terça-feira, 29 de novembro de 2011

Durma

durma.
fico aqui
guardando,
admirando
e sentindo
seus sonhos
pelos poros
da minha pele.

durma.
fico aqui
com você
do meu lado,
nos meus olhos,
aqui dentro.

durma.
fico aqui
esperando
que o tempo
se perca
na esquina
e me deixe
viver esse momento
eternamente.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O avesso

sou o avesso da princesa,
o reflexo escuro no espelho.
sou o contrário da donzela
que espera pelo príncipe
encantado.

sou o avesso da mocinha
que precisa ser salva.
sou o contrário da menina
que busca o masculino
para fazer-se mulher.

sou o avesso porque existo
e não quero
inexistir
em sonhos vãos.

não há lugar
no conto de fadas,
não há beleza plácida,
elegância contida,
ternura fria,
paixão distante,
final feliz.

A Ruiva Diz e
Fábio Pedro Racoski

domingo, 20 de novembro de 2011

Um tudo

um gesto,
um verso,
um poema
cinza e seco
para um universo
em forma de mulher.

uma voz,
um aceno,
uma seresta
para a festa
da vida em um sorriso.

um poeta,
pobre
e vagabundo,
para você
abraçar
e fazê-lo
reviver.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 19 de novembro de 2011

Eu no Youtube... =/

Então... Resolvi iniciar um canal de poesia no Youtube. A primeira "vítima" das minhas composições é o soneto "Versos públicos" (sim, parafraseando Augusto dos Anjos!).

Eis aqui o vídeo (não se assuste: sou eu mesmo).

O poema está neste post: http://www.racoski.com/2009/06/versos-publicos.html

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

#microconto

Ele queria um amor instantâneo e devorou uma paixão crua.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

#microconto

Ele queria se encontrar nela, mas não sabia como fazer-se localizável.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Intrínsecos

você quer
que eu te esqueça,
que eu suma,
que eu te deixe,
que eu desista,
que eu morra.

mas como posso
amputar
você de mim?

Fábio Pedro Racoski

domingo, 13 de novembro de 2011

Às artistas

Hoje, numa tarde chuvosa, cinzenta e fria de Curitiba, saí para ir ao teatro. Eis que tudo ficou colorido, lindo, comovente. Os responsáveis foram todos os envolvidos na peça "Meu Pequeno Príncipe", que encerrou neste domingo, com chave de ouro, uma série de apresentações no Teatro Bom Jesus.

Não sou crítico de teatro, tampouco pretendo sê-lo ou me atrever a tal - é certo que também não tenho tanto conhecimento desta arte para tanto! O relato é pessoal: um musical infantil, inspirado na incrível e tristemente subestimada fábula de Saint-Exupéry, "O Pequeno Príncipe". Também um trabalho com jovens atores, mostrando o que é ser ator (principalmente para quem está acostumado com os "monstros sagrados" da televisão). Mas, para mim, um motivo de muita felicidade por duas pessoas presentes naquele palco: Amanda Leal, que conheci recentemente e de quem me tornei fã, e Keila Aquino, minha vizinha, que vi crescer, para quem dei aulas ainda quando eu era um péssimo professor, e de quem também sou fã. Foi muito bom ver que, apesar de eu ter sido um profissional medíocre e um mestre negligente, ainda assim, não minei o talento individual da Keila, e espero que seja assim com outras das minhas "vítimas" de quatro anos atrás.

Todas estas lembranças na mente, a admiração pelo belo trabalho de jovens artistas talentosos, o show da Amanda e da Keila narrando a história (estavam ótimas!)... Claro que chorei. Muito. Lá, depois, agora, enquanto escrevo. Mais que um choro de comiseração ("mimimi") por meu passado relapso e descompromissado como professor, a comoção foi um "mix" de sentimentos: felicidade por elas (grandes estudantes e trabalhadoras da arte), por mim (que já não sou um profissional ruim, como antes), simpatia com o clima da peça (a criança que ainda sou!) e, claro, pela peça em si, maravilhosa.

Bom, esse é meu desabafo. E a "inveja branca" (como ouvi chamarem a inveja construtiva!) que tenho dessa turma está me motivando a ousar mais um pouco na minha jornada para publicar meus dois livros. Além do canal de recital no Youtube, projeto que deverá sair "do papel" logo.

Recomendo alguns links para vocês:

Twitter da Amanda: @amanda_leal
Blog da Amanda: circunstanciaqualquer.wordpress.com
Twitter da Keila: @keilaaquino
Blog da Keila: keilaaquino.wordpress.com
Twitter da Companhia de Teatro Baobá (da qual Amanda e Keila fazem parte): @ciabaoba
Matéria do Bem Paraná sobre a peça "Meu Pequeno Príncipe".

