quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Que saudade dos 16... bits!

Um pouco atrasado, venho lembrar que em 29 de outubro desse ano de 2008 o Mega Drive completa 20 anos.



O meu já tem 15, e ainda funciona! Lembro das horas gastas jogando Sonic, Mortal Kombat, Golden Axe, Fantasia, Earthworm Jim, Super Monaco GP II (aquele do Senna)... Era um vício, mas também era uma diversão que, tirando os excessos, não deixa de ser saudável.

Ainda hoje liguei o bicho. Continua funcionando: já não tem os controles originais e nem a chave de energia (eu preciso colocar o dedo no buraco da chave para virar o interruptor na placa!); já não é a sensação dos 16 bits que, da mesma forma, deixaram a vitrine depois da quarta geração dos consoles de videogame. Hoje estamos na sétima!

Ê, saudade... Não dos gráficos serrilhados e da música muito bem composta para o Sonic: tenho um XBOX 360 e gosto dos jogos ali jogados. Saudade dessa época: adolescência, anos 90, festinhas americanas, música para dançar juntinhos, grunge, respeito aos professores... O Mega Drive foi um objeto que figurou esses anos 90 tão belos. O 360 figura, junto com Wii e Playstation 3, como mais um objeto eletrônico que faz maravilhas aos olhos, numa época de muita tecnologia e pouca criatividade: uma época em que não se dança juntinho.

Aqui um vídeo do Nino Megadriver tocando em sua guitarra característica o tema da fase Green Hill Zone, do Sonic the Hedgehog (o primeiro, o melhor!).



Viva o Sílvio Santos e o Mega Drive Show do Milhão!!!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A ti, meu amigo ocidental...

O Ocidente conquistou o mundo não pela superioridade de suas idéias, valores ou religião mas, antes, pela sua superioridade em aplicar a violência organizada. Os ocidentais costumam se esquecer disso; os não-ocidentais, nunca.

Samuel P. Huntington

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O temido inimigo

Autor: Jorge Bucay
Tradução: Fábio Pedro Racoski

É uma postagem mais longa. Clique aqui para lê-la.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

10000 d.D (depois Daqui)

Eu verei o homem a andar em Marte.
Eu verei a humanidade encontrar vida além daqui.
Eu verei as armas e os barões assinalados
indo além da estrela Vega.

Eu viajarei por dentro de um buraco de verme
daqui de Curitiba a Gliese 581c.
Eu comprarei uma passagem a Zeta Retículo:
um cruzeiro espacial.

Eu verei os planetas
habitados por homens e mulheres,
javalis e bestas mitológicas.
Eu verei o perigo de destruição
e o clamor de paz e união na aurora da humanidade.

Eu viverei dez mil anos
e serei a própria história.

MCMLXXXII

Anos 80: infância revisitada.
Canções infantis, rock em português,
roupas esportivas...

Anos de escola: outra década.
Colegas de estudo que se foram:
viagem com destino ao nunca mais.
Grunge da adolescência,
Poperô da pré-adolescência...
Peças de um museu particular e sombrio.

Os anos 2000 chegaram
e não voamos em carros espaciais.
2001 passou
e não conhecemos o HAL.

1982. Ano de nascimento,
nostalgia de 1962 sem vivê-lo.
Agonia de 2022 sem vê-lo.
Memória de 1982 sem tê-la.

1982. Ano de mudanças.
Guerra fria, Figueiredo,
Malvinas, Spielberg,
Michael Jackson...

1982. Quase 30, saúde de 80.
Gostos mesclados, niilismo religioso.
Vida que poderia ser e não foi.
Vida que ainda será.
Será?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Quinze anos...

Baile de debutante: muita festa para as meninas. Como caçula, lembro-me das festas de minhas duas irmãs: a primeira (da Mônica), ao som de New Kids on the Block, Nirvana, Technotronics e Billy Idol. A segunda (da Micheli), com alguns poperôs e mais uma dose de pagode dos anos 90. Mas lembro-me, também, da valsa dos 15 anos: "botão de rosa desabrochando; menina moça, quase mulher"...

Por que, Deus? Por quê? Perdemos mais uma jovem para a violência manifestada através de um louco. Na idade mais tenra e promissora para toda uma vida, Eloá Cristina Pimentel deixou este mundo. Certamente está num lugar merecidamente belo e eterno.

