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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Parafraseando Bandeira

Vou-me embora para onde?
Pasárgada é um museu.
A Ilha de Cipango é uma utopia cara e depressiva.

Vou-me embora para onde?
Não sou amigo do rei.
O rei morreu.
Sou inimigo dos presidentes
e seus impostos.

Como terei a mulher que eu quero
na cama que escolherei
se a mulher não quer cama
(quer coisas mais nobres!)
e a cama quer doentes?

Vou-me embora para onde?
A terra santa?
A terra prometida?
Lugar onde o sangue de milhões de Davis,
Maomés,
Cristos,
é derramado sem piedade e com um leve sorriso
no rosto do algoz?

Vou-me embora para onde?
Todo lugar é aqui.
A miséria invade os jardins das mansões
e a riqueza brilha nos barracos.
A violência urbana mata mais
que guerras de generais.

Vou-me embora para onde?
O Sudão padece.
O Afeganistão padece.
O Brasil chuta barrancos
e até os Imperadores do Mundo
estão roucos
pedindo socorro.

Vou-me embora para onde?
Como fugirei para Marte
se já não temos certeza
da chegada
do homem à vizinha de porta,
Lua?
Tecnologia falsa?

Vou-me embora para onde?
A morte é doce,
mas é futuro incerto.
A vida é amarga,
mas é luta e cantoria na certa.

Não me vou embora.
Aqui ficarei
com um Molotov na mão!
Fábio Pedro Racoski

3 comentários:

  1. Gostei...profundo, verdadeiro, angustiante.

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  2. Puxa, eu adoro o original e adorei esse. Muito mais real, destruindo toda a ilusão de pasárgada e mostrando toda a verdade da terra.

    Muito bom *-*

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  3. Olá Fábio
    Quem escreve verdades não merece castigo. Muito bem escrito e com um misto de realidade. Ai este mundo para onde nos leva!
    Um abraço

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