sábado, 31 de dezembro de 2011

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pior

se você fosse
como acredita ser
a pior pessoa do mundo,
estaria enganada,
porque a pior pessoa do mundo
não teria o amor
de alguém melhor
que não é melhor.

e esse amor
não faria de você
seu universo
como acontece.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

#microconto

Seus olhos, o mais belo filme, seu rosto o mais belo poema, e sua vida a perfeita união das artes.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 24 de dezembro de 2011

Tenha um péssimo natal

Que você tenha um péssimo natal!
Que você tenha um péssimo ano novo!
Que as festas sejam horríveis
e a desgraça lhe traga novamente
à realidade!

Que os seus desejos sejam destruídos,
para que você aprenda a agir
e não esperar que os outros
(que às vezes nem existem!)
lhe façam acontecer!

Que sua hipocrisia
se arrebente
em mil pedaços
como floquinhos da neve
que você nunca viu!

Cesar Miller de Almeida

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Não quero ser seu homem

não quero ser seu homem.
não quero ser aquele
que some
quando o dever
- que não existe -
não chama.

não quero ser seu homem.
não quero ser
um momento
isolado
na sua vida.

não quero ser seu homem.
não quero
e não posso
ser o desejo
e a festa
somente.

quero ser seu.
para sempre
e intensamente.
entre quatro paredes,
na rua,
no choro,
do seu lado,
no seu riso,
na louça,
na cozinha,
no abraço,
no beijo,
nas mãos,
na música,
na nossa dança,
aí dentro,
no seu ser
e no meu ser.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

#microconto

Era tão humano com os animais que não sobrava humanidade para os seus.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

#microconto

No Ceará está sua fortaleza a ser defendida com versos.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Além do Equador encontrou seu Oriente.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

No mundo dos seus olhos, conheceu o universo.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ela foi dormir e ele, fechando os olhos, acordou para o amor.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

E entre tantas vozes, seus olhos falavam mais alto.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Eles só querem um ao outro, e são ambos.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 18 de dezembro de 2011

Amigos

quando não vejo você
milhares de anos-luz
cabem em alguns
quilômetros.

mas quando vejo você
milhões de anos-luz
e galáxias sem fim
cabem no seu
delicioso
e aconchegante
abraço
que fica em mim
para sempre.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Algoz de mim

quando sou perverso,
quando sou maldito,
quando sou omisso,
quando sou cruel,
quando sou vil,
quando sou sanguinário,
arranco minhas entranhas
e, aos poucos,
assisto a sofrida e dolorosa
morte de mim mesmo,
sem sequer estender-me a mão.

Fábio Pedro Racoski

Vigiando

se a melancolia
aparece
e não se vai,
se a tristeza
invade
sorrateiramente,
se a saudade
chega sem pedir
licença...

diga a elas
que eu estou aqui
e aí,
vendo tudo,
e que vão pagar caro
no sufoco
asfixiante,
apaixonado
e infinito
do meu abraço.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Escreva versos!

Vá! Escreva versos!
Gaste sua futilidade
e seu sentimentalismo barato
em versos que ninguém vai ler!

Vá! Escreva versos!
Talvez você convença
a pessoa bonita que lhe atrai
a uma noite de sexo e incertezas!

Vá! Escreva versos!
Escreva muitos versos
e me deixe fazer algo que preste,
algo que valha, em paz.

Vá! Escreva versos!
Eles são tão medíocres
quanto você!

Cesar Miller de Almeida

domingo, 4 de dezembro de 2011

Resoluções

que o meu sempre
seja o seu agora.

que o meu braço
seja o seu abraço.
que o meu eu
seja todo seu.
que as estradas
da poesia
me levem
sempre
ao seu destino.
que a presença
na distância
seja o aconchego
no encontro.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Durma

durma.
fico aqui
guardando,
admirando
e sentindo
seus sonhos
pelos poros
da minha pele.

durma.
fico aqui
com você
do meu lado,
nos meus olhos,
aqui dentro.

durma.
fico aqui
esperando
que o tempo
se perca
na esquina
e me deixe
viver esse momento
eternamente.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O avesso

sou o avesso da princesa,
o reflexo escuro no espelho.
sou o contrário da donzela
que espera pelo príncipe
encantado.

sou o avesso da mocinha
que precisa ser salva.
sou o contrário da menina
que busca o masculino
para fazer-se mulher.

sou o avesso porque existo
e não quero
inexistir
em sonhos vãos.

não há lugar
no conto de fadas,
não há beleza plácida,
elegância contida,
ternura fria,
paixão distante,
final feliz.

A Ruiva Diz e
Fábio Pedro Racoski

domingo, 20 de novembro de 2011

Um tudo

um gesto,
um verso,
um poema
cinza e seco
para um universo
em forma de mulher.

uma voz,
um aceno,
uma seresta
para a festa
da vida em um sorriso.

um poeta,
pobre
e vagabundo,
para você
abraçar
e fazê-lo
reviver.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 19 de novembro de 2011

Eu no Youtube... =/

Então... Resolvi iniciar um canal de poesia no Youtube. A primeira "vítima" das minhas composições é o soneto "Versos públicos" (sim, parafraseando Augusto dos Anjos!).

Eis aqui o vídeo (não se assuste: sou eu mesmo).

O poema está neste post: http://www.racoski.com/2009/06/versos-publicos.html

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

#microconto

Ele queria um amor instantâneo e devorou uma paixão crua.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

#microconto

Ele queria se encontrar nela, mas não sabia como fazer-se localizável.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Intrínsecos

você quer
que eu te esqueça,
que eu suma,
que eu te deixe,
que eu desista,
que eu morra.

mas como posso
amputar
você de mim?

Fábio Pedro Racoski

domingo, 13 de novembro de 2011

Às artistas

Hoje, numa tarde chuvosa, cinzenta e fria de Curitiba, saí para ir ao teatro. Eis que tudo ficou colorido, lindo, comovente. Os responsáveis foram todos os envolvidos na peça "Meu Pequeno Príncipe", que encerrou neste domingo, com chave de ouro, uma série de apresentações no Teatro Bom Jesus.

Não sou crítico de teatro, tampouco pretendo sê-lo ou me atrever a tal - é certo que também não tenho tanto conhecimento desta arte para tanto! O relato é pessoal: um musical infantil, inspirado na incrível e tristemente subestimada fábula de Saint-Exupéry, "O Pequeno Príncipe". Também um trabalho com jovens atores, mostrando o que é ser ator (principalmente para quem está acostumado com os "monstros sagrados" da televisão). Mas, para mim, um motivo de muita felicidade por duas pessoas presentes naquele palco: Amanda Leal, que conheci recentemente e de quem me tornei fã, e Keila Aquino, minha vizinha, que vi crescer, para quem dei aulas ainda quando eu era um péssimo professor, e de quem também sou fã. Foi muito bom ver que, apesar de eu ter sido um profissional medíocre e um mestre negligente, ainda assim, não minei o talento individual da Keila, e espero que seja assim com outras das minhas "vítimas" de quatro anos atrás.

Todas estas lembranças na mente, a admiração pelo belo trabalho de jovens artistas talentosos, o show da Amanda e da Keila narrando a história (estavam ótimas!)... Claro que chorei. Muito. Lá, depois, agora, enquanto escrevo. Mais que um choro de comiseração ("mimimi") por meu passado relapso e descompromissado como professor, a comoção foi um "mix" de sentimentos: felicidade por elas (grandes estudantes e trabalhadoras da arte), por mim (que já não sou um profissional ruim, como antes), simpatia com o clima da peça (a criança que ainda sou!) e, claro, pela peça em si, maravilhosa.

Bom, esse é meu desabafo. E a "inveja branca" (como ouvi chamarem a inveja construtiva!) que tenho dessa turma está me motivando a ousar mais um pouco na minha jornada para publicar meus dois livros. Além do canal de recital no Youtube, projeto que deverá sair "do papel" logo.

Recomendo alguns links para vocês:

Twitter da Amanda: @amanda_leal
Blog da Amanda: circunstanciaqualquer.wordpress.com
Twitter da Keila: @keilaaquino
Blog da Keila: keilaaquino.wordpress.com
Twitter da Companhia de Teatro Baobá (da qual Amanda e Keila fazem parte): @ciabaoba
Matéria do Bem Paraná sobre a peça "Meu Pequeno Príncipe".

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O problema está na carapuça

A Ruiva Diz

Odeio ser repetitiva, mas às vezes é irresistível.

Há algum tempo, foi publicada uma pesquisa que liga a infidelidade masculina com o QI mais baixo. Logicamente despertou interesse e virou assunto, foi tuitada a exaustão e divulgada em todos os grandes portais do país. Até aí, tudo bem.

