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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Zumbi

Meu olhar lácteo,
cego,
ofuscado pela luz de
painéis, televisores, monitores,
absorvendo ordens e vomitando
frases prontas.

Zumbi.
Sou um zumbi,
Um entre milhões,
Nada entre tudo.
Desmorto
nascido para um mundo
de saberes prontos,
embrulhados para presente.
Autômato de carne, osso e fluidos.
Número, voto,
pronto para dizer sim.

Mas sou um zumbi cansado
de dizer sim,
de ser número.
Sou um zumbi tomado
por uma vontade incontrolável
de desmorrer para a vida.

Fábio Pedro Racoski

3 comentários:

  1. Meu querido Fábio,
    Eu também sou uma Zumbi.(rsrs) Amigo, fico feliz, de não ser a única cansada de ser número e dizer somente sim, em um mundo enlatado de saberes. Muito bonita a poesia. =)
    bjo, querido Fábio.

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  2. Somos carne e números. E dizer não é só mais uma opção que nos é imposta. :-)

    Mas antes que me esqueça... sobre o poema... clap, clap, clap!!!!!

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  3. Lindo esse poema também!!!!!!!!
    E, lá vai mais um Augusto dos Anjos para "conversar" com ele...

    Idealização da Humanidade Futura

    Rugia nos meus centros cerebrais
    A multidão dos séculos futuros
    - Homens que a herança de ímpetos impuros
    Tornara etnicamente irracionais! -

    Não sei que livro, em letras garrafais,
    Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
    Realizavam-se os partos mais obscuros,
    Dentre as genealogias animais!

    Como quem esmigalha protozoários
    Meti todos os dedos mercenários
    Na consciência daquela multidão...

    E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
    Somente achei moléculas de lama
    E a mosca alegre da putrefação!

    Augusto dos Anjos

    ... Beijo!

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