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sábado, 30 de janeiro de 2010

Vou-me embora de Pasárgada

Vou-me embora de Pasárgada.
Lá eu não sei quem é rei,
ainda que alguns tentem
arrumar plebeus
para chicotear.

Vou-me embora de Pasárgada.
Lá, a mulher que eu quero
é apedrejada, condenada
a viver nas sombras
dos becos.

Vou-me embora de Pasárgada.
Lá, a realidade não é real.
Lá, as pessoas são planas,
superficiais e traiçoeiras.
A fogueira das vaidades...

Vou-me embora de Pasárgada,
ainda que meus amigos
lá se afoguem
no rio de quem tenta
remar contra a correnteza.

Vou-me embora de Pasárgada.
A mãe d'água não existe.
O sonho acabou.
Quero o cimento sujo
e fedorento
das ruas cruéis
de minha vida real.

Fábio Pedro Racoski

2 comentários:

  1. Muito criativo da sua parte, adorei!

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  2. é meu velho, tô quase indo também.... mas sou cabeçudo, e decidi lutar mais um pouco.....

    Vc vai fazer falta!

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