentes, mas seu amor é exclamativo.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 27 de março de 2012

Único

quando você encontra
alguém
por quem
você quer ser
alguém melhor,
maior,
mais forte,
mais inteligente,
mais bonito,
mais gente,
ah, meu amigo,
minha miga,
isso é único.
único.

Fábio Pedro Racoski

Tudo novo


infartou-se,
pois fartou-se
de paixão.

desprendeu-se,
pois prendeu-se
sensação.

renovou-se,
encontrou-se
coração.

entregou-se,
despediu-se
solidão.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 25 de março de 2012

Não seria

talvez eu não devesse
ter falado
que amo você.

talvez eu não devesse
ter falado
que quero viver com você.

talvez eu não devesse
ter contado
o que sinto por você.

talvez eu não devesse
ter gritado
buscando você.

talvez eu não devesse
ter chorado
e derramado
todo o meu coração
pra você.

mas não seria eu.
não seria a explosão
do meu nascimento.
não seria a derrota
do meu medo.
não seria a vontade
de estar com você.
não seria o desejo
de ser pra você.
não seriam meus olhos
buscando você
além do horizonte.

Fábio Pedro Racoski

Poemas engajados

Poemas engajados:
a maior estupidez
da estúpida poesia!

Poemas engajados:
as falácias de ladrões
e ditadores entoadas na TV!

Poemas engajados:
tão dementes quanto
engajar-se em algo!

Poemas engajados:
doces mentiras
rimadas!

Cesar Miller de Almeida

sábado, 24 de março de 2012

Linhas tortas

tomo uma dose
de loucura
pra me embriagar
de poesia
apaixonada
e rimar
meus versos
com teus versos.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 22 de março de 2012

Descobrindo-se

eis que o poeta
encontrou o amor
pela primeira vez.

e seus versos
amarelados,
empoeirados,
ganharam cores,
sons e perfumes
que ele nunca
havia
imaginado
em toda a sua
poesia.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 21 de março de 2012

Grande assim

se as máquinas voadoras
desaparecessem
e um abismo se abrisse
à minha frente,
desafiaria Darwin
e aprenderia a voar
só para estar
com você
novamente.

se um acaso
do espaço-tempo
me levasse para
800 anos-luz
daqui,
desafiaria Einstein
e venceria
a luz e o tempo
só para estar com você
o tempo que for.

eu desafiaria qualquer
mente brilhante
e qualquer grandeza
universal,
e venceria,
pois para mim
o fisicamente
e espiritualmente
impossível
é não viver
você.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 19 de março de 2012

O cerco

seus olhos
catapultaram
fogo sob minha
fortaleza.

sua voz aríete
fez ruir
a estrutura
dos meus muros.

sua presença
rompeu
minhas correntes
como lâmina de dura espada.

e agora
meu feudo-solidão
quer assinar
a capitulação.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 17 de março de 2012

Uma pessoa melhor

Serei uma pessoa melhor
se for eu mesmo só para mim.
Serei uma pessoa melhor
dentro dessa solidão sem fim.

Não pense que vai me resgatar
do meu caminho que levo só
cercado por amigos e mar.
Um continente frio de dar dó.

Não sou uma criança sozinha,
não sou sorriso, beijo, nem mais
alguém de índole tão mesquinha
ao ponto de somar-lhe meus ais.

Ser sozinho é minha missão
em meu imaginário alazão,
com lágrimas e riso de estrada,
com dor e paz nessa alma cansada.

Serei uma pessoa melhor
seguindo só até o meu fim.
Serei uma pessoa melhor
vivendo essa metade de mim.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Nunca fui enganado por ninguém. Faço isso sozinho.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 14 de março de 2012

Papéis

papel da mulher,
papel do homem...
papel higiênico.

um a gente aduba,
outro a gente recicla...
e vida que segue.

domingo, 11 de março de 2012

Supradimensional

que meu braço
seja abraço
para ti
lá e aqui.

que a visão
seja tão
telescópica
microscópica

que meu eu
seja teu
neste verso,
no universo.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 8 de março de 2012

#microconto

Ele, tão masculino, descobriu a si mesmo nos lábios de uma mulher.

Fábio Pedro Racoski

Quatro divagações de mulheres ao amanhecer

#1

Pronto! Está tudo perfeito! Café quente e forte, pãezinhos comprados agora, leite fresco, manteiga... O marido não notou meu corte de cabelo. Os filhos já saíram para a escola. E eu, sempre pronta, sempre eficiente, sempre vazia, sempre distante. Ah, ser mulher!

#2

Pronto! Está tudo perfeito! Os papéis da faculdade, meu artigo, café de ontem, mesa bagunçada... A casa vazia parece tão cheia com a minha voz calada. Um bom dia ao porteiro, uma saudade dela, a dúvida dos olhares e essa minha certeza de que serei contestada sempre. Ah, ser mulher!

