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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Soneto doente

Caminha pela noite o peregrino
sem destino, vagueia, não se apressa.
Canta impossíveis tons em desafino
sua dor visceral que o corrói sem pressa.

Uma dor que parte as tripas e o peito
solitário do errante caminhante
que se perde em linhas retas. Direito
e esquerdo não existem nesse instante.

A náusea que não foi apresentada
o derruba sobre os papéis marcados
por tinta, sangue d’alma machucada.

Essa náusea, que os deixa separados,
ele, poeta, errante. Ela, inominada,
mulher, síntese de todos os fados.

Fábio Pedro Racoski

Um comentário:

  1. Belíssimo!

    Devo registrar que no meu caminho,principalmente,só vejo esquerdo,brincadeira de um anjo torto,só pode.

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