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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Infeliz simetria

Eu poderia escrever
um poema métrico ou
um poema tétrico ou
uma canção cafona a
você. Somente quero
que nós acertemos a
nossa simetria. Não
hermeticamente reta
ou exageradamente a
obedecer espaços ou
rimas ricas, pobres
et cetera. Eu quero
é que derrubemos estas paredes absurdas
entre nós, que não podem existir!

Fábio Pedro Racoski

Todas as dimensões

Eu vejo, entorpecido, no aparelho elétrico,
imagens de um mundo e seus habitantes lívidos.
Cenas assustadoras de um planeta tétrico
que dá seus últimos suspiros, fortes, vívidos.

Um mundo estranho, onde a vida é curta e trágica
como a vida de uma frágil flor em breve história.
E quem vive esta vida a vive com a mágica
de fazer eternidade com tinta e glória.

Sozinho e obscuro vaga o planetoide
colorido, colorado, no mar-razão.
Tenta impedir o avanço do inimigo androide
este louco mundo chamado coração.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 22 de junho de 2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Soneto proposto

Se eu recebesse de ti, doce moça
este olhar que ofertas ao horizonte
razão teria minha vida insossa
desde um singelo beijo em tua fronte.

Se eu recebesse de ti, minha dama,
o privilégio de viver ao teu lado
ganharias um coração que te ama
e um homem eterno fiel soldado.

Mas nossa vida não é o que suponho
e por isso, bela moça, proponho
uma aliança eterna entre nós dois:

Que nós, em lábios e almas sobrepostos,
selemos nossos amores propostos
em paixões hoje, amanhã e depois.
Fábio Pedro Racoski

sábado, 19 de junho de 2010

José de Sousa Saramago

E quem somos nós para nos julgarmos donos da verdade? Aliás, quem disse que existe apenas UMA verdade?

José Saramago, gênio da literatura como o mundo carece de ver, viveu na crença da não crença religiosa: ateu, comunista, crítico feroz do catolicismo, do cristianismo e do fenômeno religioso em si. Muitos celebraram sua morte como quem comemora a derrota do Diabo. Outros lembraram seu "destino certo": o inferno, por "blasfemar" a vida toda a Deus e aos “justos fiéis desta terra”...

Pois espero, na crença dele, que Saramago esteja, agora, eternamente vivo, através de suas obras aqui na Terra (uma literatura ímpar, livros excepcionais, maestria na língua portuguesa) e através da memória de alguns. E penso, em minha crença, que o escritor esteja agora num lugar merecidamente bom, a que acostumamos chamar “céu” ou “paraíso”. Ele, muito mais que carolas e papa-hóstias que vomitam religião comendo ódio e hipocrisia, merece o destino glorioso até mesmo de uma crença com a qual não compactuava.

Eu, pois, celebro sua eternidade em nossa memória, na cultura mundial, e mais próximo de Deus que, como bem-humorado que penso ser, deve estar feliz, a rir alegremente de seu talentoso e corajoso filho.

O grande poeta curitibano, Thadeu Wojciechowski, dedicou um poema, em seu blogue, ao José Saramago: http://polacodabarreirinha.wordpress.com/2010/06/19/2824/

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Nova "persona"...

Caro leitor, querida leitora, o blogue Rádio Gordo está de cara nova (como podem constatar). E, em breve, estará de nome novo, mas com a mesma identidade metamórfica-poética de sempre!

Na estrada

Na estrada corro,
tropeço, caio,
choro, morro,
renasço,
sinto o gosto da terra
entre os molares,
sinto o sol queimar
meu corpo frio.

Na estrada caço
e sou caçado,
conquisto
e subjugado,
perseguidor
e perseguido.

Na estrada sigo.
casas ficam para trás,
pessoas ficam para trás.
Alguns poucos seguem,
eu os sigo:
são o meu bando.

Fábio Pedro Racoski

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Clarice e a janela

Desde aquele dia, Clarice não olhou mais pela janela do quarto.

Quando completou 17 anos, Clarice, tímida, ensimesmada, leitora frenética e escritora eventual, pediu humildemente a seus extrovertidos pais um presente especial: queria fazer uma tatuagem. “É um pequeno dragão, símbolo dos lusos”, justificou-se aos progenitores. Depois de firmado um tratado entre os três, delimitando o espaço territorial na pele a ser ferido com tinta, Clarice saiu feliz, em direção ao tatuador.

Após explicar os detalhes heráldicos da figura ao tatuador, Clarice voltou para casa, com a pele avermelhada, febril, porém exultante com seu dragão verde. Seus pais não entendiam o motivo de tanta alegria da filha por uma discreta, trivial e esverdeada figura que agora repousa em suas costas. “Ah, meu homem, é a primeira aventura dela fora dos livros!”, disse sabiamente a mãe. Depois de conversar muito com os pais – o que não era seu costume – sobre heráldica, dragões, literatura medieval e heróis da Antiguidade ibérica, Clarice foi para o quarto, escrever poemas.

Viriato, meu dragão,
toma-me por tua,
queima-me com teus lábios de herói
e envolve-me em teus braços fortes.

Foram esses versos que os pais de Clarice encontraram escritos ao lado da janela no quarto. Ela estava sentada na poltrona, imóvel, catatônica, com um estranho sorriso no rosto. O chamado de seus pais não tirava Clarice do transe. Ela continuava ali, como uma bela e tristemente sorridente estátua. Depois de muitos minutos, Clarice levantou-se, chorou. “Ele foi embora, pela janela que entrou”, dizia. “Quem? Ladrão?”, perguntava o pai. Clarice só dizia que fora “ele”.

Clarice estava muito cansada. Seu corpo ainda coberto de suor. A mãe teve que ajudá-la até o banho. Reparou, assustadoramente, que a recente tatuagem de dragão verde havia desaparecido. “Ele. Foi embora.”, repetia Clarice, tentando explicar, em poucas palavras, o que havia acontecido.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A pátria de chuteiras só chuta

Se você comentasse política
como comenta futebol,
se você soubesse dos partidos
como canta os hinos de torcida,
se você lembrasse da história nacional
como lembra o gol de antes de nascer,
se você defendesse seus direitos
como defende as cores de seu time,
se você cantasse os hinos nacionais
como canta a vinheta da tevê,
se você lutasse por dias melhores
como critica o técnico por suas decisões,
ah! esse país não precisaria
de taças douradas
em mãos cheias de fortuna
para parecer feliz...

Fábio Pedro Racoski

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Populismo elitista

Nossa cleptocracia
plutocrata
se afunda na sujeira
da própria merda,
equilibrando-se
sobre as cabeças
de um povo que não quer pensar
e uma classe intelectualoide
que não quer trabalhar.

Nossa cleptocracia
plutocrata
já não consegue
se sustentar
nos braços fracos
de elites imbecis
e massas afetadas.

Nossa cleptocracia
plutocrata
é motivo de zombaria,
piada e graça.
Mas vejam: mais uma taça!
E viva o futebol que cega
senadores, pretores e plebeus!
Fábio Pedro Racoski

Eleitor...

Eleitor: vá para a urna com a certeza de que votará em alguém que realmente merece sua confiança, seu voto, alguém que lhe governará com dignidade, competência e respeito. Nestas eleições,

VOTE EM VOCÊ MESMO.

Não há pessoa melhor para governá-lo. Não há político mais gabaritado para geri-lo. Não há ninguém melhor que você mesmo para combater seus problemas e melhorar sua vida. Por isso, caro amigo eleitor, adote você também esse caráter "autônomo anarquista".