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domingo, 29 de março de 2009

A Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais

Do calçadão da XV,
ouve-se uma voz
rouca, dramática
e intensa.
São os gritos mudos
de Curitiba,
cidade minha,
meu mausoléu em vida,
meu cosmos vagabundo.

Cidade não canção,
cidade não maravilhosa,
cidade que para,
metrópole bairro,
cosmópole nanométrica,
Curitiba dos poetas
bêbados,
dos loucos sóbrios,
da elite em extinção
do Alto da Glória
e das massas caóticas
da Vila Pinto.

Curitiba humana,
cidade que quero
dormir,
que quero
sentir,
que quero
viver
na saúde e na doença,
na alegria e na tristeza,
até que a morte
nos separe
e meu corpo
seja enterrado
nestas terras de banhado,
úmidas e frias
como a pele
de uma passante
no mês de julho.

Vou tropeçar
por tuas avenidas planejadas.
Vou me embriagar
no Largo da Ordem.
Vou clamar por tua liberdade
na praça Tiradentes.
Vou fugir das tuas ciganas
e dos teus pastores
na praça Rui Barbosa.
Vou lembrar
dos teus garotos
que assistiam filmes pornôs
no Cine São João.
Vou te bendizer
na Boca Maldita.
Vou em teu bailão
no Boqueirão,
depois tomar um chá inglês
nas Mercês.
Da Lamenha Pequena
à Caximba,
caminho por ti
na esperança de
me perder
e te encontrar.

Fábio Pedro Racoski

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