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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Dia sem fim (parte I)

Mais um dia terrível.

Visita de domingo: família, amigos e penetras reunidos em torno de uma maionese ruim. Ao cair da noite, todos se foram dentro do Interbairros II, o verdejante expresso infernal que conduz milhares de almas por dentro de Curitiba. Chutando os chinelos, desfaleci sobre a cama.

Então aconteceu o primeiro pesadelo: o céu estava em chamas. Olhei pela janela do quarto e vi bombas incendiárias destruindo nossas casas de madeira. O napalm cruzava a superfície e impregnava seu mau cheiro pelo ar. Queria sair dali, queria correr para longe, fugir para a Austrália. Não podia mais.

Mas, ei! Não moro em casa de madeira! Não sou um vietnamês prestes a correr do napalm ao lado de Kim Phuc! Não: não era verdade! Levantei e fui até a cozinha para tomar água. Levo um susto mortal: alguém arrombou a porta. Eram dois oficiais da SS nazista; eles me renderam. Estavam me conduzindo até o caminhão, mas, ao passar pela porta, alguma força me prendeu. Os chucrutes ficaram para fora; eu, para dentro, encarcerado por uma parede invisível que me jogava para o interior da casa.

Mais um sonho, só pode ser! Tomei um gole de vinho barato. Mais um. E outro. Apliquei beliscões no braço: nada. Voltei à cama, mas um forte tremor me fez levantar e espiar pela janela: milhares e milhares de cavalos, cavaleiros, lanceiros, todos bradando: “Alerrándros, Alerrándros, Alerrándros!”

Uma flecha atingiu o vidro de onde eu assistia aos macedônios e tudo caiu num clarão ofuscante. Depois que essa luz se apagou, só se via destruição por tudo. Meu Deus! Era Hiroshima! Eu estava viajando por tempos e lugares? Qual a procedência do vinho? O que minha tia pôs naqueles croquetes?

Fechei os olhos e, ao abri-los novamente, não havia mais casa, cama, paredes... Eu via pessoas sendo chicoteadas, estupradas, esquartejadas, escravizadas, roubadas... Um buraco abriu debaixo de mim e eu caí. Caí por horas, minutos... Até que me estatelei contra mim mesmo na cama de minha casa.

Eita, pesadelo! Eram seis da manhã de segunda-feira. Já havia perdido o Interbairros II que me leva ao serviço na hora certa. Atrasado de novo! Saí em disparada, mas o sol brilhava azul numa rua que não era a de minha casa...

CONTINUA...

5 comentários:

  1. ola, sou o micael do blog comcateogria.blogspot.cogspot.com, trocar links é eu colocar em uma lista no meu blog o seu link e voce colocar o meu link (dos blogs) no seu blog, assim, para aumentar o trafico de visitantes.

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  2. Esse foi de longe um dos sonhos mais estranhos que eu já ouvi falar o_o
    E eu já tive sonhos bem estranhos, cara.

    Muito interessante o blog ;D

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  3. pô pela quarta vez que tento comentar... vou ver se dá! Cara! Isso ou é o tal do fim dos tempos! ou os croquetes alucinantes da tia! que coisa! ou seria a maionese? como é que comigo não acontece? ô.. rola almoçar na tua Racoski?

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  4. Me identifiquei com a seguinte frase... "todos se foram dentro do Interbairros II"

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  5. cara, não era tua rua??
    hehehheheee
    quero ler o próximo!!!!!!

    quando pequena, meus pesadelos tinham mais a ver com espaçonaves, etc.

    beijosss

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