Mas será que ela tem relevância para virar até pauta do Bom dia Santa Catarina, com direito a entrevista com psicólogo, dias depois da publicação? (Pelo que fiquei sabendo, foi pauta de outros programas também).

Pelo jeito sim, e aí entra a história da carapuça.

Muitos homens se ofenderam, se sentiram chamados de burros (o que pode ser uma prova cabal de que realmente o são) pois são infiéis confessos ou não. Vestiram a carapuça total. E isso gerou o burburinho e não a pesquisa em si. "Como nós, copuladores, pegadores e infiéis praticantes, tão espertos na hora de mentir, manipular e inventar desculpas para suas (seus) parceiras(os) podemos ser chamados de burros? Heresia! Agressão!"

Soa patético colocado assim?

Então vamos superar essa mediocridade de sentirem-se ofendidos nos direitos de machos.

Pessoas traem porque são burras, eu acredito nisso e nunca precisei de pesquisa para afirmar.

Não tenho embasamento científico pra defender ou atacar o resultado da pesquisa, mas acho que a inteligência e o desenvolvimento humano estão sim ligados à fidelidade.

Pessoas inteligentes sabem o que querem, por isso quando estão em um relacionamento são fiéis à sua opção. Porque pessoas inteligentes são coerentes.

Pessoas inteligentes são bem resolvidas, se não querem mais saem da relação e não a destroem com desrespeito e mentira, ou perdem tempo permanecendo numa relação por desculpas esfarrapadas.

Pessoas inteligentes não agem unicamente pelo instinto de cópula, por isso são mais seletivas sim. Tem critérios em suas escolhas.

Pessoas inteligentes sabem que são livres para fazer suas escolhas, mas também entendem as implicações éticas e emocionais associadas a elas.

Pessoas inteligentes estabelecem pactos em seus relacionamentos que sejam compatíveis aos seus valores, porque sim... pessoas inteligentes tem valores.

Vamos pensar a inteligência além do teste de QI, ela se espalha por todo o ser, em todo seu comportamento, também é emocional e profissional.

Quando eles falam que a tendência é a diminuição da infidelidade estão apostando na evolução do raciocínio, da igualdade entre os casais, da liberdade individual.

Ahhhhhhhh e para deixar bem claro: pessoas são homens e mulheres.

Suas palavras

suas palavras
são doces,
meigas,
quentes,
azuis,
amarelas,
safadas,
cinzentas,
refrescantes,
sábias,
inocentes,
reveladoras,
insinuantes.

suas palavras
são vivas,
nascidas
agora
num tempo
eterno.

suas palavras
são mágicas,
são reais,
são poesia,
são femininas.

Fábio Pedro Racoski

Palavras soltas ou não

Um discurso proferido
tem intuito de interferir
no discurso futuro
dos receptores
do discursante,
num crescente
parado
só com a revolução.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

#microconto

E são dois, e são um, e são mil entre quatro paredes.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Não vou viver

Não vou viver angustiada
entre o seu não
e o seu talvez.

Não vou viver sem rumo
entre o seu amanhã
e o seu nunca mais.

Não vou viver suja
da sua lama
e embriagada
da sua limpeza neutra.

Não vou viver espremida
entre o que você sabe
de si mesmo
e o que tem dúvida.

Saio do meio
na esperança
de que as duas forças
se colidam
e, quem sabe,
você se encontre.

A Ruiva Diz e
Fábio Pedro Racoski

Presente

e num sorriso
acompanhado
de olhos tão brilhantes
quanto a lua cheia,
enxerguei
toda a beleza
divina
e humana.

e quem, enfim,
foi presenteado?

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Passa a poesia

Seus olhos me chicotearam
e me cortaram
da testa aos pés.

Seus passos me prenderam
e me fizeram
seu zumbi de revés.

A poesia dos seus quadris
deixaram meus olhos imbecis,
tolos, apontando onde não
foram convidados.

A música da sua respiração
roubou-me a lógica, a razão
e me deu essa paixão
de lábios molhados.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Uma hora

uma hora
vou rever
todos os meus amigos
do passado.
versos e fotografias
colados na memória
e derramados no pranto
da saudade.

uma hora
vou refazer
o livro rasgado
do meu presente.
um romance
fantástico,
triste, romântico,
quixotesco,
único.

uma hora
vou conseguir
rearranjar
todos os meus pedaços
que agora se espalham no chão
e essa nova
organização
será mais bonita
e sólida.

Composição de
Fábio Pedro Racoski
e A Ruiva Diz. (Link para o mote)

sábado, 29 de outubro de 2011

Soneto fado

Foto retirada daqui.

Eu quis cantar-te um fado em meu sofrido
e triste peito, alçá-lo à voz de ouvido,
e ser cativo em ti, liberto em mim,
vivendo à luz do amor eterno sim.

Mas sou poeta mudo para ti?
Ou tu não és ouvidos para meu
sangrado verso? Em prantos dei-me a ti
e foste embora ao som do fado meu.

Eu quis cantar-te um fado, e ele surgiu
composto em panos verdes, fios dourados,
teu rosto, verso só que me feriu,

matou-me e, assim, trouxeste a mim de volta
a vida bela além dos salvos prados
e vivo, agora, em ti, a sã revolta.

Fábio Pedro Racoski

Occupy

Imagem retirada daqui.

occupy streets,
occupy avenues,
occupy squares,
occupy cities,
occupy provinces,
occupy countries...

but first of all
occupy your
empty
and starveling
brain.

Fábio Pedro Racoski

Un amor gitano

Foto retirada daqui.

Un amor gitano,
de acento rumano,
me viene al oído
cantando sentido.

Pasión instantánea
más que momentánea,
colgada en el pecho.
Amor que cosecho.

Un amor carnal
de acento mundial.
Se ha vuelto razón
bajo la ilusión.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Era poetisa. Escrevia versos em seu corpo.

Fábio Pedro Racoski

Minha mulher

minha mulher,
manda-me, mata-me,
move-me, motiva-me,
muda-me, madura-me,
mostra-me, música.

minha mulher,
mais maravilhosa
máquina mágica,
motivo maior,
musa menina
mulher
modelo
mística.

minha mulher,
mínima
máxima,
maestra
mestra,
moleca,
malícia,
magistral.

minha mulher,
mundo meu,
meu multiverso,
meu mote.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

#microconto

Sua paixão, totalitária. Seu amor, anarquista.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

#microconto

 Procura-se uma paixão. Recompensa: muito amor.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sou sozinho

como posso querer
companhia?
sou sozinho
desde sempre.
sou não-par
desde sempre.
sou eu sem nós
desde sempre.

sou sozinho
e a angústia
de ser sozinho
já não me angustia
mas me diverte.

sou sozinho
e isso me faz rir
quando a cidade
cobra o contrário.

sou sozinho
e quando tentei
ser diferente
causei danos e feridas
como um fogo amigo
durante a guerra.

sou sozinho,
sou mortal,
sou tardio,
sou frio,
sou cinza,
sou triste.

sou eu.
não, não queira sê-lo.

Fábio Pedro Racoski

Um poema safado

queria escrever um poema
sem vergonha,
safado,
daqueles que deixam
as bochechas da menina
vermelhas
e fazem os rapazes
arquitetar sonhos.

mas você apareceu,
e eu não consigo mais
tirar esse poema safado
do meu olhar...

Fábio Pedro Racoski

Tudo e ainda mais

há um mundo
lá fora.

há uma galáxia
aqui dentro.

há um universo
nos teus olhos.

e há um multiverso
em nosso beijo.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ele a cercava, por todos os lados e, assim, ela não o encontrava.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 22 de outubro de 2011

#microconto

Decidiu cruzar a pé o Saara, pois já havia habitado sozinha um deserto de sentimentos.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CCCC - Edição I - Outubro de 2011

Um projeto de jornal, abandonado. Eu quis continuar, com meus textos informativos. Assim nasceu o CCCC (Curta Cultura na Cidade de Curitiba).

Como o próprio nome diz, é um informativo cultural de Curitiba (não confundam com agenda cultural). A princípio, ele terá circulação na forma de mural, em duas escolas públicas (Avelino Antônio Vieira e Guaíra), e publicação aqui, no blogue deste que vos escreve. Nossa primeira edição é sobre a Hora do Conto, evento voltado ao público infantil que acontece na Biblioteca Pública do Paraná, ACOMPANHEM!

Curta Cultura na Cidade de Curitiba

Contadores de letras
Acadêmicos mostram o mundo lúdico da biblioteca às crianças

por Fábio Pedro Racoski

A Hora do Conto é um evento realizado na seção infantil da Biblioteca. A cada semana, de segunda a sábado, crianças e adultos podem vir, de graça, acompanhar o teatro de bonecos que faz uma releitura de fábulas clássicas, explora diversas literaturas, textos autorais, tudo pensado no universo da criança.