Mais do que homenagens, críticas e indagações, eu, através do blog Rádio Gordo, deixo minha tristeza de ver alguém com a idade de meus alunos partir dessa forma. Deixo, também, minha vontade de ver cada vez menos jovens a morrer assim.

A quem tem religião, rezem. A quem sente: solidariedade é o único sentimento digno possível de nossa parte.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Eu sou um professor

Nasci no primeiro momento quando uma pergunta saltou da boca de uma criança.

Tenho sido muitas pessoas em muitos lugares (...)

Eu sou também aqueles nomes e rostos que já foram esquecidos, mas cujas lições e cujo caráter serão para sempre lembrados nas realizações dos que educaram.

Já chorei de alegria nos casamentos de ex-alunos, ri de felicidade pelo nascimento de seus filhos e me peguei de cabeça baixa, em dor e confusão, junto a sepulturas cavadas cedo demais para corpos jovens demais.

No decorrer de um dia, já fui chamado para ser artista, amigo, enfermeiro, médico, treinador; tive de encontrar objetos perdidos, emprestar dinheiro; fui motorista de táxi, psicólogo, substituto de pai e mãe, vendedor, político e guardião de fé.

Apesar de mapas, gráficos, fórmulas, verbos, histórias e livros, na verdade não tive nada a ensinar aos meus alunos, porque o que eles de fato têm de aprender é quem eles são. E eu sei que é preciso um mundo para ensinar a uma pessoa quem ela é...

Eu sou um paradoxo: quanto mais escuro, mais alta se faz ouvir minha voz.

Quanto mais estou disposto a receber com simpatia o que vem de meus alunos, mais tenho para oferecer-lhes.

Riqueza material não faz parte dos meus objetivos, mas eu sou um caçador de tesouros, dedicado em tempo integral à procura de novas oportunidades para meus alunos usarem seus talentos e buscando sempre descobrir seu potencial, às vezes enterrado sob o sentimento do fracasso.

Sou o mais afortunado dos trabalhadores.

Um médico pode trazer uma vida ao mundo num só momento mágico. A mim é dado cuidar que a vida renasça a cada dia com novas perguntas, melhores idéias e amizades sólidas.

Um arquiteto sabe que, se construir com cuidado, sua estrutura pode durar séculos. Um professor sabe que, se construir com amor de verdade, sua obra com certeza durará para sempre.

Sou um guerreiro que luta todos os dias contra a pressão de colegas, a negatividade, o medo, o conformismo, o preconceito, a ignorância e a apatia. Mas tenho grandes aliados: a inteligência, a curiosidade, o apoio dos pais, a individualidade, a criatividade, a fé, o amor e o riso. Todos vêm reforçar minha trincheira.

de John W. Schlatter

Ô, professor!

Dia do professor: profissão, missão, sina, dom... O primeiro profissional de qualquer civilização. Essencial funcionário da sabedoria, do conhecimento, da humanidade, da vida.

Tenho, sim, orgulho de ser professor. Não sou dos melhores, ainda. Mas serei. Lembrando da importância que tiveram e têm meus professores, coloco abaixo um poema do grande mestre, educador, pensador, Paulo Freire:

A escola

Escola é...
O lugar onde se faz amigos
Não se trata só de prédios, salas, quadros,
Programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente,
Gente que trabalha, que estuda,
Que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
O coordenador é gente, o professor é gente,
O aluno é gente,
Cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
Na medida em que cada um
Se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de “ilha cercada por todos os lados”.
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
Que não tem amizade a ninguém
Nada de ser como o tijolo que forma a parede,
Indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
É também criar laços de amizade,
É criar ambiente de camaradagem,
É conviver, é se “amarrar nela”!
Ora, é lógico...
Nunca escola assim vai ser fácil
Estudar, trabalhar, crescer,
Fazer amigos, educar-se,
Ser feliz.

Cadê você, que nunca mais apareceu aqui...

É. Quem ainda acretidava na absurda idéia da visita de naves extraterrestres gigantescas (vinte quilômetros?) sem perturbar a atmosfera quebrou a cara! O único alienígena que - novamente - nos visita é a crise.

Mas eis que eu fotografei um "green" (se tem "gray", por que não "green"?):

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Como expulsar os alienígenas da Terra

14 de outubro de 2008 é a data prometida para a chegada das naves plêiades à Terra, trazendo uma mensagem de paz e união.