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O problema está na carapuça

A Ruiva Diz

Odeio ser repetitiva, mas às vezes é irresistível.

Há algum tempo, foi publicada uma pesquisa que liga a infidelidade masculina com o QI mais baixo. Logicamente despertou interesse e virou assunto, foi tuitada a exaustão e divulgada em todos os grandes portais do país. Até aí, tudo bem.

Mas será que ela tem relevância para virar até pauta do Bom dia Santa Catarina, com direito a entrevista com psicólogo, dias depois da publicação? (Pelo que fiquei sabendo, foi pauta de outros programas também).

Pelo jeito sim, e aí entra a história da carapuça.

Muitos homens se ofenderam, se sentiram chamados de burros (o que pode ser uma prova cabal de que realmente o são) pois são infiéis confessos ou não. Vestiram a carapuça total. E isso gerou o burburinho e não a pesquisa em si. "Como nós, copuladores, pegadores e infiéis praticantes, tão espertos na hora de mentir, manipular e inventar desculpas para suas (seus) parceiras(os) podemos ser chamados de burros? Heresia! Agressão!"

Soa patético colocado assim?

Então vamos superar essa mediocridade de sentirem-se ofendidos nos direitos de machos.

Pessoas traem porque são burras, eu acredito nisso e nunca precisei de pesquisa para afirmar.

Não tenho embasamento científico pra defender ou atacar o resultado da pesquisa, mas acho que a inteligência e o desenvolvimento humano estão sim ligados à fidelidade.

Pessoas inteligentes sabem o que querem, por isso quando estão em um relacionamento são fiéis à sua opção. Porque pessoas inteligentes são coerentes.

Pessoas inteligentes são bem resolvidas, se não querem mais saem da relação e não a destroem com desrespeito e mentira, ou perdem tempo permanecendo numa relação por desculpas esfarrapadas.

Pessoas inteligentes não agem unicamente pelo instinto de cópula, por isso são mais seletivas sim. Tem critérios em suas escolhas.

Pessoas inteligentes sabem que são livres para fazer suas escolhas, mas também entendem as implicações éticas e emocionais associadas a elas.

Pessoas inteligentes estabelecem pactos em seus relacionamentos que sejam compatíveis aos seus valores, porque sim... pessoas inteligentes tem valores.

Vamos pensar a inteligência além do teste de QI, ela se espalha por todo o ser, em todo seu comportamento, também é emocional e profissional.

Quando eles falam que a tendência é a diminuição da infidelidade estão apostando na evolução do raciocínio, da igualdade entre os casais, da liberdade individual.

Ahhhhhhhh e para deixar bem claro: pessoas são homens e mulheres.

Suas palavras

suas palavras
são doces,
meigas,
quentes,
azuis,
amarelas,
safadas,
cinzentas,
refrescantes,
sábias,
inocentes,
reveladoras,
insinuantes.

suas palavras
são vivas,
nascidas
agora
num tempo
eterno.

suas palavras
são mágicas,
são reais,
são poesia,
são femininas.

Fábio Pedro Racoski

Palavras soltas ou não

Um discurso proferido
tem intuito de interferir
no discurso futuro
dos receptores
do discursante,
num crescente
parado
só com a revolução.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

#microconto

E são dois, e são um, e são mil entre quatro paredes.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Não vou viver

Não vou viver angustiada
entre o seu não
e o seu talvez.

Não vou viver sem rumo
entre o seu amanhã
e o seu nunca mais.

Não vou viver suja
da sua lama
e embriagada
da sua limpeza neutra.

Não vou viver espremida
entre o que você sabe
de si mesmo
e o que tem dúvida.

Saio do meio
na esperança
de que as duas forças
se colidam
e, quem sabe,
você se encontre.

A Ruiva Diz e
Fábio Pedro Racoski

Presente

e num sorriso
acompanhado
de olhos tão brilhantes
quanto a lua cheia,
enxerguei
toda a beleza
divina
e humana.

e quem, enfim,
foi presenteado?

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Passa a poesia

Seus olhos me chicotearam
e me cortaram
da testa aos pés.

Seus passos me prenderam
e me fizeram
seu zumbi de revés.

A poesia dos seus quadris
deixaram meus olhos imbecis,
tolos, apontando onde não
foram convidados.

A música da sua respiração
roubou-me a lógica, a razão
e me deu essa paixão
de lábios molhados.

Fábio Pedro Racoski