segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Uma hora

uma hora
vou rever
todos os meus amigos
do passado.
versos e fotografias
colados na memória
e derramados no pranto
da saudade.

uma hora
vou refazer
o livro rasgado
do meu presente.
um romance
fantástico,
triste, romântico,
quixotesco,
único.

uma hora
vou conseguir
rearranjar
todos os meus pedaços
que agora se espalham no chão
e essa nova
organização
será mais bonita
e sólida.

Composição de
Fábio Pedro Racoski
e A Ruiva Diz. (Link para o mote)

sábado, 29 de outubro de 2011

Soneto fado

Foto retirada daqui.

Eu quis cantar-te um fado em meu sofrido
e triste peito, alçá-lo à voz de ouvido,
e ser cativo em ti, liberto em mim,
vivendo à luz do amor eterno sim.

Mas sou poeta mudo para ti?
Ou tu não és ouvidos para meu
sangrado verso? Em prantos dei-me a ti
e foste embora ao som do fado meu.

Eu quis cantar-te um fado, e ele surgiu
composto em panos verdes, fios dourados,
teu rosto, verso só que me feriu,

matou-me e, assim, trouxeste a mim de volta
a vida bela além dos salvos prados
e vivo, agora, em ti, a sã revolta.

Fábio Pedro Racoski

Occupy

Imagem retirada daqui.

occupy streets,
occupy avenues,
occupy squares,
occupy cities,
occupy provinces,
occupy countries...

but first of all
occupy your
empty
and starveling
brain.

Fábio Pedro Racoski

Un amor gitano

Foto retirada daqui.

Un amor gitano,
de acento rumano,
me viene al oído
cantando sentido.

Pasión instantánea
más que momentánea,
colgada en el pecho.
Amor que cosecho.

Un amor carnal
de acento mundial.
Se ha vuelto razón
bajo la ilusión.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Era poetisa. Escrevia versos em seu corpo.

Fábio Pedro Racoski

Minha mulher

minha mulher,
manda-me, mata-me,
move-me, motiva-me,
muda-me, madura-me,
mostra-me, música.

minha mulher,
mais maravilhosa
máquina mágica,
motivo maior,
musa menina
mulher
modelo
mística.

minha mulher,
mínima
máxima,
maestra
mestra,
moleca,
malícia,
magistral.

minha mulher,
mundo meu,
meu multiverso,
meu mote.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

#microconto

Sua paixão, totalitária. Seu amor, anarquista.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

#microconto

 Procura-se uma paixão. Recompensa: muito amor.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sou sozinho

como posso querer
companhia?
sou sozinho
desde sempre.
sou não-par
desde sempre.
sou eu sem nós
desde sempre.

sou sozinho
e a angústia
de ser sozinho
já não me angustia
mas me diverte.

sou sozinho
e isso me faz rir
quando a cidade
cobra o contrário.

sou sozinho
e quando tentei
ser diferente
causei danos e feridas
como um fogo amigo
durante a guerra.

sou sozinho,
sou mortal,
sou tardio,
sou frio,
sou cinza,
sou triste.

sou eu.
não, não queira sê-lo.

Fábio Pedro Racoski

Um poema safado

queria escrever um poema
sem vergonha,
safado,
daqueles que deixam
as bochechas da menina
vermelhas
e fazem os rapazes
arquitetar sonhos.

mas você apareceu,
e eu não consigo mais
tirar esse poema safado
do meu olhar...

Fábio Pedro Racoski

Tudo e ainda mais

há um mundo
lá fora.

há uma galáxia
aqui dentro.

há um universo
nos teus olhos.

e há um multiverso
em nosso beijo.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ele a cercava, por todos os lados e, assim, ela não o encontrava.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 22 de outubro de 2011

#microconto

Decidiu cruzar a pé o Saara, pois já havia habitado sozinha um deserto de sentimentos.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CCCC - Edição I - Outubro de 2011

Um projeto de jornal, abandonado. Eu quis continuar, com meus textos informativos. Assim nasceu o CCCC (Curta Cultura na Cidade de Curitiba).

Como o próprio nome diz, é um informativo cultural de Curitiba (não confundam com agenda cultural). A princípio, ele terá circulação na forma de mural, em duas escolas públicas (Avelino Antônio Vieira e Guaíra), e publicação aqui, no blogue deste que vos escreve. Nossa primeira edição é sobre a Hora do Conto, evento voltado ao público infantil que acontece na Biblioteca Pública do Paraná, ACOMPANHEM!

