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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Não-ser humano

Já não sou
quem gostaria de ser
e nem sou
eu mesmo
que já fui.

Simplesmente
não sou.

Simplesmente
deixei-me
ser conquistado
pelo comodismo,
pelo conformismo,
pela preguiça,
pela mesmice.

Não sou.
E o fato de não ser
não me dói.
Já que, não sendo,
não sinto.
Por mais que
lágrimas secas
caiam dos meus olhos.

Não sou.
E não estou.
Por mais que você
sinta-me presente.
Por mais que eu
queira mostrar
o contrário.

Não sei.
Não falo a verdade.
Se há alguma certeza
em mim,
é que sou pura mentira.
Sou um blefador.
Um enganador.

Não vivo.
Não sou, não respiro, não amo,
apenas sou movido
pela inércia.
Olhe nos meus olhos:
eles estão vazios.

Fábio Pedro Racoski

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