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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um fado

Em resposta ao pedido do Igor Ravasco, eis aqui um fado que vale o mundo: "Há uma música do povo", poema de Fernando Pessoa cantado pela divinal Mariza.

domingo, 29 de novembro de 2009

Valores econômicos

O PIB da Califórnia
é um Brasil.
O PIB de São Paulo
é uma Argentina.
E o fado português
é um mundo inteiro.

Fábio Pedro Racoski

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Verborragia sem

eu
quero dizer
aquilo tudo
que não disse
quando não devia
nem deveria
dizer
o que não sei
porque sei
eu
só quero dizer
porque preciso
vomitar

preciso
procriar.

Fábio Pedro Racoski

Pingos nos is


Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Não quero mais

não quero mais
adoecer
adolescer
aborrecer
emburrecer
emputecer
não devolver
envelhecer
evanescer
não renascer
um nada ser.

Fábio Pedro Racoski

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Difícil vida fácil

na segunda
moribunda
dói a bunda
tá corcunda
nauseabunda
infecunda
e se inunda
tão profunda
aprofunda
sua funda
via imunda

iracunda
vagabunda

Fábio Pedro Racoski
Queria fazer uma epopeia
sobre minha vida quebradiça.
Só rendeu essa quadra, essa ideia,
me tomou uma puta preguiça...

Fábio Pedro Racoski

Não-ser humano

Já não sou
quem gostaria de ser
e nem sou
eu mesmo
que já fui.

Simplesmente
não sou.

Simplesmente
deixei-me
ser conquistado
pelo comodismo,
pelo conformismo,
pela preguiça,
pela mesmice.

Não sou.
E o fato de não ser
não me dói.
Já que, não sendo,
não sinto.
Por mais que
lágrimas secas
caiam dos meus olhos.

Não sou.
E não estou.
Por mais que você
sinta-me presente.
Por mais que eu
queira mostrar
o contrário.

Não sei.
Não falo a verdade.
Se há alguma certeza
em mim,
é que sou pura mentira.
Sou um blefador.
Um enganador.

Não vivo.
Não sou, não respiro, não amo,
apenas sou movido
pela inércia.
Olhe nos meus olhos:
eles estão vazios.

Fábio Pedro Racoski

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O exílio de Midei Shempaz (parte I)

Certo dia, depois de ser perseguido pela Associação das Senhoras Cristãs em Defesa da Retidão e da Moral, o grande sábio Midei Shempaz resolveu não comprar briga e exilou-se da sua terra de todos os dias e madrugadas, o Curitestão.

Ao ultrapassar as fronteiras curitãs, Midei Shempaz deixou todo um povo – exceto a Associação das Senhoras Cristãs em Defesa da Retidão e da Moral – chorando de saudade prévia. Midei Shempaz também chorava. Mesmo sendo sábio, não entendia por que as Senhoras Cristãs em Defesa da Retidão e da Moral o condenavam; afinal, beber Steinhäger todos os dias era como uma sicuta renovadora que libertava seu Sócrates interior dos malditos sofistas.

Depois de muito andar, já distante da fronteira, Midei Shempaz sentou numa cadeira de bar, tirou sua sanfona de 48 baixos da capa e começou a cantarolar a sua canção do exílio. Era assim a sofrida cantiga:

Ai, minha terra que não vejo!
O silêncio moribundo
nesse peito vagabundo
tem a volta por desejo!

Ai, minha terra que não ouço!
Por viver de vadiar
querem me trancafiar,
me jogar num calabouço.

Ai, minha terra que não sinto!
Tua terra vou perdendo
por essas velhas querendo
me enforcar, cortar meus dedos.

Ai, minha terra, estou entregue!
Bebo muito e falo pouco
porque já estou todo rouco
de saudade do Steinhäger.

Os grandes sábios sempre são incompreendidos. Mais um chope!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O pequeno massacre da vagina delicada

Hoje deparei-me com um arquivo (de computador mesmo!) datado de 7 de maio de 2003. É a imagem escaneada da divulgação de uma HQ. Fiz isso para uma - na época - nova amiga: segundo período da faculdade, e não fazia ideia de que a Barbara viria a ser uma amiga, no sentido mais eterno da palavra: para sempre, em qualquer lugar.
Mesmo trazendo uma grande dose de humor, essa imagem escaneada me traz alegria, nostalgia - da época em que estudávamos todos juntos -, singeleza.

Ah, os amigos (saudade)... Estaria mais morto sem eles!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Curitiba 34 graus

Ah, Curitiba, cidade
que me traz tanta saudade.
Chega o maldito verão
e me traz sofreguidão.

O frio invernal se vai,
e, em seu lugar magistral,
o atômico tropical
calor queima, me subtrai.

Idílica Era do Gelo:
regressa, vem congelar
esse mundo tão solar!
Aquele frio... Quero tê-lo...

Fábio Pedro Racoski