Amanda Leal, estudante de Produção Cênica na UFPR, conta mais sobre a Hora do Conto:

A Hora do Conto é pensada como uma atividade lúdica, com o intuito de chamar as crianças para dentro da biblioteca e mudar aquele pensamento de que este espaço é um lugar de repressão. “Se o aluno bagunça, fica de castigo, vai para a biblioteca”. Queremos apagar essa imagem negativa, carregada. Por isso buscamos realizar atividades mais lúdicas, como a Hora do Conto, aulas de xadrez, de mangá, uso dos computadores... Com o teatro de bonecos, trabalhamos aquelas histórias que as crianças já conhecem, como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho, mas sempre buscamos ir um pouco além, adaptando-as para um contexto atual – colocando piadinhas, referências culturais da geração atual, como Justin Bieber e Lady Gaga, por exemplo.

Amanda conta que já trabalharam o texto de um autor curitibano, Almir Correia, num teatro de sombras: “O menino com monstros nos dedos”. O próprio autor esteve lá, assistiu à peça, conversou com as crianças. Também conta que há alguns personagens fixos, como os velhinhos narradores e o burro, com os quais as crianças se identificam. “As crianças dizem: cadê o burro? Vim pra ver o burro!”, conta.

Eles mesmos, estagiários e acadêmicos principalmente da área de artes, fazem o trabalho de pesquisa, escrevem as adaptações (ou trabalhos originais, como já ocorreu), confeccionam os bonecos... “A gente faz um trabalho conjunto”, relata Amanda. Ela exemplifica:

Eu trabalhei com Os Músicos de Brêmen. Peguei vários livros, e como é uma história clássica, encontrei várias versões. Pesquisei, adaptei, pensei na narrativa, nas brincadeiras, pensei no narrador, nos fantoches... Também busquei como posso traduzir tal situação da história contada num teatro de fantoches, sem cenário, com poucos recursos. E isso tudo conseguimos em conjunto.

A Hora do Conto acontece na BPP, mas Amanda e seus colegas já se apresentaram em outros locais, quando convidados. “Só depende de agendar e confirmar conosco”, diz Amanda.

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HORA DO CONTO

De segunda a sexta, às 11h e às 15h; aos sábados, às 11h. Entrada franca.
Biblioteca Pública do Paraná - Seção Infantil
Rua Cândido Lopes, 133 - Centro (Curitiba, PR)
Telefone: (41) 3221-4980

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

#microconto

Ele passava ali todos os dias, só para ver aqueles olhos cheios de fogo exclusivo.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quem nunca?

quem nunca
acertou uma quina
com os dedos do pé?

quem nunca
tomou choque
quando bate o cotovelo?

quem nunca
ficou sem papel
no banheiro?

quem nunca
soprou garrafa
pensando ser flautista?

quem nunca
foi ridículo
na música, na moda, no amor?

quem nunca
se fodeu
de verde, amarelo, stars and stripes?

quem nunca
preferiu o sonho
a quem se sonhou, ao vivo?

quem nunca
foi rebeldezinho
sem saber por onde?

quem nunca
se apaixonou
por alguém mais velho?

quem nunca
sentiu a cabeça explodir
por uma paixão?

quem nunca viveu
nada disso
simplesmente
passou.

Fábio Pedro Racoski

Um sozinho

um sozinho
sou eu.

um sozinho
solitário
sou eu
com você
sem você.

dois solitários
somos nós
sem nossos
vocês.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Sua pena de morte foi viver, sem ela, uma vida que não vale a pena.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 16 de outubro de 2011

Eu te amo. MENTIRA!

Eu te amo.
MENTIRA!
Eu quero despejar em você
minhas necessidades sexuais.

Eu te amo.
MENTIRA!
Eu quero prazer, conveniência,
elevar meu ego exibindo seu corpo.

Eu te amo.
MENTIRA!
Eu quero comida, sexo,
quero uma desculpa para ter.

Eu te amo.
MENTIRA!
Quero é ter alegria com você
e ir embora, pra não ficar
com o prejuízo.

Cesar Miller de Almeida

Não é

Não é sua camisa
manchada de mim
e nem seu perfume
que compra meu sim.

Não é seu poema
que invade meu eu
e nem o seu vinho:
seu beijo tão meu.

Não é sua força
que me faz voar
e nem seu calor
que faz delirar.

Não é sua chuva
de voz ao ouvido
e nem sua canção
de peito ferido.

O que me faz ficar assim,
tão apaixonada e saudosa,
é ser você dentro de mim,
é ser seu verso em minha prosa.

Ana Luiza Lem

Sorrio

óleos,
cremes,
perfumes,
prata,
ouro,
troféu,
prêmio...

não preciso de nada disso
se tenho
seu maravilhoso
e sincero
sorriso.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 15 de outubro de 2011

Revolução, em Curitiba.


Este dia 15 de outubro foi marcado com manifestações em várias cidades pelo mundo afora. Os manifestantes protestavam contra a corrupção, por uma democracia real, por um governo diferente, pelo fim dos governos, enfim, por uma nova ordem, uma revolução que estamos assistindo. Teve seus primeiros gritos na África árabe (Tunísia e Egito), estendeu-se pelo Oriente Médio, ecoou na Espanha e agora toma o Mundo.

Escadaria da UFPR. Ponto de início.
As manifestações foram idealizadas pelo grupo Anonymous (caracterizado pelo uso da máscara de Guy Fawkes, popularizada pelo filme "V de Vingança", adaptado do gibi de mesmo nome). Aqui, em Curitiba, cidade de 1 milhão e 800 mil habitantes mas tão provinciana quanto uma pequena vila interiorana protestante típica de filmes estadunidenses, houve um pequeno eco do que acontece no resto do mundo, com cerca de duzentas pessoas presentes.

Fonte da Praça Santos Andrade pintada do "vermelho do sangue dos mortos pela corrupção e pelo Estado".

A Marcha Contra a Corrupção abordou principalmente este tema, mas também a questão de Belo Monte, Zeitgeist, voto livre. Teve início na frente do prédio histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade; seguiu até o impostômetro da Associação Comercial do Paraná e continuou até os prédios públicos de Curitiba: a Prefeitura Municipal e o Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná.

Às 14:24 e 7 segundos, o impostômetro marcava 1 trilhão, 133 bilhões, 459 milhões e 579 reais de impostos pagos somente este ano. E crescendo...

Pode-se pensar que são apenas rebeldes sem causa, ou que protestavam ali apenas por protestar. Mas o fato é: há uma revolução, histórica, viva, de caráter mundial, sem religiões, bandeiras partidárias ou falsas promessas arquitetando. Duzentas pessoas debaixo de chuva numa Curitiba provinciana já é uma vitória. E mais duzentas, trezentas senhorinhas curitibanas "fofocando", como uma com quem conversei no terminal de ônibus, admirada e feliz por ver que "os jovens enfim estão pensando"... Ah, espero que isso só aumente!


Manifestantes em frente ao prédio Banco Central, obra superfaturada em 2,4 milhões de reais, segundo Anonymous.

Uma parada em frente à Prefeitura.

Praça Tiradentes e a Catedral Metropolitana de Curitiba




E você em casa... Detalhe: estava chovendo.

EDITANDO - Alguns links interessantes:

http://www.whatis-theplan.org/
http://youtu.be/aIsTd9WIRKU
http://youtu.be/seTFCyvxMU8
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anonymous
http://www.youtube.com/user/AnonKayThePlan

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

#microconto

Sua vida musical era Dó sem Sol em Si.

Fábio Pedro Racoski

Impessoa

não sou a pessoa certa
não sou seu destino
não sou sua paixão
não sou o hoje
não sou o eternamente
não sou um momento

eu sou a pessoa errada
sou seu tropeço
sou seu erro
sou o amanhã
e amanhã
serei
o amanhã
sou um instante
sou um verso torto
sou sua desculpa
para errar
e por errar

sou seu vício

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 11 de outubro de 2011

#microconto

Beijando-a, comprovou a teoria dos múltiplos universos.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

#microconto

Ele não tinha força para empurrar as palavras garganta afora, mas tinha leveza para dizê-las no toque das mãos.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 9 de outubro de 2011

Versos retratos

eu ia fazer versos
para tentar descrever
sua beleza,
sua paixão,
sua música,
o perfume
das suas palavras.

mas você chegou
e os versos
se tornaram
inúteis.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Ela sussurrava implorando para que ele calasse sua boca da melhor forma.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Eu só quero que você me namore como namora minha servidão.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

My old friend

o silêncio é um velho amigo
daqueles que,
quando aparecem,
odiamos por sua sinceridade
e porque sempre estão
a par da nossa vida.