#3

Pronto! Está tudo perfeito! Prontuários, exames, liberação de médicos e a ansiedade de me tornar mais eu. O hospital cheio parece vazio de espírito. Meu corpo deixará de ser o que nunca foi em mim mesma. Ah, ser mulher!

#4

Pronto! Está tudo perfeito! Meu café, meus pães, manteiga, leite... A casa vazia é ponto de partida para novas aventuras e eu, família de mim mesma, sigo pelo mundo a viver, a conhecer, a saborear paisagens e ares de todos os lugares na confiança de sempre voltar a mim. Ah, ser mulher!

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 7 de março de 2012

Devaneio humano

Sangue escorre pelas ruas,
chumbo chove lá do céu.
Batalhões de frontes nuas
rebentam a guerra ao léu.

De manhã, caem as máscaras
dos ex-reis de face asseada,
quebradas por outras máscaras
das almas de tez marcada.

As novas falanges gritam:
"Eis nossa revolução!",
e novo horizonte fitam
numa terra sem patrão.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 4 de março de 2012

Siete sonrisas

Todo alrededor de mí son recuerdos
Dulces y amargos
Calientes y helados
Retratos de quien nunca ha sido real
Cartas que nunca osaron alcanzar el objetivo
Nombres escritos en la madera, nombres que ni siquiera se han conocido
Autógrafos
Veintiún botones de rosas
Siete sonrisas
Un pendiente
Un borrón
Una colección entera de sentimientos por la mitad
Y cabe más, mucho más, dentro de ese corazón
Siempre que por completo...
Para no salir jamás.

Josiane Ruhmke
(poema original: aquí)

traducción de
Mauricio Villacrez y
Fábio Pedro Racoski

sábado, 3 de março de 2012

#microconto

Ele não soube dar-se a ela porque haviam poucos minutos de paixão embaixo daquele rosto envelhecido.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O negador

não sou bonito
não sou legal
não sou inteligente
não sou atraente
não sou amável
não sou apaixonante
não sou bem humorado...

negar é meu ofício
não aceito elogios
pois não acredito
nos meus predicados.

são tantas negações
que corro o risco
de torná-las
reais.

Fábio Pedro Racoski

Se alguma vez

Se alguma vez os teus olhos
enxergassem meu olhar
tu, quem sabe, percebesses
que a ti quero me entregar.

Se alguma vez os teus dedos
tocassem as minhas mãos
tu, quem sabe, entendesses
que não são desejos vãos.

Se alguma vez minha voz
conseguisse declarar-te
o amor que, mudo, versejo,
bela seria minha arte.

Se alguma vez os meus braços
te guardem eternamente,
cantarei glória à vitória
da paixão no ser temente.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Pequeno Encontro de Grandes Escritores

Caros leitores deste blog, venho lhes convidar a participar do Pequeno Encontro de Grandes Escritores. Ou o Grande Encontro de Pequenos Escritores!

Estou organizando um encontro para 28 de abril, das 13:00 às 17:00 horas, para promovermos nossas obras, nos conhecer pessoalmente, trocar ideias, incentivar a criação literária, sair pelas ruas do Centro de Curitiba poeticamente e sanamente loucos, etc!

O cronograma e o itinerário:

- Data: 28 de abril de 2012, sábado
- Hora: das 13:00 às 17:00 horas
- Encontro e apresentação dos escritores, das 10:00 às 11:00, na Praça Rui Barbosa
--> 13:00 - Concentração na Praça Rui Barbosa. Apresentação dos escritores presentes.
--> 13:30 - Saída da Praça Rui Barbosa, em direção à Praça Santos Andrade, passando pela Boca Maldita e seguindo pela Rua XV. Momento de divulgação dos trabalhos literários.
--> 14:30 - Declaração do "Manifesto do Novo Escritor" na escadaria do prédio histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade. Megafone aberto para quem quiser falar/declamar/recitar.
--> 15:15 - Volta, no mesmo caminho, à Praça Rui Barbosa.
--> 16:00 - Pequena parada na Boca Maldita.
--> 16:15 - Cantorias, cantigas, farra de escritores na Praça Rui Barbosa.


Eis o mapa do itinerário: http://g.co/maps/6gcn6

A quem não é de Curitiba, deixo a sugestão de três endereços para hospedagem, se necessário:

- Hostel Roma. Albergue. Mais em conta.
- Alvear Hotel. Com preço bom, mas não muito central.
- Guaíra Palace Hotel. Bem central, na Praça Rui Barbosa, mas com preço mais salgado.

Atualizarei este post frequentemente (hotéis sugeridos, programação, mudanças discutidas, etc.). Ainda falta definir se este itinerário será mantido ou alterado no caso de chuva.

Lembrando: quem não é escritor, mas gosta de ler, ou simplesmente quer participar, também é convidado.

Página de evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/328569040514005/

ESCRITORES DE TODOS OS BLOGS, UNI-VOS!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

É carnaval!

É carnaval!
E você, puritano e moralista o ano todo,
sai pelas ruas promovendo orgias
sem camisinha
e com múltiplas penetrações
junto aos seus "amigos anônimos".

