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domingo, 2 de janeiro de 2011

Uma menina chamada Luz

Era uma vez uma menina chamada Luz. Tinha 10 anos, feição de anjinho caboclo. Morava numa cidade como as outras: cheia de pessoas indo, vindo, enganando e se enganando.

Os coleguinhas pálidos da escola caçoavam da Luz. Diziam que ela era feia, encardida, que seus cabelos pretos pareciam piche de asfalto. Luz ficava triste, chorava, queria sumir daquela escola pálida, de gente pálida, com almas pálidas. Queria sumir desse mundo pálido e insosso.

Certo dia, em uma das voltas à sua casa, banhada em lágrimas, a mãe de Luz quis saber qual o motivo para tanto choro. “Ninguém gosta de mim, mãe! Dizem que eu sou feia e suja! Quero sumir, mãe! Vamos sumir, mãe?”, dizia Luz, em meio a soluços. Nessa hora, a sabedoria de sua mãe deixou-se mostrar em algumas palavras. “Eles tem inveja de você, filha! Eles queriam ser você, ver você, mas não conseguem viver perto de você, porque estão na escura prisão da ignorância.”

Ouvindo aquelas palavras, Luz encheu o peito de coragem, voltou à escola, onde o silêncio substituiu as zombarias. Silêncio de espanto, respeito: Luz brilhava como o sol, iluminando aquela sala de aula fria e vazia de sentido.

E a menina com feição de anjinho caboclo cresceu. Hoje uma mulher plena, admirada e desejada, Luz segue a brilhar como o sol. Sempre. Mas agora não brilha só.

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