Fábio Pedro Racoski
(Um comentário sobre "Ode ao ódio",
da Nanda Gregório,
que virou poema)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

#microconto

As palavras lhe fugiam da garganta e corriam para as mãos.

Fábio Pedro Racoski

Procrastino

amanhã, amanhã...
por que não hoje?
meus pés seguem
atrás de pouso
e o pouso
já ficou para trás.

amanhã, amanhã...
por que não hoje?
de tanto deixar
tudo para depois
me tornei
um depois humano.

amanhã, amanhã...
por que não hoje?
o amanhã está
num lugar onde
minha inexistência
inexiste.

amanhã, amanhã...
por que não hoje?
mas o anjo
de olhos negros
e mágicos
me levou pela mão
tempo afora
até o hoje.

e me encontrei.

Fábio Pedro Racoski

Revelando

vou revelar
o que você não via.

vê agora?
meu coração
escancarado
e desavergonhado
todo pra você.

Fábio Pedro Racoski

À nova moda antiga

um abraço apertado
e um beijo na bochecha
já foram alguns.

vamos ao próximo
sonho sonhado
a ser realizado.
quem sabe?

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Laika e os alienígenas que ouvem cachorros

Certa vez, uma civilização que ouve cachorros decidiu lançar uma expedição rumo a um estranho planeta azul, visto por seus telescópios.

"Deve haver seres magníficos naquele planeta!", disse o chefe da expedição. E lá foram, cruzando o infinito vazio do Espaço e viajando pela Galáxia. Passaram por vários planetas, gasosos, rochosos, todos frios, mortos, desabitados de vida. Maravilharam-se com as cores infinitas pintando o preto infinito.

Até que chegaram ao seu destino: o sistema estelar que abrigava o lindo planeta azul. "É magnífico mesmo! Que belo! Deve haver uma civilização muito evoluída aí!", disse o poeta que acompanhava a expedição. "É impossível um planeta tão belo abrigar uma civilização atrasada e rude", completou.

Era novembro de 1957, em um dos muitos calendários utilizados naquele planeta azul. Por uma fantástica sorte, avistaram uma pequenina nave, com um cachorro dentro. "Estão mandando as boas-vindas com um cachorro, o carinhoso e fiel guardião das civilizações!", disse o biólogo. Impossibilitados de dialogar com "o mensageiro", por questões técnicas, conseguiram apenas ouvir um estranho e desesperado lamento, abaixo transcrito:

"Por que minha casinha está aqui, voando que nem pássaro? Estou com medo! Isso é estranho, estou me sentindo mal. Por favor, me tirem daqui! Eu não sei o que fiz de errado, mas vou aprender a ser uma boa menina. A Laika vai ser uma boa menina! Olha, eu juro que não roubo mais os ossos que sobraram do almoço. Mas me tirem daqui, por favor! Eu juro que não vou estragar essa bola azul que está aí fora. Ela parece boba, não tem nada de divertido nela. Mas me tirem daqui, por favor! Eu estou assustada! Eu juro que vou ser uma boa menina! Por favor!"

Assim terminava sua estranha mensagem. Em meio a lágrimas, a expedição percebeu que aquilo não era um comitê de boas vindas, mas uma bárbara e brutal cena de tortura, até a triste morte daquele nobre ser. Ficaram desolados, atônitos, sem reação: nunca haviam presenciado uma cena tão violenta quanto aquela. "Que tipo de civilização é capaz de fazer isso? Não, a guardiã Laika está certa: não há nada de divertido ali. Apenas seres insanos que, se são capazes disso aqui em cima, imaginem o que fazem lá embaixo?", concluiu o oficial tradutor.

A nave foi embora e o chefe da expedição reportou o ocorrido aos seus líderes, que recomendaram a todos os seus contatos que fiquem bem longe daquele triste, brutal e bárbaro planeta azul. E assim, a civilização que ouve cachorros nunca ouviu nem viu outros seres daquele planeta.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 11 de setembro de 2011

Me odeie

me odeie!
por favor, me odeie!
preciso do seu ódio
como quem precisa
de uma porrada
pra saber
que ainda tem vida
correndo nas veias.

me odeie!
seu ódio
é minha certeza
de que não sou
um tanto faz
na multidão.

me odeie!
já sou amado,
mas preciso ser
odiado
pra saber
que sou sentido.

me odeie!
com todas as suas forças,
com toda a sua voz,
com todo o seu desgosto.
pois não vão ser
o suficiente.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 3 de setembro de 2011

É tão fácil dizer eu te amo

*Inspirado na música "Amor", da banda Incatenare.

É tão fácil dizer eu te amo,
gritar, cantar,
abrir os braços
e fazer as mesmas
declarações bregas,
cafonas, padronizadas
e apaixonantes.

É tão fácil dizer eu te amo
e calar qualquer resposta
com um beijo apertado.

É tão fácil dizer eu te amo
quando se sabe que a resposta
será igual, por conveniência.

É tão fácil dizer eu te amo.
E é tão difícil
falar que eu te amo.
É tão difícil
proibir meus olhos
e meu corpo
de extravasar
esse amor...

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Uma pessoa amiga

ei!
olhe para a frente!
não sufoque
as lágrimas,
elas vão cair
e molhar o chão.
meu chão também
está molhado.

mas ei!
olhe para a frente!
está pesado
esse mundo todo
nas costas, não?
mas agora
pesa a metade.

ei!
olhe para a frente!
mesmo sem ver
meu riso,
meu choro,
minha força do seu lado,
você sabe
que estou aqui,
de braços,
abraços,
corpo
e alma.
sempre.

porque você
é meu tudo.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Atriz

mil vidas
em uma só
e mil corações
em um só
atriz...
ah, a atriz...

mil sentimentos
nesse meu coração
vagabundo,
único,
plateia
de tantas plateias,
aplauso
de tantos aplausos,
história
de tantas dramaturgias...

sangue, suor,
lágrimas e luzes
escuro depois
dias e noites
atriz...
ah, a atriz...

Fábio Pedro Racoski

domingo, 14 de agosto de 2011

Pensamento tosco do dia

A vida é como um desodorante roll-on: quando você pensa que tem pouco, ainda tem muito. E quando você pensa que tem muito, acabou.

Midei Shempaz

sábado, 13 de agosto de 2011

O Grande Ditador

A lei de Direitos Autorais já permite, entre outras coisas, assistir a "O Grande Ditador", de Chaplin, na íntegra, dentro do Youtube.

ASSISTAM. É um filme histórico, tocante, simplesmente maravilhoso.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

#microconto

Ela chegou, trazendo um triste adeus à saudade.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

#microconto

Seu sim era a negação que ela tanto esperava.

Fábio Pedro Racoski

Cardiaraldite

Meu coração
em pedaços
precisa de sua cola
em verso vivo
de vermelha paixão
pra voltar
a ser um,
pulsando
no ritmo
do seu.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 6 de agosto de 2011

Mother Enola

What you did, my Little Boy?
They were mothers like me,
they were sons like you,
they were poor soldiers
under the will
of tyrants,
like us.

What you did, my Little Boy?
While I was making
your favourite pie
you've planted
the death flower.
Damn flower:
you ruined my life.

What you did, my Little Boy?
"By the honor and the glory
of my country, mom.
That's my business",
you told me.
Is your business
to be a murderer?

What you did, my Little Boy?
You killed hundreds of brothers
and I die a bit
together with them.
And I lost a bit my son
for the Stars
and Stripes.
Damn the Stars and Stripes.
FOREVER.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

#microconto

A cartomante descobriu a inicial do nome do amor da minha vida. "N". De "Ninguém".

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Saudade

Saudade de quem foi.
Saudade porque fui.
Saudade que me dói,
por minhas veias flui.

Saudade que se sente
quando à memória vem
um tempo sorridente
que eterno se mantém.

Saudade é vida, pois,
nostalgia de outrora,
de quando éramos dois
e não um, como agora.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Versos satânicos (ou santos)

Meus versos satânicos
são tão satânicos
quanto versos santos.
Falar do diabo é o mesmo
que falar de deus.
Concatenar versos
ridículos,
vazios e estúpidos,
repletos de palavras
carinhosas
e patéticas...

Ah, isso é tão inútil
quanto as fezes
que você manda
privada abaixo!

Cesar Miller de Almeida

domingo, 31 de julho de 2011

Uyara

Uyara canta
e encanta
minha alma
em desencanto.
Rouba-me para seu
rio de voz
que corre
em direção
ao mar de corações.

Uyara dança
e balança
minha emoção
outrora nula.
Rapta meus sentidos
e me faz flutuar
no espaço
que já é todo
música.

