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domingo, 30 de maio de 2010

Versos femininos

Não quero que
fujamos para nosso mundo,
como planejávamos
há muito tempo.
Não quero que você
me leve nos braços:
já não somos tão jovens
e dispostos como antes.

Só quero que olhe para mim
e não veja a mulher com quem se casou.

Não quero de você
os buquês pomposos
do início do namoro.
Não quero de você
aquele sorriso bobo
de uma felicidade fácil
que já não é tão fácil.

Só quero que olhe para mim
e não veja a mulher com quem se casou.

Não quero que você
me abrace forte,
nos fazendo um
como nos primeiros dias.
Não quero de você
as canções desafinadas
e calorosas
ao meu ouvido.

Só quero que olhe para mim
e não veja a mulher com quem se casou.

Não quero que você
repita as desculpas
por não ter feito nada.
O vazio vem, é fato.
Não quero que prometamos
um ao outro o recomeço
que não há como vir.
Já começou, vamos em frente.

Meu querido, meu homem,
só quero que olhe pra mim,
pra você,
olhemos para nós.
O tempo segue,
e não podemos ficar parados.
Quero que ame, abrace e beije essa mulher,
aceitando carregar todo o peso
do tempo, dos dias, da vida,
de dores e alegrias.
Quero, e somente quero,
porque é assim que lhe desejo
e assim que me entrego novamente.

Fábio Pedro Racoski

5 comentários:

  1. bom, Fábio, apesar de vc não ter lembrado de mim lá no tuite desse poema (é ciúme mode on mesmo), não posso mentir, como sempre vc fez um excelente trabalho... claro que essa é uma visão de uma mulher digamos madura de verdade, e não só em idade, pq geralmente as mulheres querem que seus homens nunca mudem o jeito loucamente apaixonado do começo... só a mulher que adquiriu da vida grande sabedoria consegue perceber a beleza de cada momento e expressão de amor, sabe renascer das cinzas e viver de presente, nem de passado nem de futuro, mas do olhar de admiração que seu homem tem por ela, pela história dos dois... enfim... já falei d+... beijos e parabens pelo seu talento

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  2. ----------------------------------
    Tudo é efêmero.
    Os dias, os olhares, as sensações, os amores, as desilusões, os desejos, as irritações.
    O modo de ver e de querer (ser visto).
    Mas... o que seria da gente sem a renovação/reinvenção?
    Dos dias, dos olhares, das sensações, dos amores, das desilusões, dos desejos, das irritações?
    Do modo de ver e de querer (ser visto)?
    Uma tosca monotonia!
    ----------------------------------
    Tá, eu fugi do CASAMENTO, mas compreendi a essência? HAHAHAHA
    Belo poema!
    Um beijo, Biofa.

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  3. "Só quero que olhe para mim
    e não veja a mulher com quem se casou"

    Ah! que bonitinho! Tenho que dizer que sou profundamente apaixonada por versos assim e me surpreendi muito te ver escrevendo "versos femininos". Estava conversando com um colega meu e falávamos sobre mulher, como sempre, e surgiu uma série de discussões que são as seguintes: perguntei a ele assim, - por que os homens gregos e outros escreviam tão bem as mulheres? e ele me respondeu, - Bruna, existem homens que escrevem a mulher como se fossem um pouco machos. Pensei, pensei e cheguei a conclusão que de fato isso realmente acontece. Só que não no seu caso, belo poema meu caro gordo! Sempre gosto de passar por aqui, eu fico muito feliz e com uma tristeza alegre quando leio os seus versos.

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  4. eu já tinha lido, mas não tinha comentado. AMEI

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  5. Esse daqui é o meu queridinho! também já tinha lido, mas não tinha comentado! Ele levemente toca a profundeza da alma. Perfeito.

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