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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Psicofeia

Assim como Quixote via
em seu magro pangaré
o épico cavalo,
Rocinante,
ela acredita
que da beleza
não tem posse.

Assim como Dorian Gray
aprisionava sua velhice
em seu retrato de tinta,
ela aprisiona sua beleza
em incertezas
infundadas.

Será que há quem
acredite
no que ela diz
de si própria?

Será que ela crê
no que pensa,
tão veementemente,
que não vive
o sorriso
de sua formosura?

"A feia, sou a bruxa
dos contos infantis,
um ser de feiura infernal,
sem contas de bela",
ela diz.

Ouso discordar de ti,
musa, bela, formosa,
mestra das belezas
infinitas.

Feio é um mundo
que te faz acreditar
que és feia.

Fábio Pedro Racoski

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