Uyara bela
me revela
mais um ouvinte,
mais um fã,
mais um
apaixonado
poeta torto
mendicante
suplicante
de sua onipresente
presença.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A beleza de um corpo

cada ângulo
revela um brilho
diferente
do mesmo ouro.

cada imagem
revela quando esconde,
sugere quando revela.

cada olho
recebe a luz
que deseja,
que precisa,
que não vê,
mesmo que cego.

cada gota
do meu sangue
corre no ritmo
de um coração que palpita
quando te vê.

cada pedaço
da minha alma
despedaçada
volta a formar
um ser de paixão,
pela paixão.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 27 de julho de 2011

360

você chegou
com seu abraço
e em seus braços
fiquei sem chão

mas aprendi
a voar
só pra ficar
do seu lado

mas aprendi
a sumir
só pra aparecer
dentro de você

mas aprendi
a voltar
só pra matar
a saudade
da melhor forma

Fábio Pedro Racoski

domingo, 24 de julho de 2011

Minha revolução absolutista

eu, carrasco de mim mesmo,
aquele que nunca foi vítima
dos próprios crimes
senão seu mentor
e autor,
sentencio a abolição
do machado
que me trava,
da forca
que me cala
e das amarras
que não me deixam
abrir as asas.

minha palavra
é minha lei
dentro de mim;
que ela ecoe
ao sabor do vento
que produzo
ao voar.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lá e aqui

lá fora
bombas explodem
e flores calam
os canhões.

aqui dentro
flores explodem
e rosas gritam
as paixões.

lá fora
estátuas caem.

aqui dentro
deuses se erguem.

lá fora
tudo é documentado.

aqui dentro
tudo é sangrado.

lá fora
tudo é fato.

aqui dentro
tudo é verdade.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 20 de julho de 2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ousada

ela é assim,
um quadro do Dalí,
uma música da Janis,
um livro do Bukowsky,
um grafite do Banksy.

ela é assim,
uma dança a dois
entre Josephine
e Nijinsky.

ela é assim,
hippie além do hippie,
punk além do punk,
mulher além das capas.

ela é assim,
além do reto,
além das curvas,
além das malhas,
além das peles,
dentro da pele,
no meu coração.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Aniversário

que seja hoje,
que seja amanhã.
que seja agora,
que seja depois.
que seja instante,
que seja sempre.
que seja alegria,
que seja outro dia,
que seja diamante,
que seja papel,
que seja verso,
que seja beleza,
que seja eterno.

enfim,
que seja você,
versadora e verso,
musa e música.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cheguei tarde

Cheguei tarde.
Não posso lamentar.
Não posso voltar
no tempo
e no espaço
para aí estar
quando precisava
de mim.

Mesmo que fosse
para um abraço,
um afago,
um beijo.

Mas que fosse
para o mundo todo
no sempre,
sem pressa,
sem atraso,
sem ausência.

Será.
Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 28 de junho de 2011

#microconto

Doam-se olhos que muito viram, de um corpo que pouco sentiu.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 22 de junho de 2011

quero estar no mais profundo
e escondido
canto do seu coração
só pra quando
você estiver triste
de morrer
eu cortar o mal
pela raiz
pra quando estiver
feliz da vida
eu conservar
essa festa
pra quando estiver
linda de morrer
eu estar lá,
nesse caso,
o tempo todo.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 19 de junho de 2011

Nunca serei

nunca serei
o homem
que você quer
porque já sou
a vida
que você é.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 18 de junho de 2011

#microconto

E, nos braços dela, morreu. A partir de então, começou a viver.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 13 de junho de 2011

#microconto

Ouvindo uma canção triste, sentia prazer em sofrer, pois queria mal a quem magoou sua amada.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 12 de junho de 2011

Não

Não.
Sigo sozinho,
no meu caminho,
na minha estrada,
na minha viela
particular,
privada,
fechada,
empoeirada
e assustadora.

Não.
Movo um corpo
que prende uma alma
que não sabe sorrir,
que não sabe cantar,
que não sabe olhar
para si mesma
e se apaixonar
entre as ondas
da respiração
e o pulso
que insiste
em pulsar.

Não.
Eu me habituei
a viver
minha existência
não existindo,
não vivendo,
não sendo amor
pra ninguém.

Fábio Pedro Racoski

O namorado

Ele veio com as flores
que compram tantos amores
e querem ter-me cativa
de seu beijo, chama viva.

Ele veio com as rosas
iguais a ele, amorosas,
cheirosas, mas que machucam
a mão e o coração sangram.

Ele veio pra ficar
no meu peito, no meu lar,
bagunçando a cozinha
e arrumando a alma minha.

Ana Luiza Lem

Infeliz dia dos namorados

Infeliz dia dos namorados!
Vá comprar o presente
que é desculpa
para uma noite de sexo
sem censura.

Infeliz dia dos namorados!
Faça tudo de bom
para que a outra pessoa
seja obrigada
a lhe abraçar e beijar
com mais força.

Infeliz dia dos namorados!
Entupa as lojas,
esbarre nos outros casais,
chore sua solidão eterna,
morra com essa mentira.

Não importa o dia:
você sempre será um infeliz autômato
regido por comerciais e costumes
sem sentido.

Cesar Miller de Almeida

domingo, 5 de junho de 2011

(s)eu

não me queira
casado,
namorado,
ao seu lado,
programado,
enquadrado,
engravatado,
reservado.

serei sempre assim,
solto,
caminhante,
em qualquer lugar,
imprevisível,
irregular,
desarrumado,
aberto.

mas seu.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Gente grande

gente grande
gigante
galante
galharda
gananciosa
grande
gargalhada

gente grande
garante gerir
gastando graça
ganhando guerras

gente grande
gulosa
gnóstica
gordurosa
geleira
geográfica
ginástica
gigolô

gente grande
gagá

Fábio Pedro Racoski

domingo, 22 de maio de 2011

Sem palavra

é tão grande
tão simples
tão bom
tão vital
o que sinto
mas não consigo falar
não consigo cantar
não consgio dizer

talvez porque
seja tão parte
de mim
e eu não sei
falar sobre
minha pessoa

ou porque você
está no meu pensamento
assim como a água
que compõe meu corpo
e meu planeta

ou simplesmente porque
ainda não inventei
uma palavra
bonita o bastante
para dizer

Fábio Pedro Racoski

Mexeu com você...

Podem cortar minha pele.
Podem derramar meu sangue.
Podem me ofender,
me xingar,
e eu posso até mesmo
não fazer nada.

Mas se ousarem
fazer algo
contra você,
me transformo
na mais feroz
das bestas violentas.

Fábio Pedro Racoski

Sim

Sim.
Quero você pra mim,
assim,
sem medida,
sem partida,
sem olhar a hora
e o ônibus lá fora.

Agora.
Quero você esta hora,
sem demora
e com pressa
juntos nessa
de não esperar
o mundo acabar.

Aqui.
Quero você ali,
aqui.
Em todo lugar.
Porque só sou
eu
se estou
com você.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Homo Rattus

Sou uma decepção ambulante.
Sou uma fraude anunciada.
Sou uma mentira revelada.
Sou um embuste,
uma farsa de mim mesmo.

Sou aquele
que poderia ser
mas não é.
Sou quem
deveria agir
mas não age.
Sou daqueles
que lutam em palavras
mas se escondem
no próprio medo.

Não chego a ser humano.
Sou um estar humano.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 8 de maio de 2011

Semideusa

há algo de bom
em te ver
irritada:
ter a certeza de que
és humana
e que posso te ouvir,
te olhar,
te abraçar
e, assim,
apaixonar-me
novamente.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 4 de maio de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

Meio mundo e mais meio

eu só quero ser candango
lá na ilha de cipango
para erguer uma cidade
à sua felicidade

eu só quero ser baião
lá na terra do ceilão
e correr um continente
só pra te ver sorridente

eu só quero ser eu mesmo
e deixar de ser a esmo
um qualquer sem eu nenhum
pois só com você sou um

Fábio Pedro Racoski

Não perca tempo

Não perca tempo com a poesia.
Não perca tempo com frases
que, quando não são
lamúrias e protestos
da vida vagabunda
de poeta,
são mote para conquistar
uma noite de sexo.

Não perca tempo com paixões.
Você precisa procurar
uma boa parceria econômica e social.
Nada mais.

Não perca tempo com a arte.
Ela não faz nada pela humanidade
mesmo que o humano seja você,
seu quase-macaco.

Cesar Miller de Almeida

Viagem premeditada

de malas fechadas
e coração aberto
eu vou
em busca
dos seus
braços abertos

Fábio Pedro Racoski

domingo, 24 de abril de 2011

Sou mulher

Sangro sem guerra,
morro sem morte,
broto sem terra,
sou firme e forte.
Sou mulher.

