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domingo, 10 de maio de 2009

Parto triste

Triste fim de quem não teve começo,
vida perdida antes mesmo de ter.
Cai o pranto de acumulado apreço
aniquilado ao ver-lhe à luz morrer.

Ó, vida, por que me trazes tão cedo
o fim de esperanças num ventre cheio?
Arrancas a paz e injeta-nos medo
de esperar por um mundo menos feio.

Choram os risos, cala-se um minuto
o mundo ao ver caixão tão diminuto
quanto a força temporal entre os seus.

Chora o sol, a lua, tudo é só pranto
pela vida que foi sem acalanto,
pela morte que o levou cedo a Deus.

Fábio Pedro Racoski

Um comentário:

  1. Gostei (muito) desse poema. Ele me lembrou Augusto dos Anjos...

    "Porção de minha plásmica substância,
    Em que lugar irás passar a infância,
    Tragicamente anônimo a feder?!...

    Ah! Possas tu dormir feto esquecido,
    Panteisticamente dissolvido
    Na noumenalidade do NÃO SER!"

    Beijo, Biofa!!!

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