Curta Cultura na Cidade de Curitiba

Contadores de letras
Acadêmicos mostram o mundo lúdico da biblioteca às crianças

por Fábio Pedro Racoski

A Hora do Conto é um evento realizado na seção infantil da Biblioteca. A cada semana, de segunda a sábado, crianças e adultos podem vir, de graça, acompanhar o teatro de bonecos que faz uma releitura de fábulas clássicas, explora diversas literaturas, textos autorais, tudo pensado no universo da criança.

Amanda Leal, estudante de Produção Cênica na UFPR, conta mais sobre a Hora do Conto:

A Hora do Conto é pensada como uma atividade lúdica, com o intuito de chamar as crianças para dentro da biblioteca e mudar aquele pensamento de que este espaço é um lugar de repressão. “Se o aluno bagunça, fica de castigo, vai para a biblioteca”. Queremos apagar essa imagem negativa, carregada. Por isso buscamos realizar atividades mais lúdicas, como a Hora do Conto, aulas de xadrez, de mangá, uso dos computadores... Com o teatro de bonecos, trabalhamos aquelas histórias que as crianças já conhecem, como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho, mas sempre buscamos ir um pouco além, adaptando-as para um contexto atual – colocando piadinhas, referências culturais da geração atual, como Justin Bieber e Lady Gaga, por exemplo.

Amanda conta que já trabalharam o texto de um autor curitibano, Almir Correia, num teatro de sombras: “O menino com monstros nos dedos”. O próprio autor esteve lá, assistiu à peça, conversou com as crianças. Também conta que há alguns personagens fixos, como os velhinhos narradores e o burro, com os quais as crianças se identificam. “As crianças dizem: cadê o burro? Vim pra ver o burro!”, conta.

Eles mesmos, estagiários e acadêmicos principalmente da área de artes, fazem o trabalho de pesquisa, escrevem as adaptações (ou trabalhos originais, como já ocorreu), confeccionam os bonecos... “A gente faz um trabalho conjunto”, relata Amanda. Ela exemplifica:

Eu trabalhei com Os Músicos de Brêmen. Peguei vários livros, e como é uma história clássica, encontrei várias versões. Pesquisei, adaptei, pensei na narrativa, nas brincadeiras, pensei no narrador, nos fantoches... Também busquei como posso traduzir tal situação da história contada num teatro de fantoches, sem cenário, com poucos recursos. E isso tudo conseguimos em conjunto.

A Hora do Conto acontece na BPP, mas Amanda e seus colegas já se apresentaram em outros locais, quando convidados. “Só depende de agendar e confirmar conosco”, diz Amanda.

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HORA DO CONTO

De segunda a sexta, às 11h e às 15h; aos sábados, às 11h. Entrada franca.
Biblioteca Pública do Paraná - Seção Infantil
Rua Cândido Lopes, 133 - Centro (Curitiba, PR)
Telefone: (41) 3221-4980

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

#microconto

Ele passava ali todos os dias, só para ver aqueles olhos cheios de fogo exclusivo.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quem nunca?

quem nunca
acertou uma quina
com os dedos do pé?

quem nunca
tomou choque
quando bate o cotovelo?

quem nunca
ficou sem papel
no banheiro?

quem nunca
soprou garrafa
pensando ser flautista?

quem nunca
foi ridículo
na música, na moda, no amor?

quem nunca
se fodeu
de verde, amarelo, stars and stripes?

quem nunca
preferiu o sonho
a quem se sonhou, ao vivo?

quem nunca
foi rebeldezinho
sem saber por onde?

quem nunca
se apaixonou
por alguém mais velho?

quem nunca
sentiu a cabeça explodir
por uma paixão?

quem nunca viveu
nada disso
simplesmente
passou.

Fábio Pedro Racoski

Um sozinho

um sozinho
sou eu.

um sozinho
solitário
sou eu
com você
sem você.

dois solitários
somos nós
sem nossos
vocês.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Sua pena de morte foi viver, sem ela, uma vida que não vale a pena.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 16 de outubro de 2011

Eu te amo. MENTIRA!

Eu te amo.
MENTIRA!
Eu quero despejar em você
minhas necessidades sexuais.

Eu te amo.
MENTIRA!
Eu quero prazer, conveniência,
elevar meu ego exibindo seu corpo.

Eu te amo.
MENTIRA!
Eu quero comida, sexo,
quero uma desculpa para ter.

Eu te amo.
MENTIRA!
Quero é ter alegria com você
e ir embora, pra não ficar
com o prejuízo.

Cesar Miller de Almeida

Não é

Não é sua camisa
manchada de mim
e nem seu perfume
que compra meu sim.

