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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Amor e música

"Quando vi aquele mulato tocando violão, me apaixonei". Foi o que disse Ana Eufrasina da Silva, referindo-se a Francisco dos Santos, violonista que se apresentava no Circo Nova Iorque, em Araras, no ano de 1941.A bela morena de 17 anos, então noiva de outro homem, desfez o antigo relacionamento para casar-se com o mulato e começar uma história de amor e cantorias: a dupla Cascatinha (Francisco) e Inhana (Ana).

Uma das mais belas duplas caipiras brasileiras, o casal se destacava pelo virtuosismo: Inhana sustentava facilmente agudos líricos; Cascatinha mostrava beleza e sofisticação numa segunda voz bem trabalhada. O sucesso veio com a canção "La Paloma", mas a consagração chegou com as versões de guarânias paraguaias - o que popularizou o ritmo no Brasil -, entre elas o maior êxito da dupla: "Índia", de Guerrero e Flores, na versão de José Fortuna, compositor preferido de Cascatinha.

O virtuosismo da dupla envolvia improvisações, como este trompete feito em mãos de Inhana:

Inhana veio a falecer em 1981. Depois da morte da esposa, Cascatinha apresentava-se esporadicamente em Votuporanga e em São José do Rio Preto onde, em 1996, deixou este mundo para voltar à sua vida: seu grande amor e poesia, Inhana.

Quem sabe faz ao vivo, juventude! Quem sabe ama vida e a música. Não ponham crédito em falsos astros que dublam seus próprios gemidos, como Block Party, Britney Spears e Madonna.

Um comentário:

  1. PÔ... arrepiou! Linda a voz da Inhana! Fábio e o resgate da herança cultural do nosso País!
    Muito legal...

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