Choro sem corte,
rio sem piada,
sou sul, sou norte,
sou bruxa e fada.
Sou mulher.

Sou bela e feia,
sou diferente,
sempre sereia
do mar temente
da vida dura,
vida madura,
divina e bela,
nobre e singela.
Sou mulher.

Eternamente
e simplesmente
mulher, presente.

Ana Luiza Lem

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ay, Deus, hu é mia senhor?

Ay, Deus, hu é mia senhor?
Muy mal fal a meu coraçon
Se non sodes aqui!
Se non sodes aqui!

Ay, Deus, hu é meu coraçon?
Muy ben será, mia senhor,
Se vos sodes aqui!
Se vos sodes aqui!

Ay, Senhor, hu é mia vida?
Ca eu cuid'a vos esperar
Quando sodes aqui!
Quando sodes aqui!

Ay, Deus, hu é meu coraçon?
Como doa esto vos dei
Para nunca partir!
Para nunca partir!

Fábio Pedro Racoski

#microconto

"Eu te amo!", ela disse. Mas ele não sabia ouvir a alma.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 16 de abril de 2011

Vida adverbial

ansiosamente, dolorosamente,
alegremente, primeiramente,
já, não, ontem,
hoje, penosamente, felizmente,
infelizmente, cedo,
tardiamente,
agora, ainda,
amanhã, forçadamente,
pesadamente,
realmente,
ontem,
copiosamente,
eternamente.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Brisa

sabe quando
o vento gelado
sopra num dia quente
e você sente
um arrepio nos braços,
uma carícia no rosto,
uma saudade de dias
às vezes nunca vividos,
uma vontade de cantar
ao sopro da brisa?

então...
é isso que você
me faz sentir.

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Esnobou, disse não, e seguiu em seu caminho vazio, com o ego inflado.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ósculo

o remédio
remediou
minha gripe

a injeção
protegeu
minha saúde

o gesso
manteve firme
minha perna

os pontos
fecharam
meu corte

o pão
alimentou
meu corpo

a palavra
me fez
refletir

e o seu beijo
me fez
respirar,
correr,
pensar,
viver...

seu beijo
é alimento
e razão
para minha
existência
que só existe
porque você
é.

Fábio Pedro Racoski

Ser mínimo

sou aquele
barulho chato
da corda trastejando
no violão

sou aquele desafino
irritante
nos uníssonos da viola

sou aquela nota perdida
sem acorde e sem tempo
vagando pela partitura
do teu coração

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 12 de abril de 2011

Doce e sóbria embriaguez

nem conhaque,
nem absinto,
nem rum.
meu maior entorpecer
é estar respirando
e lendo você.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 10 de abril de 2011

Ana Luiza Lem

Uma poetisa aqui no blogue!

Ana Luiza Lem nasceu em 10 de abril de 1990, na cidade de São José dos Pinhais. Estudou em escola pública, gosta de rimar, escrever sobre a família, os namoros, os amigos mas, principalmente, tem paixão por qualquer poema do Carlos Drummond de Andrade.

Esporadicamente, quando o tempo entre as aulas na faculdade e o emprego numa loja de instrumentos musicais permiti-la produzir e enviar suas obras, publicarei aqui os poemas da Ana Luiza.

Menina crescida

Mãe,
não chores minha partida.
Estarei sempre contigo
nos sorrisos de menina,
no teu materno ombro amigo.

Mãe,
não chores a minha ida.
Mundo gira, vida segue.
Eu cresci, já sou eu mesma,
mulher à paixão entregue.

Mãe,
não chores minha partida.
Tu sabes, mãe, que mais cedo,
mais tarde, quiça amanhã,
voltarei, com esse medo
do mundo que me escondeste,
com o amor que me esninaste.

Mãe,
não chores, serei a tua
menina crescida, gente
grande e pequena o bastante
para em teu peito valente
habitar eternamente.

Ana Luiza Lem

domingo, 3 de abril de 2011

Vida vadia

vida vadia
verossímil
violência
voraz

vida vadia
volátil
vitrificante
vil

vida vadia
vagabunda
vampira
vazia

vida vadia
vênus
velha
vontade
vencida

vida vertida

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 31 de março de 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bilocação

às vezes desejo
ser onipresente
para estar aí
quando você precisa
e eu não estou.

se não posso
abraçar,
se não posso
confortar,
se não posso
estar aí,
fique com meu verso
que é braço
do meu abraço,
que é alegre
porque é seu.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 27 de março de 2011

TECNOLOGIA

╔══════════════════════╗
║      TECNOLOGIA      ║
║     TECNOCRACIA      ║
║     TECNOLATRIA      ║
║      TECNOGONIA      ║
║      TECNAGONIA      ║
╚══════════════════════╝

Fábio Pedro Racoski

#microconto

Cruzaram-se no corredor, trocaram olhares e seguiram para suas respectivas vidas incompletas.

Fábio Pedro Racoski

Sinto

eu posso errar,
mas o que sinto
é certo.

eu posso falhar,
mas o que sinto
é infalível.

eu posso calar-me,
mas o que sinto
é gritante.

eu posso não sorrir,
não mover-me,
não dizer,
mas ainda assim
eu te sinto.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 25 de março de 2011

Japão

quando alguém em outra terra
faz em ti felicidade
aí podes entender
a extensão de uma saudade

quando alguém além do toque
faz em ti imensidão
aí podes perceber
que não, não tens solidão

nesse mundo tão gigante
de vazio onipresente
o meu caminho se encontra
além do meu continente

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vento do mar

o vento
que vem
do mar
arranca meu chapéu
bagunça meu cabelo
acompanha a maré
e joga areia em mim
mas eu gosto
de uma forma
incrível
e eterna

assim
eu gosto
de você

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 14 de março de 2011

Ser poeta

o poeta não escreve frases
o poeta não encaixa rimas
o poeta não fabrica versos
o poeta não vomita cantos

poeta que é poeta
sangra poesia
até morrer
e renascer
no poema

Fábio Pedro Racoski

sábado, 12 de março de 2011

Sintel

Sintel (produzido por Ton Rosendaal, dirigido por Colin Levy e com roteiro de Eshter Wouda) é um curta-metragem de animação, produzido pela Fundação Blender. Inteiramente feito com softwares livres, o curta mostra a força da "geração Linux" (que usa, cada vez menos, programas proprietários, como os produtos da Microsoft).


Eu poderia escrever muito mais apenas sobre a questão do software livre. Mas quero comentar sobre o curta em si: uma belíssima animação, uma história tocante, bonita, com sons e trilha sonora bem encaixados. Guarde 15 minutos do seu dia para assistar a Sintel: um conto sobre a vida e o tempo que não vemos correr por uma obstinação. É bom ver um filme assim, feito de forma independente e com baixo custo, em meio a um cinema mercadológico de milhões de dólares.

Há o vídeo aqui, mas recomendo vê-lo na página do Youtube ou baixá-lo, em maior resolução (e também com as legendas) no site.

No site do projeto, há a opção de comprar 4 DVDs, que trazem o filme em NTSC, PAL, inúmeros extras, e todo o código fonte do curta (você pode fazer um "remake" ou uma obra derivada em casa!).

Para saber mais sobre o curta: es.wikipedia.org/wiki/Sintel_(film) (em espanhol)
Site do projeto: www.sintel.org

terça-feira, 8 de março de 2011

Hey woman

Hey woman,
I'm uncertain
but I think if I don't love you,
I am not a man.

Love you like a brother,
love you like my mother,
love you like a lover.

Hey woman,
I'm not sure
but I think, I feel that your soul
is my port secure.

Love you like a brother,
love you like my mother,
love you like a lover.

Hey woman,
I see the sky above
but God is not there, he's here.
You, Goddess, my love.

Fábio Pedro Racoski

Mujer

Yo
Podría cantar
tu historia
de llanto, sangre
y sufrimiento.
Podría contar
de tus días
de lucha, pasión
y protestas.
Quizás podría
hablar de tus
heridas abiertas
por monos tontos
que se llaman “hombres”.
Quizás podría
decirte
cómo te quiero.

Pero yo
puedo, debo y quiero
donarme a ti.
Eres mi todo
y de ti necesito
para tener
un alma.

Fábio Pedro Racoski

Além de versos

Mulher:
coragem.
Mulher:
beleza.
Mulher:
graça.
Mulher:
perseverança.
Mulher:
fortaleza.
Mulher:
vida.

Ah, as palavras...
Enganam,
mentem,
fingem...

Se é para falar
da mulher,
não escute
estes versos,
não fale nada.
Não há língua
que possa
defini-la.
Está além
da técnica
e limitada
compreensão
humana.