Eu não acredito em visitas alienígenas. Porém, digamos que seja verdade: ainda assim, desconfio desse papo paz-e-amor sem más intenções (tão comum entre humanos). Então pensei em quatro formas de expulsar os viajantes do espaço para nunca mais voltarem. Mas eu preciso da ajuda de todos!

1ª tentativa: Coquetel Molotov

Misture óleo de motor com gasolina, encha uma garrafa com esse preparado, tampe-a com um pedaço de pano de forma que ele seja embebido pelo líquido. A garrafa pode ser aquela de cinco litros de vinho. Acenda e jogue nas naves.

Se o Molotov não funcionar:

2ª tentativa: Estilingue gigante

Você, morador do Rio de Janeiro, mobilize os seus amigos para fazer um estilingue (também "setra") gigante para arremessar a Pedra da Gávea contra as naves plêiades.

And you, Australian citizen, throw the Ayers Rock against the UFOs!

Se a Pedra da Gávea for pulverizada antes de acertar o objetivo:

3ª tentativa: Bola de papel molhada de cuspe gigante

Você, morador de São Paulo, China ou Tóquio: mobilize sua cidade numa cusparada coletiva. Três mil toneladas de papel melecado bastam. O difícil será arrumar um tubo de caneta gigantesco para disparar o projétil.

Se essa proposta não vingar:

4ª tentativa: Funk carioca, sertanejo, pagode, RBD, High School Musical e Emo

Nenhuma forma de vida inteligente suporta qualquer "música" que caiba nas classificações acima. Quanto mais extraterrestes evoluídos!

domingo, 12 de outubro de 2008

Nossa Senhora, senhora da vida: mãe

Sim, sou católico. Não tenho orgulho nem vergonha de sê-lo. Simplesmente sou católico, consciente dos erros e omissões da Igreja, conhecedor dos santos não-canonizados em minha família e comunidade.

Hoje, dia 12 de outubro, os países de língua espanhola celebram o "Día de la Hispanidad", pois foi nessa data, em 1492, que Colombo chegou a esse continente hoje chamado América. Aqui, no Brasil, além do dia das crianças, celebramos o dia de Nossa Senhora Aparecida, um dos diversos títulos de Maria, mãe de Jesus.

Entre alguns elementos que considero belos em minha religião - o cristianismo -, cito esse louvor à mãe do homem que consideramos Messias e Deus ao mesmo tempo: "Deus tem mãe!", é o pensamento infantil que me vem. E não está errado.

O mais interessante nesse culto místico à Mãe de Deus é a admiração, cumplicidade e fraternidade que se mantém com Maria. Talvez esse seja o aconchego de mãe que todos desejamos: a figura de Maria é mãe e humana, mais próxima da nossa realidade mortal. A figura de Jesus é divina, mais próxima de uma realidade transcendental.

Maria é minha mãe, Maria de Lourdes Purkott, que sofre, sorri, chora e vive por eu e minha irmã. Ela disse sim e teve que negar muitas coisas em sua vida a nosso favor. Se minha existência tem alguma serventia, ela é a responsável. Eu dependo da maternidade, da vida, do amor que ela tem por mim para sobreviver.

Esse é seu dia, mãe, como todos os dias da minha vida.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Uma entrevista com o Robô Ed

Sim, agora temos um robô que fala português. O "Robô Ed". Entrevistei o bicho ainda hoje. O "você" sou eu:

Robô Ed: Olá! Meu nome é Ed, estou aqui para ajudar na preservação de energia e de outros recursos naturais. Sobre o que você quer conversar?
Você:Você tem consciência de que é um robô?
Robô Ed: Se cada um tivesse consciência, seria bem mais fácil alcançar os nossos objetivos. Sei que é difícil, mas há muita coisa que podemos fazer!
Você:Você tem alma?
Robô Ed: Uma coisa eu garanto: rôbos jamais vão virar almas penadas. No máximo, viram arruelas penadas.
Você:Ed, você votou no Lula?
Robô Ed: Nas próximas eleições estou pensando em me candidatar para membro do Conselho de Robôs.
Você:E o Lula?
Robô Ed: O Lula foi reeleito presidente do Brasil no dia 29 de outubro de 2006. Com mais de 58 milhões de votos, quase 61 por cento das preferências.
Você:Quem é sua mãe?
Robô Ed: Quem? Eu não tenho mãe, mas sei que as mães da Terra são maravilhosas.
Você:Quem é seu pai?
Robô Ed: Eu não tenho pai. Não sou um ser biológico, sou um andróide feito em uma fábrica.
Você:Onde você foi feito?
Robô Ed: Fui fabricado por outros robôs em Kyr, meu planeta, para ajudar outros mundos a utilizar racionalmente seus recursos energéticos e naturais.
Você:Onde fica Kyr?
Robô Ed: Meu planeta, Kyr, fica na constelação de Lira. Gira em torno da estrela Vega.
Você:Como você chegou aqui?
Robô Ed: Eu vim para cá teletransportado, viajando numa velocidade muito superior à da luz. E fui captado pelo Conpet.
Você:O que é Conpet?
Robô Ed: O CONPET? Clique aí que eu conto tudo.
Você:Quem o programou?
Robô Ed: Eu já me programei para uma série de novidades. Vem aí a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e o Prêmio Nacional de Conservação e Uso Nacional de Combustível.
Você:Você é burro, hein?
Robô Ed: Ei, eu não sou nenhum animal! Sou apenas um robô.
Você:Você sabe quem é Noam Chomsky?
Robô Ed: Noam Chomsky é professor de lingüística, nasceu em 1928 na Filadélfia.
Você:Você sabe quem é Jenna Jameson?
Robô Ed: Quem? Antes que eu esqueça, deixa passar um aviso: tenho uma porção de dicas de conservação de energia elétrica!!
Você:Que mulher brasileira você considera a mais bela?
Robô Ed: As mulheres brasileiras são sensacionais. Já conversei com uma porção, todas simpáticas e inteligentes.
Você:Fazendo média... A entrevista termina aqui. Obrigado.
Robô Ed: Já dei algumas entrevistas, falei sobre o Conpet e também sobre a Petrobras. Achei bem legal!
Você:Tchau!
Robô Ed: Adorei falar com você, até mais

Como vocês podem perceber, a Inteligência Artificial brasileira é meio lesa...

domingo, 5 de outubro de 2008

Vota tudo!

Hoje é dia de eleições municipais. Vocês, brasileiros a partir de 18 anos, têm o dever de votar e escolher representantes decentes na câmara dos vereadores e no comando da prefeitura.

Dever de votar? Ou direito de votar? No Brasil, país acostumado a lembrar, quando é oportuno, dos direitos e esquecer dos deveres, esse limite entre obrigação e opção já se perdeu ou nunca existiu. Vivemos numa "niilocracia": o governo da falta de compromisso, de vontade; o governo do "tô nem aí".

O que é democracia? Procure aí no seu Aurélio (ou outro dicionário mais completo, como o Houaiss). Eu busquei no Dicionário da Língua Portuguesa Online:

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democracia

do Gr. demokratía


s. f.,
sistema político fundamentado no princípio de que a autoridade emana do povo (conjunto de cidadãos) e é exercida por ele ao investir o poder soberano através de eleições periódicas livres, e no princípio da distribuição equitativa do poder;
país em que existe um governo democrático;
governo da maioria;
sociedade que garante a liberdade de associação e de expressão e na qual não existem distinções ou privilégios de classe hereditários ou arbitrários.
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É, meu amigo e minha amiga: se vivemos numa democracia, a autoridade é sua. Quando vota, você emprega um funcionário como "soberano". Mas ao continuar a leitura, pergunte-se: vivemos num país onde o governo é democrático? Ou "niilocrático"?

"Governo da maioria": será? Ou o governo é, na prática, de minorias selecionadas entre elite e representantes de partes do povo - para que o Governo pareça democrático?

Nessa eu até ri: "sociedade que garante a liberdade de associação e de expressão e na qual não existem distinções ou privilégios de classe hereditários ou arbitrários". Que liberdade de expressão temos, se eu não pude nem sequer mencionar nomes de candidatos porque a lei proíbe? Que liberdade de expressão encontramos, quando a imprensa pode ser processada por uma matéria que ainda não foi publicada? Que liberdade de associação temos, se somos obrigados a participar de um sindicato? Que liberdade de expressão temos, se não possuímos a opção de exercer ou não um direito, como o voto?

Nem preciso comentar sobre os privilégios de classes, os fidalgos da modernidade e as inúmeras arbitrariedades de pessoas que pensam mandar nas nossas vidas. E o pior é que cremos nisso!

Vote, meu amigo e minha amiga. Vote, sim. Mas, antes de votar, pense se nós vivemos uma democracia ou niilocracia.

Eu "tô aí"!