Não é seu poema
que invade meu eu
e nem o seu vinho:
seu beijo tão meu.

Não é sua força
que me faz voar
e nem seu calor
que faz delirar.

Não é sua chuva
de voz ao ouvido
e nem sua canção
de peito ferido.

O que me faz ficar assim,
tão apaixonada e saudosa,
é ser você dentro de mim,
é ser seu verso em minha prosa.

Ana Luiza Lem

Sorrio

óleos,
cremes,
perfumes,
prata,
ouro,
troféu,
prêmio...

não preciso de nada disso
se tenho
seu maravilhoso
e sincero
sorriso.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 15 de outubro de 2011

Revolução, em Curitiba.


Este dia 15 de outubro foi marcado com manifestações em várias cidades pelo mundo afora. Os manifestantes protestavam contra a corrupção, por uma democracia real, por um governo diferente, pelo fim dos governos, enfim, por uma nova ordem, uma revolução que estamos assistindo. Teve seus primeiros gritos na África árabe (Tunísia e Egito), estendeu-se pelo Oriente Médio, ecoou na Espanha e agora toma o Mundo.

Escadaria da UFPR. Ponto de início.
As manifestações foram idealizadas pelo grupo Anonymous (caracterizado pelo uso da máscara de Guy Fawkes, popularizada pelo filme "V de Vingança", adaptado do gibi de mesmo nome). Aqui, em Curitiba, cidade de 1 milhão e 800 mil habitantes mas tão provinciana quanto uma pequena vila interiorana protestante típica de filmes estadunidenses, houve um pequeno eco do que acontece no resto do mundo, com cerca de duzentas pessoas presentes.

Fonte da Praça Santos Andrade pintada do "vermelho do sangue dos mortos pela corrupção e pelo Estado".

A Marcha Contra a Corrupção abordou principalmente este tema, mas também a questão de Belo Monte, Zeitgeist, voto livre. Teve início na frente do prédio histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade; seguiu até o impostômetro da Associação Comercial do Paraná e continuou até os prédios públicos de Curitiba: a Prefeitura Municipal e o Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná.

Às 14:24 e 7 segundos, o impostômetro marcava 1 trilhão, 133 bilhões, 459 milhões e 579 reais de impostos pagos somente este ano. E crescendo...

Pode-se pensar que são apenas rebeldes sem causa, ou que protestavam ali apenas por protestar. Mas o fato é: há uma revolução, histórica, viva, de caráter mundial, sem religiões, bandeiras partidárias ou falsas promessas arquitetando. Duzentas pessoas debaixo de chuva numa Curitiba provinciana já é uma vitória. E mais duzentas, trezentas senhorinhas curitibanas "fofocando", como uma com quem conversei no terminal de ônibus, admirada e feliz por ver que "os jovens enfim estão pensando"... Ah, espero que isso só aumente!


Manifestantes em frente ao prédio Banco Central, obra superfaturada em 2,4 milhões de reais, segundo Anonymous.

Uma parada em frente à Prefeitura.

Praça Tiradentes e a Catedral Metropolitana de Curitiba




E você em casa... Detalhe: estava chovendo.

EDITANDO - Alguns links interessantes:

http://www.whatis-theplan.org/
http://youtu.be/aIsTd9WIRKU
http://youtu.be/seTFCyvxMU8
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anonymous
http://www.youtube.com/user/AnonKayThePlan

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

#microconto

Sua vida musical era Dó sem Sol em Si.

Fábio Pedro Racoski

Impessoa

não sou a pessoa certa
não sou seu destino
não sou sua paixão
não sou o hoje
não sou o eternamente
não sou um momento

eu sou a pessoa errada
sou seu tropeço
sou seu erro
sou o amanhã
e amanhã
serei
o amanhã
sou um instante
sou um verso torto
sou sua desculpa
para errar
e por errar

sou seu vício

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 11 de outubro de 2011

#microconto

Beijando-a, comprovou a teoria dos múltiplos universos.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

#microconto

Ele não tinha força para empurrar as palavras garganta afora, mas tinha leveza para dizê-las no toque das mãos.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 9 de outubro de 2011

Versos retratos

eu ia fazer versos
para tentar descrever
sua beleza,
sua paixão,
sua música,
o perfume
das suas palavras.

mas você chegou
e os versos
se tornaram
inúteis.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ela sussurrava implorando para que ele calasse sua boca da melhor forma.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Eu só quero que você me namore como namora minha servidão.

Fábio Pedro Racoski