Apenas olhe,
veja, sinta,
viva e seja.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 5 de março de 2011

Sinto a chuva

Sinto o cheiro da chuva
chegando,
o choro do céu,
chamego do chão,
chicote das casas
quando cheio fica o rio,
chama sem fogo
que dá vida e revida.

Sinto o gosto da chuva,
chá de saudade
e tristeza,
deixa para o chato
chatear-se,
festa para o desaconchegado
aconchegar-se.

Sinto-me a própria chuva,
a escorrer do céu solidão
a procura da terra plenitude.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 1 de março de 2011

Vamos falar de coisas

Vamos falar
de coisas fúteis.
Vamos falar
de coisas passageiras.
Vamos falar
de coisas corriqueiras.
Vamos falar de coisas
banais.

Vamos falar
de tudo.
Filosofia, política,
religião, roupas...

Mas o mais importante:
vamos olhar
nos olhos.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Maldito!

Maldito seja seu ar!
Ele não tem gosto,
não tem cor,
não é nada mais
que ar,
apesar dos seus rótulos
sentimentalmente ridículos.

Maldito sejam seus ouvidos!
A música que eles ouvem
não vem do coração.
São ondas sonoras
que se propagam
de um instrumento sujo,
cheio de bactérias.

Maldito seja seu coração!
Ele não é nada mais
que uma válvula
de bombear sangue.
Não sente, não chora,
não ri.

Malditos sejam seus sentimentos!
Não existe amor,
não existe ódio,
não existe nada
dessas futilidades.
O ser humano
apenas reage
aos estímulos
e aos instintos.

Maldito seja o bentido!
E também o maldito.
Não existe bem ou mal.
É tudo conversa
para tirar dinheiro
e ação.

Ah, maldita seja a poesia,
esse inútil instrumento
de iludir os cérebros
imbecis!

Cesar Miller de Almeida

Você quer...

você quer
que eu case
que eu namore
que eu beije
que eu procrie

você quer
que eu me apaixone
que eu dance
que eu beba
que eu seduza

você quer
que eu siga
que eu fume
que eu lamente
que eu conquiste

você quer
que eu deixe os meus
para ter com aqueles
a quem não pertenço

o que você quer
é que eu seja outro

eu não me quero

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Loba

Ela corre pelos campos
dos meus versos insólitos,
por caminhos controversos,
perigosos,
ardilosos,
mas sempre certos.

Ela, feroz, líder,
matriarca de si,
predadora de imaturos,
caçadora de bons frutos,
seduz,
conduz
a matilha do meu coração.

Ela é a síntese
dos sentidos,
das sensações
e das paixões.

Ela, loba, mulher, licantropa,
uivo de música,
olhar de constância,
dona da lua,
da luz noturna,
da alma noturna
deste poeta.

Fábio Pedro Racoski

Sentido sentido

nasço,
cresço,
caio,
ando,
corro,
vivo,
danço,
canto,
erro,
acerto,
vou,
choro,
volto,
sorrio,
começo,
termino,
continuo,
amo,
morro,
ressurjo.

tudo isso
com
você.

sem você,
...

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ubuntu

Correste,
transpirei.
Pulaste,
vibrei.
Caíste,
sangrei.
Erraste,
perdi-me.
Amaste,
senti.

Quis matar-te
e percebi
que era suicídio.

De tanto sentir-te
ao sentir-me,
entendi.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Tudo

se nada mais
estivesse
onde está
nesse mundo
e tudo
o que existisse
fosse tudo
em nós
seria o bastante
para viver feliz

mas o tudo
está em nós
e tudo está
no seu lugar
por isso

nossa vida
a vida

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

tantas vezes
errei
tantas vezes
faltei
tantas vezes
não fiz
tantas vezes
desfiz...

tantas vezes
não fui eu.
mas agora
sou eu
pra mim
e pra você.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O ser humano

o ser humano,
pó das estrelas,
anseia guerras
querendo tê-las.

o ser humano,
barro de deus,
quer os poderes
que não são seus.

o ser humano,
filho da terra,
é matricida,
a vida enterra.

o ser humano,
pó das estrelas,
é tão ingênuo
querendo sê-las...

Fábio Pedro Racoski

domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu ela

queria ser um pouco elas
mas sou ele, como sê-lo?
por ser ele tenho zelo
mas quero a luz que é só delas.

queria ser, tanto assim,
a beleza da alma fêmea
pois, mesmo não sendo gêmea
minha, é meu início e fim.

queria ser, ter, doar-me
em versos, em corpo, em alma
todo amor que me dá calma
nesse espírito sem charme.

Fábio Pedro Racoski

A hũu frade dizen...

Descobri, por estas andanças na Internet, uma mistura de duas coisas por que sou apaixonado: rock e cantigas de escárnio e maldizer (trovas medievais).

Xurxo Romani, músico galego, é o autor de tal proeza. Podem encontrar as músicas para baixar - uma a uma - ou o álbum inteiro, no sítio "A Regueifa" : http://aregueifanetlabel.blogspot.com/2009/04/xurxo-romani-escarnho-e-maldizer-2009.html

Entre as cantigas, destaco aquela que foi objeto de um artigo científico meu, do trovador Fernand' Esquio: http://tra.kz/f7hh Letra abaixo (em uma postagem antiga eu o "expliquei": http://www.racoski.com/2008/09/cantiga-de-maldizer-de-fernand-esquio.html) :

A un frade dizen escarallado
E faz pecado quen llo vai dizer
Ca, pois el sab’arreitar de foder,
cuid’eu que gaj’e de piss’arreitado;
e pois empreña estas con que jaz
e faze fillos e fillas assaz,
ante lle dig’eu ben encarallado.

Escarallado nunca eu diría,
Mais que trage ant’o carallo arreite,
Ao que tantas molleres de leite
Ten, ca lle pariron tres en un día,
E outras muitas preñadas que ten;
E atal frade cuid’ eu que mui ben
Encarallado por esto sería.

Escarallado non pode seer
O que tantas fillas fez en Mariña
E que ten ora outra pastoriña
Preñe, que ora quer encaecer,
E outras muitas molleres que fode;
E atal frade ben cuid’eu que pode
Encarallado per esto seer.

A un frade chámanlle escarallado,
E comete un erro quen llo di,
Xa que, pois el é quen de empalmarse pra foder,
Penso eu que é un tío co carallo teso.
E posto que deixa preñadas aquelas coas que se deita
E fai fillos e fillas abundantes,
Antes lle chamo eu ben encarallado.

Nunca diría eu escarallado,
Senón que mais ben trae o carallo teso,
Ó que ten tantas mulleres de leite,
Pois paríronlle tres nun mesmo día,
E ten moitas outras preñadas
E tal frade coido eu que ben encarallado
Debería ser por isto.

Non pode ser escarallado
O que tantas fillas fixo en Mariña,
E que ten agora outra mociña nova
Preñada que xa está cumprida,
E outras moitas mulleres que fode,
E tal frade ben coido eu
Que pode ser encarallado por isto

EDITADO: havia colocado o poema original. Agora está aí a letra da canção.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Autofagia

Peguei o machado do idioma
e golpeei, com ele,
o crânio frágil
do meu eu.
Recolhi os pedaços
estilhaçados
de ossos e miolos.
Comi.
Assim nasceu
minha poesia.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Só eu posso

Podem falar
sobre teu corpo.
Podem cantar
sobre teus
atributos
físicos.
Podem descrever
em versos
tua formosura.
Podem rimar
teus músculos,
tua pele,
teus sentidos.

Podem falar sobre
tua carne.

Mas só eu posso
- e só eu sei -
falar sobre ti
além do físico,
em versos
ao teu ouvido.

Fábio Pedro Racoski

Criança tardia

A vida adulta
é, para mim,
uma novidade,
apesar de minha
idade.

Os anos de brincadeiras,
ações sem consequências,
não-responsabilidade,
comodidade monárquica,
enfim, encontraram
um fim.

Agora, a vida me recebe
de braços abertos,
sinalizando as tempestades
e a bonança
no caminho.

A criança não
se foi.
Guardou-se
lá num canto.
Quando for oportuno,
ela voltará,
brevemente.

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quero-te assim

Quero-te assim como és.
Quero-te assim porque és.

A música dos teus passos,
a dança da tua voz,
tudo que leva tua marca
do meu sofrer é algoz.

Quero-te assim como és.
Quero-te assim porque és.

Não sejas quem tu não és
apenas para agradar
tolos seres que só querem
em ti jogar seu penar.

Quero-te assim como és.
Quero-te assim porque és.

Gosto de como tu ris,
gosto de como tu andas.
Quando choras só desejo
alegrar-te com cirandas.

Quero-te assim como és.
Quero-te assim porque és.