É carnaval!
E você critica porque não teve
competência ou possibilidade
de ir praticar as mesmas orgias
com essa gente
distorcida, puta
e apavorada.

É carnaval!
E você se tranca em igrejas
para se afastar da tentação.
Mas o demônio está ali,
a rezar com você
e a estuprar seu bolso
e seu cérebro.

É carnaval!
E você se irrita com nota 9,9
da escola de samba
enquanto sua educação,
sua saúde,
sua segurança,
valem zero.

Cesar Miller de Almeida

Anarcoamante

sou anarquista.
não há poder
nesse mundo
que me obrigue
a te ver feia.

a beleza
que vejo em ti
é minha e tua,
e foda-se
o resto.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Fera

assim como um gato
que arranha as mãos
porque não sabe
lidar com a humanidade
do dono,
eu te machuquei
porque ainda não sei
lidar com o amor
que sinto.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ele, incapaz de lidar com a alegria que ela lhe proporcionava, a feria com palavras descabidas.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Douto

você me pergunta
por que eu
não me permito
uma paixão.

meu ofício
é ser sozinho.
tenho doutorado,
cátedra nas
melhores
instituições
e longa
experiência
profissional.

aí você me pergunta
por que eu
fiz a loucura
de me apaixonar
pela primeira vez.

porque encontrei
um universo
de universidades
a estudar
em você.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Revolução

uma revolução
não se faz
com máscaras.

uma revolução
não se faz
com ideias vendidas
ou forçadas.

sinta a história.
veja as lágrimas.
ouça as vozes.
exploda-se
em mil pedaços
de humanidade.

uma revolução
não se faz
com moda.

uma revolução
se faz
com ideias
compartilhadas.

uma revolução
se faz
em coral:
diferentes vozes
num arranjo
magnífico.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Cinco anos de blog


Hoje este blog de humor, política, história, música mas, antes de tudo, um blog de literatura, completa 5 anos de existência.

No meu último ano da faculdade, em 2005/2006, pensei em criar um blog pessoal, de opinião. Criei: "a voz do megafone", que durou algumas semanas e não chegou a ter conteúdo relevante. Um ano depois, no dia 12 de fevereiro de 2007, crio o "Rádio Gordo", onde publico a receita do "Empadão Stálin", uma tentativa frustrada de postagem humorística.

Durante mais de um ano, o blog recebeu pouquíssimas atualizações. Até que em julho de 2008 os poemas engavetados pediram pra sair "às ruas", e eu consenti!

De lá para cá, foram 620 postagens. Dessas, mais de 300 poemas, 11 contos, vários microcontos, artigos, críticas, divulgações, vídeos... Quase 1000 comentários e a contagem de 96 seguidores. Uma mudança de nome (junto com minha mudança de vida, a gastroplastia), para Racoski, várias mudanças de aparência... O blog mutou, assim como seu dono.

Agradeço imensamente a quem acompanha minhas publicações. Agradeço pelos comentários e a ajuda na divulgação em seus blogs, twitters, Facebook, Orkut... Não ganho um centavo com este blog, nem pretendo fazê-lo: está registrado sob licença Creative Commons, como vocês podem ver ao lado. Não tenho oposições a quem o faz, mas tomei como princípio divulgar aqui meus poemas para lucrar, financeiramente, apenas com meus futuros livros (com o produto, físico). De qualquer forma, meu objetivo profissional não é ser escritor. Ser escritor é minha missão pessoal. Portanto, o que ganho é imaterial, coletivo e inestimável: leitores.

Ah, os meus livros! Em breve, ainda neste ano, terei pelo menos um publicado: uma coletânea dos poemas já postados no blog mais alguns inéditos. E, no máximo em 2013, publicarei meu romance, de título provisório "Gúliver Kowalski, ou 'A História do Mundo por Quem a viu Nascer'". Será, certamente, volumoso (estou no terceiro capítulo e já tenho 94 páginas A4). Mas espero que os futuros leitores dele tenham o mesmo prazer em lê-lo que eu tenho ao escrevê-lo.

Seguiremos firmemente, na poesia, na literatura, na escrita em si, enfim, na vida. Porque minha vida é escrever.

Obrigado!

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ato

não há razão
alheia
que possa julgar
tuas razões.

minha razão
é teu abraço
apertado
de mil emoções.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ela, que conhece vários países, que fala inglês e francês, encontrou seu amor numa paixão bairrista.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Braços

tenho duas
opções:
lutar sozinho
contra mim mesmo
ou lutar por nós
ao seu lado.
você quer
me ajudar?

Fábio Pedro Racoski

Our arms

I have
two choices:
to fight against me
alone
or
fight for us
with you.
Can you
help me?

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Minhas mulheres

em toda
minha vida
fui
de uma só mulher.

afinal,
é correto somar
um sol
e uma lua
como dois sóis
ou duas luas?

Fábio Pedro Racoski