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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Maldito!

Maldito seja seu ar!
Ele não tem gosto,
não tem cor,
não é nada mais
que ar,
apesar dos seus rótulos
sentimentalmente ridículos.

Maldito sejam seus ouvidos!
A música que eles ouvem
não vem do coração.
São ondas sonoras
que se propagam
de um instrumento sujo,
cheio de bactérias.

Maldito seja seu coração!
Ele não é nada mais
que uma válvula
de bombear sangue.
Não sente, não chora,
não ri.

Malditos sejam seus sentimentos!
Não existe amor,
não existe ódio,
não existe nada
dessas futilidades.
O ser humano
apenas reage
aos estímulos
e aos instintos.

Maldito seja o bentido!
E também o maldito.
Não existe bem ou mal.
É tudo conversa
para tirar dinheiro
e ação.

Ah, maldita seja a poesia,
esse inútil instrumento
de iludir os cérebros
imbecis!

Cesar Miller de Almeida

5 comentários:

  1. NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOSSA
    SENTI INTENSIDADE ! MUITO BOM

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  2. Gostei, uma análise bem diversa sobre fatos que quase ninguém presta atenção.

    Abraço.

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  3. Ótimo! sem palavras. O poema disse tudo que eu queria dizer..

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  4. Ahhh... que mágico, no primeiro verso eu já havia identificado Cesar... hehe

    "O ser humano / apenas reage / aos estímulos / e aos instintos."

    Gostei! MUITO!

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  5. Tento corrigir minha imbecilidade usando de um instrumento que me faz sentir mais imbecil, às vezes!
    É assim mesmo, seu César.

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