Não, eu não quero te impor
medidas. Como, se és única?
E o que sinto é desmedido.
Rotular-te é doença crônica.

Quero-te assim como és.
Quero-te assim porque és.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mais uma vez

E mais uma vez
os pulmões se enchem
de paraíso.
E mais uma vez
os olhos admiram
as cores daqui.
E mais uma vez
ouço sua voz,
música celestial.

E mais uma vez
me vejo em você,
num abraço,
sem querer mais
ser eu.

Fábio Pedro Racoski

sábado, 15 de janeiro de 2011

Crônica da morte de números

As enchentes de janeiro. Novamente este tema, em blogues, no Twitter, nos jornais e na mídia de massa por excelência: a televisão. Repórteres atualizando a todo momento o número de vítimas. Mortos: como se só os falecidos fossem vítimas. Lendo o texto do Bruno Cava, "Não estou nem aí para os mortos", refleti sobre o que vejo na TV, o que acontece e sobre o que devemos nós realmente discutir, debater, tuitar, blogar, etc.

O que vejo é um triste espetáculo sem graça, uma telenovela de péssimo gosto, uma "mostra de realidade" (reality show, em inglês) onde o real se perde sob as diversas camadas de narrativas que lembram um dramalhão sonolento. É assim que as mídias - essencialmente a mídia televisiva, mais abrangente - retratam os ocorridos das enchentes no Brasil. Distanciando e escondendo ao invés de cumprir seu papel, o de informar, a imprensa compete com Silvio de Abreu, Boninho, Pedro Bial e Silvio Santos para ver quem consegue mais pontos no Ibope e, para isso, utiliza os mesmos recursos de seus colegas midiáticos: sensacionalismo, populismo, hypes, moda e uma camuflagem tendenciosa para amplificar factoides e esconder fatos, o "photoshop-jornalismo". O cidadão, desacostumado a receber informações que o levem à crítica, engole goela abaixo essa salada que, de tão indigesta, lhe faz derramar uma lágrima seca de compaixão oca.

E o que acontece? Um desastre. A força da natureza levando tudo: tristemente arrasando vilas, casas, famílias, cidades. E muita gente agindo: ajudando, seguindo, prontos para reconstruir e começar de novo, apesar da falta de previsão e prevenção de desastres. Apesar da falta de cidade em seu espaço citadino.

O que realmente podemos e - na minha humilde opinião - devemos discutir é: quais ações precisam ser realizadas para que nada disso se repita. O impacto de tais desastres, a infraestrutura das moradias - remoção de casas em áreas de risco para outros lugares, ações preventivas -, sem acomodar-se na fácil tarefa - que já exerci - de apenas criticar, apontar defeitos, culpar os políticos. A cidade é feita por todos, não apenas por políticos. É responsabilidade também sua, minha, de todos, zelar pelo bom funcionamento desta errante porém amadurescente nação chamada Brasil.

Quanto à mídia sensacionalista e vazia, sugiro apenas que desligue a TV.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Metrô da vida

mundo corre
corre mundo
mundo corre
corre mundo
mundo corre
corre mundo
ninguém para pra te ouvir
nem sequer pra te cuspir

gente corre
gente morre
gente corre
gente morre
gente corre
gente morre
ninguém vive só respira
ninguém ama só suspira

morre verso
morre canto
verso morre
canto morre
morre verso
morre canto
verso morre
canto morre
ninguém mais ouve teu verso
ó, poeta do universo

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Retalhos de mim

Ah, deixe-me celebrar meus defeitos.
Permita-me zombar de mim mesmo.
Eu me amo,
eu me odeio,
eu não me quero,
eu não me sou.

O erro é meu,
o erro sou eu,
assim como o acerto.
Às vezes
quero me matar.
Às vezes
quero me amar.
Às vezes
quero ser amado.
Às vezes
quero ser sozinho.
Às vezes
sou sempre.
Às vezes
sou nunca mais.
Mas sempre,
sempre, em qualquer hipótese,
sou eu,
poeta.

Fábio Pedro Racoski

Pai e filho

Eu vi meu pai hoje.
Foi tão bom!
Lembrei do nosso passado,
das nossas brincadeiras
de duas crianças,
do nosso andar pela rua
sem camisa...
Reconheci, como da primeira vez,
seu rosto,
suas rugas,
as falhas na barba,
o sorriso comediante,
a beleza tímida
e tênue
daquele rosto comum.
Sofri de alegria
ao ver nossos olhos
inundados de lágrimas.
Gostei de ver tudo isso.
Gostei muito de vê-lo
ali, no espelho.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A mulher que eu amo

A mulher que eu amo
tem estrelas nos olhos.
A mulher que eu amo
tem a lua de acalanto.
A mulher que eu amo
tem o sol como servo.
A mulher que eu amo
tem o brilho
das galáxias.
E eu, sem ela,
sou a escuridão
do vago e profundo
vácuo
do universo distante.

Fábio Pedro Racoski

Más notícias a Maiakóvski

Disseram a Maiakóvski
que em algum lugar,
talvez no Brasil,
existisse um homem feliz.

Sinto-lhe dizer,
estimado poeta russo,
mas no Brasil
os poucos homens
que não se viram
metamorfoseados
kafkamente
em baratas, ratos
e porcos,
vivem chorando sangue,
numa tristeza
de dar dó.

Dizem que existe
em algum lugar,
talvez na Rússia,
um homem
que não parou de sonhar.

Fábio Pedro Racoski

Prece de uma mãe

espero que leve, filho,
para toda a sua vida
nos seus olhos esse brilho
que explode em tons musicais
lógicos sentimentais
sua alegria desmedida

filho, siga sua jornada
para toda a eternidade
com sua voz de trovoada
sem calar-se sem parar
de gritar de denunciar
essa gente mal amada

leve-me um pedaço, amor,
seja mãe e seja pai
seja o mundo e seja amor
que vai e nunca se esvai.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Momentos

O último café
com meu pai,
a última conversa
com minha irmã mais velha.
A última visita
à casa da minha avó
paterna.
A última comilança,
o último suspiro
adolescente,
a última infância,
a última ilusão,
o último primeiro
sonho...

Momentos que deixaram
marcas, cicatrizes.
Momentos que ajudaram
a me esculpir.

Mas agora minha vida
é feita dos curtos eternos
momentos
com você.

Fábio Pedro Racoski

Comer

Comer.
A grande missão,
o grande artifício,
o grande fato
da humanidade.

Comer.
Desde o início dos tempos.
Devorar o semelhante.
Com os olhos,
com ideias,
com tinta,
com música,
com carne.

Comer.
O eterno ciclo.
Devorar o semelhante,
vomitá-lo
e alimentar a ambos,
como uma mãe pássaro
dando de comer
aos seus passarinhos.

Comer.
Tarefa indigesta
quando há um glutão
que quer ser
antropófago
de si mesmo
no outro.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ossos

Ossos.
Carne, músculos,
braços, abraços,
beijos, gritos.

Ossos.
Passos, pés,
quedas, lágrimas,
socos, pulos.

Ossos.
Peso, gravidade,
vida, fim,
terra, vermes.

Restamos nós.
Além dos ossos.

Fábio Pedro Racoski

domingo, 2 de janeiro de 2011

Uma menina chamada Luz

Era uma vez uma menina chamada Luz. Tinha 10 anos, feição de anjinho caboclo. Morava numa cidade como as outras: cheia de pessoas indo, vindo, enganando e se enganando.

Os coleguinhas pálidos da escola caçoavam da Luz. Diziam que ela era feia, encardida, que seus cabelos pretos pareciam piche de asfalto. Luz ficava triste, chorava, queria sumir daquela escola pálida, de gente pálida, com almas pálidas. Queria sumir desse mundo pálido e insosso.

Certo dia, em uma das voltas à sua casa, banhada em lágrimas, a mãe de Luz quis saber qual o motivo para tanto choro. “Ninguém gosta de mim, mãe! Dizem que eu sou feia e suja! Quero sumir, mãe! Vamos sumir, mãe?”, dizia Luz, em meio a soluços. Nessa hora, a sabedoria de sua mãe deixou-se mostrar em algumas palavras. “Eles tem inveja de você, filha! Eles queriam ser você, ver você, mas não conseguem viver perto de você, porque estão na escura prisão da ignorância.”

Ouvindo aquelas palavras, Luz encheu o peito de coragem, voltou à escola, onde o silêncio substituiu as zombarias. Silêncio de espanto, respeito: Luz brilhava como o sol, iluminando aquela sala de aula fria e vazia de sentido.

E a menina com feição de anjinho caboclo cresceu. Hoje uma mulher plena, admirada e desejada, Luz segue a brilhar como o sol. Sempre. Mas agora não brilha só.